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Paraná abre mão de R$ 132 bilhões em impostos e levanta debate sobre uso político da máquina pública

Levantamento aponta renúncias fiscais bilionárias no Estado enquanto críticas apontam falta de transparência, impacto no orçamento e possível uso político dos recursos públicos

Por Gazeta do Paraná

Paraná abre mão de R$ 132 bilhões em impostos e levanta debate sobre uso político da máquina pública Créditos: Valter Campanato/Agência Brasil

O Paraná deixou de arrecadar cerca de R$ 132 bilhões em impostos nos últimos anos em razão de políticas de renúncia fiscal, segundo levantamento baseado em documentos oficiais do próprio governo estadual. Os dados foram revelados em apuração do O Diário de Maringá e reacendem o debate sobre os impactos econômicos, fiscais e políticos dessa estratégia.  

De acordo com os números, os valores correspondem ao período recente da atual gestão estadual e constam nos anexos das Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs), que detalham os benefícios tributários concedidos ano a ano.  

Na prática, isso significa que o Estado optou por reduzir a cobrança de tributos, principalmente por meio de incentivos ligados ao ICMS, principal fonte de arrecadação estadual. Em 2026, por exemplo, a renúncia anual já ultrapassa R$ 22 bilhões.  

 

Política econômica ou renúncia excessiva

A política de incentivos fiscais é defendida pelo governo como ferramenta de estímulo à economia. Estudos oficiais indicam que a redução da carga tributária pode gerar empregos, ampliar a renda e fortalecer setores produtivos, com potencial de criação de mais de 1 milhão de postos de trabalho até 2035.  

Por outro lado, a dimensão dos números tem gerado questionamentos sobre o custo-benefício dessas medidas. Especialistas e analistas apontam que a renúncia impacta diretamente o orçamento público e pode limitar investimentos em áreas essenciais.

A comparação com obras públicas ajuda a dimensionar o volume: o montante de R$ 132 bilhões seria suficiente para financiar centenas de grandes projetos de infraestrutura no Estado.  

 

Setores mais beneficiados

Os dados indicam que os incentivos fiscais não são distribuídos de forma uniforme. Entre os setores que mais ampliaram benefícios ao longo do período estão indústria química, construção civil, higiene pessoal, alimentos e setor automotivo.  

O ICMS concentra a maior parte das renúncias, representando mais de 90% do total. Isso evidencia que a principal estratégia do governo tem sido reduzir a carga sobre circulação de mercadorias e serviços.  

Debate político e críticas

A apuração do O Diário de Maringá também levanta um ponto mais sensível: o possível uso político dessa política fiscal. Segundo a reportagem, há críticas de que a concessão de benefícios, aliada a investimentos e ações de governo, pode influenciar o cenário eleitoral ao favorecer determinados grupos e consolidar alianças.  

O texto menciona ainda questionamentos sobre transparência na concessão desses incentivos e sobre a destinação dos recursos que deixam de ser arrecadados, especialmente em um contexto de demandas por investimentos em infraestrutura e serviços públicos.  

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp