Ataques de EUA e Israel ao Irã: Sobe para 555 o número de mortos, diz agência
Balanço do Crescente Vermelho aponta que 131 áreas residenciais foram atingidas; Irã nega negociar com Donald Trump após ofensiva que teria vitimado Ali Khamenei.
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O número de mortos no Irã em decorrência dos ataques militares realizados por Estados Unidos e Israel desde sábado (28) subiu para 555, informou nesta segunda-feira (02) o Crescente Vermelho do Irã, segundo comunicado citado pela agência estatal Fars. As ofensivas teriam atingido 131 áreas residenciais em diferentes cidades do país.
A campanha militar conjunta começou no sábado e, segundo relatos, também resultou na morte de autoridades iranianas de alto escalão, incluindo o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Em retaliação, o Irã lançou ataques com drones e mísseis contra Israel, bases militares norte-americanas e países do Golfo.
A organização humanitária não detalhou a composição das vítimas entre civis e militares, nem o número total de feridos na atualização mais recente. No último balanço divulgado no sábado, o Crescente Vermelho havia registrado 201 mortos e 747 feridos em ampla operação militar que atingiu diversas províncias iranianas.
Resposta iraniana e postura política
Após a escalada dos bombardeios, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou que o país não negociará com os Estados Unidos diante da ofensiva militar. A fala ocorreu depois de declarações do presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano) à revista The Atlantic, em que ele sugeriu que os líderes iranianos teriam interesse em retomar as negociações.
Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (Likud, direita) disse que os ataques provavelmente se intensificarão nos próximos dias, reforçando a postura defensiva do país diante das operações iranianas.
Contexto da escalada
A decisão dos EUA e de Israel de lançar ataques no Irã ocorreu depois de semanas de tensão entre os dois lados. Em 19 de fevereiro, Trump declarou que poderia dar “um passo adiante” em relação a um ataque militar contra o país persa se considerasse necessário. Posteriormente, ele afirmou que uma eventual guerra resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, em 24 de fevereiro, o presidente norte-americano também criticou o Irã por não renunciar ao desenvolvimento de armamentos nucleares e por supostamente desenvolver mísseis com potencial para atingir bases americanas e países aliados, apesar de conversas diplomáticas em curso que não avançaram para um acordo.
Por outro lado, uma autoridade sênior iraniana disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões se os EUA reconhecessem seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas, mas esse cenário ainda não foi concretizado.
A situação marca uma etapa grave de tensões no Oriente Médio, com impacto direto sobre a estabilidade regional e repercussões internacionais.
