corbelia fevereiro 2026

Pedágio eletrônico impõe nova rotina e novos custos aos motoristas

Sistema “free flow” começa a operar sem cancelas nas rodovias do Oeste e Sudoeste, exige cadastro, atenção a prazos e impõe nova despesa

Por Bruno Rodrigo

Pedágio eletrônico impõe nova rotina e novos custos aos motoristas Créditos: EPR Iguaçu

Começou nesta segunda-feira (23) a cobrança do pedágio eletrônico nas rodovias do Oeste e Sudoeste do Paraná. E, junto com ela, uma mudança profunda na rotina de quem trafega pela região. Não há cancelas, não há filas visíveis, mas há tarifa, há prazos, há regras e há uma curva de aprendizado que o motorista precisará vencer rapidamente.

A cobrança já está valendo nos pórticos instalados na BR-163, em Santa Lúcia (km 156,100 Sul e 154 Norte), na PR-280, em Vitorino (km 234), e na PR-182, em Ampére (km 517). A gestão é da EPR Iguaçu, concessionária responsável por 662 quilômetros de rodovias nas duas regiões.

A primeira novidade é a cobrança em trechos que antes não tinham pedágio. A segunda é o modelo de free flow, sistema em que o veículo passa sob um pórtico equipado com sensores e câmeras capazes de identificar 100% das passagens, seja por meio da TAG eletrônica instalada no para-brisa, seja pela leitura da placa. O fluxo é contínuo, sem parada. O débito, porém, não desaparece.

Para quem tem TAG, o valor é faturado automaticamente. Para quem não tem, começa a maratona de opções: site, aplicativo “Pedágio Eletrônico EPR”, totens de autoatendimento, bases de atendimento presencial, pontos físicos na BR-163, cabines das praças tradicionais da BR-277 e até a sede administrativa da concessionária, em Cascavel. A tarifa fica disponível para pagamento até duas horas após a passagem e deve ser quitada em até 30 dias. Caso contrário, o não pagamento pode ser enquadrado como evasão, com multa e pontos na CNH.

A concessionária firmou convênios com comércios considerados estratégicos. Há totens em Santa Lúcia, Capitão Leônidas Marques, Vitorino, Marmeleiro, Ampére, Manfrinópolis e Francisco Beltrão. Os meios aceitos são Pix e cartões de crédito e débito. Nas bases SAU de Lindoeste, Capitão Leônidas Marques e Renascença também há atendimento presencial em horário comercial.

Segundo o diretor-executivo da concessionária, Silvio Caldas, as múltiplas opções garantem que o usuário escolha a forma mais confortável. “Queremos garantir que todos tenham acesso fácil ao Pedágio Eletrônico, com atendimento presencial, orientação direta e múltiplas formas de pagamento”, afirma.

Conforto é uma palavra que ainda precisará ser testada na prática. O motorista terá de acompanhar suas passagens, conferir se a leitura da placa ocorreu corretamente, respeitar o prazo de 30 dias e, de preferência, realizar cadastro prévio no site ou aplicativo para receber avisos de cobrança e reduzir o risco de inadimplência involuntária.

Os valores variam conforme o pórtico e o tipo de veículo. Para automóveis, caminhonetes e furgões, as tarifas ficam entre R$ 11,00 e R$ 18,10. Caminhões, ônibus e veículos com múltiplos eixos podem pagar de R$ 22,00 até R$ 144,80, dependendo da configuração.

Há descontos para quem opta pela TAG. O Desconto Básico de Tarifa (DBT) concede 5% automaticamente. Já o Desconto para Usuários Frequentes (DUF) é cumulativo e progressivo para automóveis e caminhonetes que utilizem o mesmo pórtico, no mesmo sentido, dentro do mesmo mês. A partir da 30ª passagem, cobra-se a tarifa mínima até o fim do mês. No mês seguinte, a contagem recomeça do zero.

O diretor-presidente do Núcleo EPR Paraná, Marcos Moreira, destaca que os descontos podem chegar a 98% em determinadas condições previstas em contrato. Para simular os valores, a concessionária disponibiliza uma calculadora digital no site.

Motocicletas e triciclos são isentos. Para os demais, o cenário é claro: quem usa pouco paga a tarifa cheia; quem usa muito precisa organizar as contas para alcançar descontos que exigem frequência e planejamento.

O discurso oficial aponta modernização, fluidez, redução de filas e até menor emissão de poluentes. Mas, no curto prazo, o que se impõe é uma fase de adaptação forçada. O motorista do Oeste e Sudoeste agora precisa aprender a conviver com pórticos que registram cada passagem e com um sistema digital que exige atenção constante.

Sem cancela para lembrar que a cobrança existe, o risco é esquecer, e pagar mais caro depois.

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