Os destaques da Copa do Mundo de 1994, o Mundial do tetra do Brasil
A reportagem de hoje relembra situações da primeira Copa nos Estados Unidos
Por Luciano Neves
Créditos: Mike Powell
A série de reportagens especiais da Gazeta do Paraná continua na América do Norte, continente que receberá o Mundial de 2026. E está chegando! O jogo de abertura será no próximo dia 11 de junho. Ou seja, daqui a pouco mais de um mês a bola irá rolar nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Já relembramos as edições de 1970 e 1986, ambas realizadas no México. E nesta edição vamos relembrar alguns detalhes curiosos da Copa do Mundo de 1994. Ou seja, o Mundial do tetracampeonato do Brasil.
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O título teve brilho da dupla de ataque formada por Bebeto e Romário. Na defesa, destaque para Taffarel, que teve uma contribuição importante na final. A Seleção que teve Dunga, que voltou a levantar a taça para o Brasil e acabou com o jejum de 24 anos na Copa. Antes disso, o Brasil havia sido campeão em 1970, no México, com o capitão Carlos Alberto Torres levantando o troféu do tri. No banco, o Brasil contou com o trabalho de Carlos Alberto Parreira, que teve como seu escudeiro, nada mais nada menos, que Mário Jorge Lobo Zagallo, que foi o coordenador técnico do tetra. Aliás, Zagallo continua como o único tetracampeão mundial, também assunto para uma reportagem especial da Gazeta. Mas antes de citarmos a campanha brasileira, vamos recordar uma série de curiosidades sobre o Mundial de 1994.
Presenças e ausências
O Mundial de 1994 foi de transformação. Afinal de contas, foi o último com 24 seleções. Na edição seguinte, em 1998, a Fifa promoveu o aumento no número de participantes para 32, da mesma forma que acontecerá na Copa de 2026, que também teve o aumento de 32 para 48 seleções. Neste ano, a Itália não irá para os Estados Unidos, para o México e para o Canadá. Aliás, será a única entre as oito campeãs mundiais ausente na Copa. Mas Itália estava nos Estados Unidos 32 anos atrás fazendo uma final contra a Seleção Brasileira. Para nossa sorte, Roberto Baggio, o grande nome daquela Azzurra, desperdiçou o pênalti mais importante de sua carreira, o que resultou no tetracampeonato.
Mas a Copa de 1994 também teve ausências importantes. Duas campeãs mundiais ficaram de fora: Inglaterra e Uruguai. A Inglaterra fez uma campanha pífia nas Eliminatórias Europeias. Ficou atrás de Holanda e Noruega na chave. A Holanda até foi adversária do Brasil nas quartas de final. E a Noruega fez parte do equilibrado Grupo E, que também tinha a Itália. Nesta chave, todos os times tiveram as mesmas campanhas e terminaram com quatro pontos e saldo zero. O México foi o líder do grupo, com a Irlanda em segundo e a Itália avançando para as oitavas como uma das melhores terceiras colocadas. A derrota da Noruega justamente para a Itália foi o resultado que eliminou os noruegueses. Agora, para 2026, eles deram o troco e ajudaram a eliminar a Itália, já que terminaram na frente no grupo e empurraram a Azzurra para a terceira repescagem seguida.
A outra ausência de impacto foi o bicampeão Uruguai. Nas Eliminatórias Sul-Americanas, a Celeste ficou atrás de Brasil e Bolívia, ambas classificadas para Copa. A eliminação do Uruguai ocorreu na última rodada, quando perdeu para o Brasil por 2 a 0, com dois gols de Romário.
Decepções
Antes da Copa do Mundo de 1994, Alemanha e Argentina dominavam o cenário do futebol mundial. As duas seleções haviam feito as duas decisões anteriores, uma em 1986, no México, com o bicampeonato da Argentina, e outra em 1990, na Itália, com o tricampeonato da Alemanha. Aliás, os germânicos haviam feito três finais seguidas, já que perderam o título para a Itália em 1982.
Mas as duas forças decepcionaram nos Estados Unidos. A Argentina já vinha em declínio antes da Copa e só conseguiu a vaga depois de passar pela Austrália na repescagem. A estreia até foi boa: goelada de 4 a 0 sobre a Grécia. No segundo jogo, a Argentina até venceu a Nigéria por 2 a 1. Mas após o jogo, o astro Diego Maradona foi flagrado no antidoping pelo uso de cinco substâncias proibidas. O camisa 10 foi excluído do restante da Copa. Na terceira rodada, a Argentina tomou um 2 a 0 da Bulgária e caiu para o terceiro lugar no Grupo D. A pá de cal ocorreu nas oitavas: derrota por 3 a 2 para a Romênia e volta para casa.
A Alemanha até fez uma boa primeira fase e teve a segunda melhor campanha, ficando atrás apenas do Brasil. Foi a líder do tranquilo Grupo C, que tinha ainda a Espanha e as modestas Coreia do Sul e Bolívia. Nas oitavas, os germânicos passaram sufoco contra a Bélgica: vitória por 3 a 2. Mas a Alemanha foi eliminada pela surpreendente Bulgária por 2 a 1 nas quartas de final. Para uma equipe que havia feito três finais seguidas, perder nas quartas foi anormal. Ainda mais para um time com pouca em Copas.
A Colômbia pode ser incluída nessa lista das decepções. Isso porque teve uma ótima campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas e ficou na frente da Argentina. Os colombianos se colocaram na condição de favoritos ao título. E até entrou num grupo tranquilo, com a seleção anfitriã dos Estados Unidos, Suíça e Romênia. Na estreia, a Colômbia decepcionou e tomou um 3 a 1 da Romênia. Essa mesma Romênia foi goleada pela Suíça por 4 a 1 na segunda rodada. A Colômbia se complicou com a derrota para os Estados Unidos na segunda rodada. O zagueiro Escobar contribuiu com o resultado e marcou um gol contra. Na terceira rodada, a Colômbia só cumpriu tabela e venceu a Romênia por 2 a 0. Foi o jogo de despedida do torneio e, na volta para casa, Escobar foi assassinado no dia 02 de julho de 1994, num bar, supostamente por torcedores descontentes.
Azul da sorte
A Suécia é a seleção que mais cruzou o caminho do Brasil em Copas. As duas equipes compartilham as mesmas cores em seus uniformes. Tanto é que a Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título mundial em 1958 atuando de azul, pois enfrentou justamente a Suécia na decisão, anfitriã naquela Copa.
Na primeira fase, as duas seleções se enfrentaram na terceira rodada e empataram em 1 a 1. A Suécia atuou com sua tradicional camisa amarela e calções azuis. Com isso, o Brasil teve que atuar com o seu uniforme de número 2, camisas azuis e calções brancos. O jogo terminou empatado em 1 a 1.
A Seleção voltou a jogar com a camisa azul nas quartas de final contra a Holanda e venceu por 3 a 2, cruzando novamente com a Suécia. Na semifinal, por determinação da Fifa, que alegou conflito de cores, ambas as equipes jogaram com seus uniformes de número 2. A Suécia toda de branco e o Brasil todo de azul, camisas, calções e meias, diferente dos dois jogos anteriores em que atuou com o segundo uniforme. Mas deu sorte: a Seleção venceu por 1 a 0, gol de cabeça de Romário, e avançou para a grande final. O tetra veio com a tradicional camisa amarelinha. Mas o azul trouxe sorte novamente, já que esta foi a cor predominante da Itália, vice-campeã.

