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Peru revisa votos sob contestação e definição do segundo turno fica para maio

Análise de mais de um milhão de cédulas adia resultado final; Keiko Fujimori segue na liderança enquanto disputa pela segunda vaga permanece indefinida

Por Eliane Alexandrino

Peru revisa votos sob contestação e definição do segundo turno fica para maio Créditos: Divulgação

As autoridades eleitorais do Peru iniciaram nesta semana a revisão de milhares de cédulas contestadas, procedimento que interrompe temporariamente a contagem oficial das eleições gerais realizadas em 12 de abril.

A medida deve postergar a divulgação do resultado final até maio, em meio à indefinição sobre quem enfrentará a líder conservadora Keiko Fujimori no segundo turno, previsto para junho.
De acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), cerca de 6% das seções eleitorais o equivalente a mais de um milhão de votos foram contestadas após a identificação de inconsistências, ausência de dados ou erros nas atas de apuração.

O processo de reavaliação está sendo conduzido pelo Júri Nacional de Eleições (JNE), que realiza audiências públicas para validar ou corrigir os registros antes de incorporá-los ao resultado final. Segundo o coordenador jurídico do órgão, Jorge Valdivia, a previsão é que o desfecho da eleição presidencial seja conhecido até o dia 15 de maio.

Além da disputa presidencial, também estão sob análise votos das eleições legislativas, o que amplia a complexidade e o tempo necessário para a conclusão do processo.
Com aproximadamente 94% das urnas apuradas, Keiko Fujimori mantém a liderança com cerca de 17% dos votos. A disputa pela segunda colocação segue acirrada entre o parlamentar de esquerda Roberto Sanchez e o ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga, separados por uma margem estreita que continua oscilando.

Analistas apontam que o resultado final pode ser influenciado pelo peso dos votos provenientes de regiões rurais, onde Roberto Sanchez tem apresentado crescimento. O cenário reflete, em parte, o padrão eleitoral observado na vitória de Pedro Castillo em 2021, marcada pelo forte apoio do interior do país.

O atraso na apuração também intensificou tensões políticas. Rafael López Aliaga levantou suspeitas de fraude e pediu a renúncia do chefe do Onpe, Piero Corvetto. O órgão eleitoral, por sua vez, apresentou uma queixa contra o candidato por declarações consideradas ofensivas ao processo democrático.

Apesar das críticas, Piero Corvetto reconheceu dificuldades logísticas, mas negou irregularidades. Missões de observação da União Europeia também afirmaram não ter identificado evidências de fraude até o momento.

Com a revisão em andamento, o cenário eleitoral permanece indefinido e sob forte expectativa, enquanto o país aguarda a consolidação dos resultados oficiais.

Foto: Divulgação 

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