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Paraná tem um dos piores ritmos de investimento em educação do país, aponta estudo

Estado aparece na 25ª posição em crescimento dos gastos entre 2018 e 2025; APP-Sindicato afirma que rede deixou de receber R$ 3,4 bilhões em 2026

Por Gazeta do Paraná

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Paraná tem um dos piores ritmos de investimento em educação do país, aponta estudo Créditos: Gabriel Rosa/AEN

O Paraná registrou um dos piores desempenhos do país na evolução dos investimentos em educação pública entre 2018 e 2025. É o que aponta uma nota técnica elaborada pela assessoria econômica da APP-Sindicato, com base em dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi). Segundo o levantamento, o Estado ocupa a 25ª colocação no ranking nacional de crescimento dos gastos com educação, ficando à frente apenas de duas unidades da Federação.

Intitulado O subfinanciamento da Educação no Paraná (2018–2025), o estudo mostra que os investimentos estaduais cresceram 76,1% no período, índice bem abaixo da média nacional, que foi de 111,9%. A diferença é de 35,8 pontos percentuais.

De acordo com a análise, esse desempenho fez o Paraná perder posições em relação aos demais estados. Em 2018, o Estado possuía o terceiro maior orçamento educacional do país em evolução dos aportes. Sete anos depois, caiu para o 25º lugar.

A APP-Sindicato afirma que o ritmo reduzido de investimentos representa perdas significativas para a rede pública. Conforme os cálculos da entidade, se o Paraná tivesse acompanhado a média nacional de crescimento dos gastos, a educação estadual teria recebido aproximadamente R$ 20,2 bilhões em 2025. No entanto, o valor efetivamente aplicado foi de R$ 16,8 bilhões, uma diferença de cerca de R$ 3,4 bilhões em apenas um ano.

O estudo também compara o desempenho paranaense com os estados vizinhos da Região Sul. Enquanto o Paraná registrou crescimento de 76,1%, o Rio Grande do Sul alcançou 112,2% e Santa Catarina chegou a 169,7%. Para os autores da nota técnica, os números indicam que o baixo investimento não decorre de dificuldades fiscais comuns à região, mas de prioridades adotadas pelo governo estadual.

Quando descontada a inflação acumulada no período, estimada em 50,6%, o crescimento real dos investimentos no Paraná cai para apenas 17%, contra média nacional de 41%. Segundo a APP-Sindicato, isso compromete o poder de compra da rede estadual e dificulta a ampliação de investimentos em infraestrutura, transporte escolar, merenda, materiais pedagógicos e valorização dos profissionais.

A presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Olegário Mazeto, afirma que a política de investimentos adotada pelo governo tem priorizado gastos com plataformas privadas, terceirizações e programas de privatização em detrimento da valorização dos trabalhadores da educação.

Segundo ela, o resultado é o aumento da precarização das condições de trabalho, da sobrecarga dos profissionais e da dificuldade para garantir melhorias estruturais nas escolas. Walkiria defende a recomposição do orçamento da educação aos níveis da média nacional, além da implementação de um plano voltado à valorização profissional, cumprimento do piso nacional do magistério, redução da contratação temporária e equiparação entre os quadros de servidores da educação.

Recursos do Fundeb

A nota técnica também questiona a destinação dos recursos da complementação do Valor Aluno Ano Resultado (VAAR), do Fundeb. O Paraná recebeu R$ 620,6 milhões por meio desse mecanismo, figurando entre os estados que mais receberam recursos federais.

Entretanto, segundo a APP-Sindicato, parte significativa desse montante não foi aplicada diretamente na valorização da educação pública. Dados citados pelo estudo indicam que, dos cerca de R$ 530 milhões do VAAR utilizados em 2025, aproximadamente R$ 250 milhões foram destinados à contratação de serviços de terceiros e pessoas jurídicas, incluindo programas como o Parceiro da Escola. Outros R$ 52 milhões foram direcionados para serviços de tecnologia da informação e aquisição de plataformas digitais.

Para o economista da APP-Sindicato, Cid Cordeiro, a destinação desses recursos fortalece um processo de terceirização da educação pública. Segundo ele, os indicadores de qualidade da rede estadual são resultado do trabalho desenvolvido pelos profissionais da educação em sala de aula, mas parte dos recursos adicionais acaba financiando contratos privados, o que, na avaliação da entidade, pode comprometer a qualidade do ensino no longo prazo.

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