Desembargadora se declara suspeita para julgar processos ligados a Sérgio Moro no TRE-PR
Gisele Lemke já havia se declarado suspeita em processos da Lava Jato no TRF-4; magistrada também julgou ações envolvendo Deltan Dallagnol
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Assessoria
A desembargadora federal Gisele Lemke, que atua como juíza do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), declarou-se suspeita para julgar processos relacionados à candidatura do senador Sérgio Moro (PL-PR) ao Governo do Paraná. A informação foi divulgada pelo colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
Segundo a publicação, a decisão foi formalizada na última quinta-feira (13). Esta é a segunda vez que a magistrada reconhece suspeição em casos relacionados ao ex-juiz da Lava Jato. Em 2023, quando atuava no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Lemke também se declarou suspeita para analisar processos de improbidade administrativa derivados da operação.
Na ocasião, a desembargadora inicialmente chegou a despachar e participar do julgamento de processos relacionados à Lava Jato. Posteriormente, ao reavaliar sua situação, entendeu que a proximidade com magistrados que haviam atuado na operação poderia comprometer a necessária imparcialidade para analisar os casos.
A decisão de 2023 ocorreu depois que outros dois integrantes da 12ª Turma do TRF-4, os desembargadores João Pedro Gebran Neto e Luiz Antonio Bonat, também haviam declarado suspeição em processos relacionados ao caso.
Dallagnol
Neste ano, Lemke também esteve envolvida em decisões eleitorais relacionadas ao ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo), que disputa uma vaga ao Senado pelo Paraná.
Em abril, a magistrada julgou procedentes pelo menos dez ações apresentadas pelo Novo contra publicações que afirmavam que Dallagnol estaria inelegível para as eleições de 2026. As decisões determinaram medidas contra conteúdos que faziam referência à situação eleitoral do ex-procurador.
Posteriormente, porém, as decisões foram questionadas no Supremo Tribunal Federal (STF). Em maio, o ministro Flávio Dino suspendeu uma das determinações de Lemke e derrubou medidas que haviam ordenado a retirada de reportagens e publicações sobre uma possível inelegibilidade de Dallagnol.
A nova declaração de suspeição retira Lemke de eventuais julgamentos no TRE-PR que tenham relação direta com a candidatura de Sérgio Moro ao Palácio Iguaçu.
