Nova concessão do transporte de Curitiba prevê R$ 3,9 bilhões em investimentos e 250 ônibus elétricos
Edital foi publicado nesta quarta-feira e prevê cinco lotes, integração temporal, novas linhas, ar-condicionado e contratos de 15 anos
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Assessoria
A Prefeitura de Curitiba publicou nesta quarta-feira (19) o edital da nova concessão do transporte coletivo da capital. O projeto prevê investimentos estimados em R$ 3,9 bilhões ao longo de 15 anos e promete reformular a operação do sistema, com ampliação da frota elétrica, novas linhas, integração temporal entre os ônibus e mecanismos de controle da qualidade do serviço.
As propostas das empresas interessadas deverão ser entregues em 17 de novembro, entre 10h e 12h, na sede da B3, em São Paulo. O leilão está marcado para 26 de novembro, às 10h. A publicação ocorreu após autorização da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).
Elaborada pela Prefeitura em parceria com o BNDES, Urbs e Ippuc, a nova concessão cria o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM), que substituirá os atuais contratos e dará continuidade à Rede Integrada de Transporte (RIT). Serão cinco lotes: dois estruturais, responsáveis pelos expressos, Linha Direta e Ligeirões, e três regionais, voltados principalmente às linhas que atendem os bairros.
Os lotes estruturais serão divididos entre BRT1, com 20 linhas e atendimento predominante na região Sul, e BRT2, com 17 linhas concentradas nas regiões Norte e Oeste. Já os lotes Norte, Sul e Oeste terão, respectivamente, 100, 92 e 84 linhas.
Uma das principais mudanças será a chamada integração temporal irrestrita. Com um cartão-transporte da Urbs, o passageiro poderá trocar de ônibus em qualquer ponto de embarque dentro de um período estabelecido, sem precisar passar por um terminal ou estação-tubo e sem pagar uma nova tarifa.
O edital também prevê quatro novas linhas conectoras: Terminal Tatuquara–Terminal Carmo, Terminal Pinheirinho–Terminal Centenário, Terminal Portão–Terminal Capão da Imbuia e Terminal Santa Felicidade–Terminal Bairro Alto. A Circular Centro também deverá voltar à operação, utilizando ônibus elétricos.
A eletrificação é outro dos principais pontos do projeto. A previsão é incorporar 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031, sendo 90 já no início da nova concessão. A frota terá 141 biarticulados, 98 articulados, sete Padrón e quatro ônibus convencionais elétricos. Segundo a Prefeitura, cerca de um terço dos lugares ofertados pelo sistema deverá ser atendido por veículos elétricos.
O contrato prevê ainda a compra de 151 ônibus a diesel com tecnologia Euro 6 e a instalação de eletropostos no Capão Raso e no Capão da Imbuia. Todos os novos elétricos terão ar-condicionado, enquanto a climatização será gradualmente ampliada nos demais veículos. A meta é chegar a metade da frota climatizada em 2031 e à totalidade em até 12 anos.
Do total de R$ 3,9 bilhões previstos em investimentos, 96,75% serão destinados à frota e 3,25% à infraestrutura de recarga elétrica e novas estações-tubo. Nos cinco primeiros anos, os investimentos devem alcançar aproximadamente R$ 2,44 bilhões. O município também prevê uma subvenção estimada em R$ 893,6 milhões, principalmente para a aquisição dos ônibus elétricos e implantação dos eletropostos.
A nova modelagem altera ainda a forma de remuneração das empresas. A arrecadação das tarifas será separada do pagamento às concessionárias, que receberão conforme componentes como quilometragem, horas operadas, quantidade de veículos, infraestrutura, investimentos e desempenho. O objetivo é permitir maior previsibilidade aos contratos e dar ao município mais liberdade para definir sua política tarifária.
O edital estabelece dez indicadores de qualidade, incluindo pontualidade, cumprimento das viagens, estado dos veículos, satisfação dos passageiros, reclamações e confiabilidade da frota. Esses critérios formarão o Índice de Desempenho Global (IDG). Uma avaliação considerada insuficiente poderá reduzir em até 3% a remuneração mensal da concessionária.
O modelo também abre espaço para um projeto-piloto de transporte por demanda, com nove micro ou midi-ônibus e possibilidade de agendamento por aplicativo. A concessão ainda considera a implantação futura do VLT Expresso Metropolitano, ligando o Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, ao Centro Cívico de Curitiba a partir de 2031.
Atualmente, o sistema transporta cerca de 580 mil passageiros por dia útil, possui 302 linhas, 22 terminais, 89 quilômetros de vias exclusivas e uma frota operacional de 1.207 ônibus. A nova concessão, portanto, representa uma mudança ampla na estrutura e no modelo de funcionamento do transporte coletivo da capital.
