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Novo bloco nasce sob tensão que escancara guerra por comando da oposição na Alep

MDB, Podemos e Republicanos anunciam novo bloco enquanto Bloco PL/Novo reivindica 14 deputados, contesta acordo de líderes e pressiona por controle da tribuna

Por Gazeta do Paraná

Novo bloco nasce sob tensão que escancara guerra por comando da oposição na Alep Créditos: Orlando Kissner

A sessão desta terça-feira na Assembleia Legislativa do Paraná deixou de ser apenas mais um capítulo da reorganização política para se transformar em um retrato explícito de disputa por poder dentro da própria oposição. A criação de um novo bloco parlamentar — reunindo MDB, Podemos e Republicanos — não foi o único elemento a redesenhar o tabuleiro. Paralelo ao anúncio a sessão foi marcada por uma guerra aberta por protagonismo, fala e controle da narrativa dentro do plenário, diante de um levante promovido pelo PL.

O novo bloco foi formalizado pelo deputado Anibelli Neto, que anunciou em tom direto: “o MDB, junto com o Podemos e os Republicanos, está construindo um novo bloco nessa casa”.

A declaração, aparentemente protocolar, ganhou peso imediato no desenrolar da sessão. Isso porque ela não veio sozinha. Veio acompanhada de um ambiente já contaminado por insatisfação na base governista, críticas à condução política do governo e, principalmente, uma disputa crescente sobre quem, de fato, representa a oposição dentro da Assembleia.

Esse pano de fundo aparece de forma cristalina na fala do deputado Arilson Chiorato, que resumiu o momento político com uma definição rara de se ouvir em plenário: “o Paraná vem atravessando um cenário muito nebuloso com o desenho político e arranjo político no Estado”.

Não se tratava de retórica. Era diagnóstico. E, na sequência, ele foi ainda mais direto ao descrever o que está acontecendo dentro da própria base do governo: “a base antes governista começa a se dissipar, tem dissidências para todo lado”.

A fala não ficou isolada. Ela encontrou eco minutos depois, já em outro tom, quando o debate saiu do campo político e entrou no terreno mais sensível da disputa por espaço institucional, durante falas relacionadas ao senador Sérgio Moro.

Foi nesse momento que o deputado Delegado Jacovós (PL) transformou a reorganização de blocos em confronto direto. Ao questionar o acordo de líderes sobre a ordem das falas, ele deixou claro que o novo arranjo não aceita mais a posição secundária que vinha ocupando. “Nós temos aqui maioria num bloco hoje com 14 parlamentares”, afirmou.

A frase não foi casual. Foi um recado. Ao colocar números na mesa, Jacovós buscou legitimar politicamente seu grupo e, mais do que isso, justificar uma mudança prática no funcionamento do plenário. A exigência veio na sequência, sem rodeios: “Então nós vamos exigir que nós ficamos por último para falar”.

O que estava em jogo ali não era apenas protocolo. Falar por último, na dinâmica da Assembleia, significa encerrar o debate, fixar a narrativa e responder sem possibilidade de réplica imediata. É poder político em estado puro.

Jacovós reforçou a pressão ao comparar forças: “Nós podemos inclusive superar, ele só tem 8 deputados e hoje nós temos 14 deputados”. Afirmou, são comparar o número de deputados do seu bloco (PL e Novo) com o de deputados da oposição.

A conta, mais do que matemática, é simbólica. Ela aponta para uma tentativa clara de reposicionar o novo bloco como centro da oposição, deslocando outros grupos e, principalmente, questionando quem tem legitimidade para falar em nome desse campo.

A tensão aumentou quando o deputado classificou a situação como desigual: “Se continuar esse golpe baixo… nós vamos exigir”. A expressão “golpe baixo” não passou despercebida. Ela revela que, para o grupo, o acordo de líderes deixou de ser consenso e passou a ser visto como instrumento de contenção política.

Do outro lado, a reação veio em tom de contenção institucional. O presidente Alexandre Curi tentou segurar o avanço da crise ao reafirmar que a Casa seguiria o acordo vigente. “Há um acordo de líderes e essa presidência vai respeitar o acordo”, disse.

Mas a resposta não pacificou. Pelo contrário, evidenciou o tamanho do problema: o acordo existe, mas já não representa todos.

A confusão ficou evidente no plenário. O deputado Alexandre Amaro sintetizou o impasse ao questionar: “eu estou querendo entender, presidente, se o PL vai ser a oposição da oposição ou a oposição da situação. Ou se nós vamos ter três líderes agora, não entendi”. A fala, carregada de ironia, expõe o nível de desorganização e disputa interna entre os próprios parlamentares que se colocam como contraponto ao governo.

A frase resume o momento. A Assembleia deixou de ter uma divisão clara entre governo e oposição. Agora, o que se vê é uma fragmentação interna, com grupos disputando identidade, espaço e liderança.

Esse cenário se conecta diretamente com outro movimento revelado na sessão: a tentativa de consolidar maioria dentro da própria oposição. Ao afirmar que o bloco PL/Novo tem 14 parlamentares, Jacovós não apenas reivindica força numérica. Ele antecipa uma estratégia: usar essa maioria para redefinir regras, pressionar acordos e influenciar o ritmo das votações.

E isso não é detalhe. Em um ambiente legislativo, quem controla o tempo de fala, o encerramento de debates e a ordem das manifestações controla, em grande medida, o jogo político.

A sessão também deixou evidente que a crise não é apenas entre blocos, mas dentro da própria base governista. O desconforto com decisões recentes do governo, especialmente no campo político, aparece diluído em várias falas — algumas mais diretas, outras mais cuidadosas.

O resultado é um plenário em transformação. A criação do novo bloco não resolve a disputa. Ela, na verdade, institucionaliza o conflito.

Ao final, o que se viu foi uma Assembleia em que os acordos começam a ser questionados em público, as maiorias são reivindicadas no microfone e a oposição deixa de ser um bloco homogêneo para se tornar um campo em disputa permanente.

Se antes a pergunta era quem enfrenta o governo, agora a dúvida é outra e talvez mais incômoda: quem manda na oposição?

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp