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PCC, fundos sob investigação e um resort no Paraná que pertenceu à família de Dias Toffoli

Negociação envolvendo fundos investigados por lavagem ligada ao PCC e decisões controversas de Dias Toffoli no Caso Master colocam sob escrutínio um resort no Paraná que pertenceu à família do ministro do STF

Por Gazeta do Paraná

PCC, fundos sob investigação e um resort no Paraná que pertenceu à família de Dias Toffoli Créditos: Rosinei Coutinho/STF

Uma operação financeira realizada no interior do Paraná colocou um empreendimento turístico ligado à família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no centro de um enredo que envolve fundos de investimento sob investigação por suspeita de lavagem de dinheiro associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e decisões controversas do próprio ministro no contexto do inquérito que apura irregularidades no Banco Master. O caso envolve o Resort Tayayá, em Ribeirão Claro, cujas cotas foram negociadas com fundos sob apuração criminal.

Entrada de fundos sob investigação

Em 2021, dois fundos administrados pela gestora Reag Investimentos compraram participação no resort por cerca de R$ 20 milhões. Os fundos eram representados pelo executivo Silvano Gersztel, que passou a ser investigado por supostamente operar esquemas de lavagem de dinheiro para o PCC, usando estruturas financeiras complexas para dar aparência de legalidade a recursos de origem criminosa. Documentos públicos mostram que Gersztel atuou como representante legal de diversos CNPJs ligados à Reag, inclusive nas negociações que deram entrada desses fundos no capital do resort.

Familiares de Toffoli, entre eles Igor Luiz Pires Toffoli, José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, figuravam entre os sócios originais do Tayayá antes da redução da participação ao longo dos anos. Em 2025, as cotas remanescentes foram vendidas ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que atua em causas de interesse do grupo J&F, representado pelos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista.

Críticas às decisões de Toffoli no inquérito Master

O caso ganhou ainda mais atenção porque a investigação conhecida como Caso Master — que mira supostas fraudes financeiras e lavagem de dinheiro no Banco Master — está sob a relatoria de Toffoli no STF e tem provocado intensos debates sobre condução de inquéritos e conflitos de interesse.  

Nos últimos dias, o ministro alterou pelo menos três vezes em poucas horas as determinações sobre o destino e o acesso às provas apreendidas pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o banco e outros alvos.  

Inicialmente, Toffoli ordenou que todos os bens, documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos fossem lacrados e enviados diretamente para o STF, sob a justificativa de preservar as provas até uma nova decisão. Delegados da Polícia Federal reagiram, alertando que a medida poderia impedir a extração imediata e segura dos dados, com risco de perda de informações cruciais.  

Diante das críticas, o ministro recuou e determinou que o material fosse enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para extração e análise, atendendo a pedido do procurador-geral Paulo Gonet. Segundo Toffoli, isso permitiria que a PGR “tenha uma visão sistêmica dos supostos crimes de grandes proporções identificados até o momento”.  

Logo depois, em novo ajuste, Toffoli autorizou que a Polícia Federal também tivesse acesso ao material, mesmo sob custódia da PGR, desde que técnicos por ele indicados acompanhassem a extração dos dados e a perícia. Essa série de idas e vindas foi vista por investigadores como atípica e pode refletir um choque institucional entre a Corte, a PF e a PGR sobre a melhor forma de conduzir a investigação.  

Repercussões no meio jurídico e político

As oscilações nas decisões de Toffoli alimentaram críticas no meio jurídico e levantaram questionamentos sobre a relação entre o Supremo e a Polícia Federal, com alguns analistas afirmando que medidas como estas poderiam afetar a independência técnica da investigação.  

Enquanto isso, autoridades da PF e da PGR mantêm a investigação em curso, com foco nos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa, manipulação de mercado e lavagem de capitais, além de examinar possíveis vínculos entre o Banco Master e fundos de investimento como a Reag Trust, alvo de outras apurações ligadas ao setor financeiro e ao PCC.  

Investigação criminal em curso

As decisões recentes envolvem itens apreendidos que somam bilhões de reais em ativos – de carros de luxo e relógios a dinheiro em espécie e outros bens ligados a alvos da operação. Entre eles estão o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, familiares e empresários com ligações societárias e financeiras com o banco.  

A apuração corre sob sigilo no STF, enquanto autoridades defendem que as medidas adotadas — ainda que controversas — buscam equilibrar o direito à investigação com a preservação de provas relevantes para o processo. Críticos, por sua vez, afirmam que a postura do ministro pode gerar insegurança jurídica e prejudicar a investigação técnica e imparcial das evidências.  

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp