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Paraná mantém vacinação contra gripe por tempo indeterminado para ampliar cobertura dos grupos prioritários

Estado aplicou 1,86 milhão de doses, mas cobertura entre crianças, idosos e gestantes ainda está em 41,6%, menos da metade da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde

Por Eliane Alexandrino

Paraná mantém vacinação contra gripe por tempo indeterminado para ampliar cobertura dos grupos prioritários Créditos: Assessoria

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) decidiu manter a vacinação contra a gripe em todo o Paraná mesmo após o encerramento oficial da Campanha Nacional de Vacinação, previsto pelo Ministério da Saúde para este fim de semana. A medida foi confirmada nesta sexta-feira (29) e comunicada às 22 Regionais de Saúde por meio de memorando.

O objetivo é ampliar a cobertura vacinal entre os grupos prioritários, que seguem abaixo da meta estabelecida pelo Governo Federal. Atualmente, o Paraná registra cobertura de apenas 41,61% entre crianças de seis meses a menores de seis anos, idosos e gestantes, público que soma cerca de 2,96 milhões de pessoas no Estado. A meta nacional é alcançar 90% de imunização.

Desde o início da campanha, em 28 de março, o Paraná recebeu aproximadamente 3,8 milhões de doses da vacina contra a influenza e aplicou 1.861.878 imunizantes, segundo dados do Vacinômetro Nacional do Ministério da Saúde.

A decisão da Sesa ocorre em um momento considerado estratégico, já que o Estado entra no período mais frio do ano. Com a aproximação do inverno, aumenta a circulação de vírus respiratórios e cresce o risco de casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

Além dos grupos prioritários tradicionais, a vacinação continua disponível para profissionais da saúde, professores, puérperas, povos indígenas, pessoas em situação de rua, integrantes das forças de segurança, militares, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, portuários, população privada de liberdade e pessoas com doenças crônicas ou deficiência permanente.

Segundo a Secretaria da Saúde, o quantitativo de vacinas enviado pelo Ministério da Saúde ainda não corresponde à totalidade do público-alvo estimado para o Paraná, que ultrapassa 4,8 milhões de pessoas. Por isso, o Estado solicitou ao Governo Federal o envio complementar das doses necessárias para ampliar a cobertura vacinal.

O secretário estadual da Saúde, César Neves, afirmou que a continuidade da campanha busca garantir proteção às populações mais vulneráveis e permitir futuras ampliações do público apto a receber a vacina.

“Aguardamos receber a totalidade das doses destinadas ao Paraná para que os municípios possam expandir suas ações de vacinação e para que possamos reavaliar a ampliação dos públicos que podem receber o imunizante”, destacou.

Além da manutenção das salas de vacinação, os municípios foram orientados a intensificar ações itinerantes em escolas e colégios. A estratégia prevê equipes volantes aplicando vacinas diretamente nas unidades de ensino, atendendo estudantes, profissionais da educação e a comunidade local, conforme a organização de cada município.

Apesar dos avanços registrados nas últimas semanas, os índices de cobertura ainda preocupam as autoridades sanitárias. Entre os grupos prioritários, as gestantes apresentam o melhor desempenho, com 53,01% de cobertura. Em seguida aparecem os idosos, com 44,74%. Já as crianças registram apenas 31,71% de vacinação.

Os dados também revelam grande desigualdade entre os municípios paranaenses. Nenhuma cidade alcançou a meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Apenas 21 municípios superaram a marca de 60% de cobertura vacinal.

Entre os melhores índices estão Iguatu (79,58%), Conselheiro Mairinck (74,90%), Anahy (74,66%), Guapirama (72,24%) e Uniflor (71,64%).

Por outro lado, alguns municípios apresentam índices extremamente baixos. Diamante do Norte possui apenas 3,94% de cobertura, seguido por Mauá da Serra (4,92%), Inácio Martins (6,38%), Alto Paraíso (8,43%) e Saudade do Iguaçu (20,20%).

Segundo César Neves, embora o Paraná registre atualmente redução no número de síndromes respiratórias em comparação ao mesmo período do ano passado, o histórico epidemiológico indica aumento dos casos durante o inverno.

“A vacina é a principal ferramenta para evitar complicações, internações e mortes causadas pela gripe. É fundamental que as pessoas dos grupos prioritários procurem uma unidade de saúde e se imunizem o quanto antes”, reforçou o secretário.

A orientação da Secretaria da Saúde é que a população procure os postos de vacinação dos municípios para verificar os horários de atendimento e garantir a proteção antes da chegada dos períodos de maior circulação dos vírus respiratórios.

Foto: Divulgação

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