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Paraná aciona Justiça para contestar concessão do Passeio do Macuco no Parque Nacional do Iguaçu Créditos: Marcos Labanca

Paraná aciona Justiça para contestar concessão do Passeio do Macuco no Parque Nacional do Iguaçu

Estado alega ser proprietário da área onde está parte da estrutura turística e pede alterações no edital antes do leilão previsto para agosto

Uma disputa envolvendo uma das áreas mais visitadas do Parque Nacional do Iguaçu ganhou um novo capítulo na Justiça. O Governo do Paraná ingressou com uma ação na Justiça Federal para pedir mudanças no edital de concessão do Passeio do Macuco, um dos principais atrativos turísticos das Cataratas do Iguaçu.

A ação foi protocolada contra a União e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O Estado sustenta que é proprietário da área conhecida como Saltos de Santa Maria, onde estão localizados o trecho brasileiro das Cataratas do Iguaçu, o Hotel das Cataratas e parte das estruturas utilizadas pelo Passeio do Macuco.

Segundo o governo estadual, o imóvel possui matrícula regular registrada em cartório de Foz do Iguaçu e não poderia ser incluído no processo de concessão sem a formalização de uma Concessão de Direito Real de Uso da área.

Na ação, o Paraná argumenta que a União e o ICMBio estariam desconsiderando tanto o registro imobiliário quanto uma decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), proferida em fevereiro deste ano, que reconheceu a validade da matrícula em nome do Estado.

Apesar da contestação, o governo afirma que não é contrário à concessão do Passeio do Macuco. O pedido é para que o edital seja ajustado antes da realização do leilão, garantindo segurança jurídica aos futuros investidores e ao contrato de concessão, estimado em mais de R$ 85 milhões.

A preocupação ocorre em meio à proximidade da licitação, prevista para agosto na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).

Outro ponto levantado pelo Estado é que o edital prevê a realização de obras e intervenções físicas na área, incluindo perfurações e demolições, sem que haja autorização formal do que considera ser o proprietário do terreno.

De acordo com a petição, a manutenção das regras atuais pode gerar insegurança jurídica e comprometer a transparência do processo licitatório.

Disputa sobre a propriedade

A controvérsia sobre a titularidade da área não é recente. O impasse teve início em 2018, quando a União ajuizou uma ação questionando a matrícula do imóvel e defendendo que a área seria uma terra devoluta federal.

O Governo do Paraná, por outro lado, sustenta que o terreno foi originalmente concedido pelo então Ministério da Guerra a um particular em 1910. Posteriormente, em 1919, a área teria sido adquirida pelo Estado, passando a integrar seu patrimônio com registro regular em cartório.

Agora, caberá à Justiça Federal analisar o pedido de tutela apresentado pelo Paraná e decidir se haverá necessidade de alterações no edital da concessão.

Enquanto isso, o processo segue avançando e mantém no centro do debate questões relacionadas à propriedade da área, à exploração turística do local e à segurança jurídica de futuros investimentos em um dos principais cartões-postais do Brasil.

Concessionária se manifesta

A Urbia, empresa responsável pela gestão da visitação turística no Parque Nacional do Iguaçu, informou que a discussão sobre a propriedade da área envolve exclusivamente o Governo Federal e o Governo do Paraná e que não participa da disputa judicial.

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