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Nomeação de Felipe Flessak à Indústria amplia influência do grupo de Guto dentro do governo Ratinho

Felipe Augusto Amadori Flessak, que acompanhou Guto Silva desde o gabinete parlamentar até o centro do Executivo estadual, assume a Secretaria da Indústria com chancela pública do ex-chefe e amplia o alcance do núcleo político formado ao seu redor dentro do governo Ratinho Junior

Por Gazeta do Paraná

Nomeação de Felipe Flessak à Indústria amplia influência do grupo de Guto dentro do governo Ratinho Créditos: Reprodução redes sociais

A nomeação de Felipe Augusto Amadori Flessak para a Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços não representa apenas uma mudança administrativa. Ela consolida a expansão de um núcleo político que se formou ao redor de Guto Silva e que, ao longo da última década, migrou do gabinete parlamentar para o centro do Executivo estadual.

Felipe tem formação em Direito e Administração Pública e construiu sua trajetória profissional combinando atuação técnica e cargos estratégicos dentro do Estado. Hoje na casa dos 30 e poucos anos, ele não é um nome recém-chegado à máquina pública. Sua inserção institucional começou ainda na Assembleia Legislativa e se aprofundou com o passar dos anos.

A relação formal com Guto Silva inicia em 2015, quando Guto assume mandato como deputado estadual. Felipe passa a atuar como assessor jurídico no gabinete parlamentar, participando da elaboração de pareceres, acompanhamento legislativo e articulação técnica em comissões estratégicas como a Comissão de Constituição e Justiça. Antes disso, havia atuado na iniciativa privada, inclusive no escritório Amadori Advogados Associados.

Em 2018, aos 31 anos, Felipe passa a integrar o Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná, órgão responsável pelo julgamento de contenciosos tributários administrativos. A função amplia seu raio de atuação técnica e o insere em instância decisória com impacto econômico relevante.

Em janeiro de 2019, quando Guto Silva assume a Casa Civil no início do governo Ratinho Junior, Felipe ingressa no Executivo estadual exatamente na Casa Civil, conforme registros do Portal da Transparência. Posteriormente ocupa função de direção de alto escalão classificada como DG-1, permanecendo na estrutura até 2022. A cronologia evidencia que sua entrada no Executivo coincide com a consolidação de Guto no centro do governo.

Em 2023, quando Guto assume a Secretaria do Planejamento, pasta responsável pela coordenação orçamentária do Estado, Felipe ocupa cargo de direção na mesma estrutura. Em 2025, já na Secretaria das Cidades, integra a pasta e assume interinamente após a saída do titular.

Agora, ao assumir a Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços, Felipe deixa de ocupar apenas funções internas de engrenagem administrativa e passa a comandar uma pasta estratégica da política econômica estadual. A secretaria articula desenvolvimento industrial, relacionamento com federações empresariais, programas de incentivo e interlocução com a Invest Paraná.

Paralelamente à trajetória institucional, existem vínculos societários que conectam o mesmo núcleo político. Felipe é sócio da empresa Kenerg Investimentos Ltda., em Santa Catarina, ao lado de Mariah Silva Galiazzi, irmã de Guto Silva. Desde 2021, Mariah é sócia do próprio Guto em empresa de promoção de vendas registrada em Curitiba, cuja sede funciona em imóvel residencial de propriedade de Guto, conforme matrícula localizada pela reportagem.

Não há, até o momento, apontamento formal de irregularidade nessas sociedades. O que os documentos revelam é a sobreposição entre relações políticas e empresariais dentro do mesmo círculo.

O nome completo do secretário é Felipe Augusto Amadori Flessak. O sobrenome Amadori também integra o nome de sua mãe, Marinês Amadori Flessak. O mesmo sobrenome identifica a família de Karina Amadori, esposa de Guto Silva. Tanto os Flessak quanto os Amadori possuem vínculos com Pato Branco, cidade que marca a origem política de Guto. Não há comprovação pública de parentesco direto entre as famílias, mas a convergência nominal e regional integra o mesmo contexto relacional.

E se restava dúvida sobre a natureza dessa trajetória conjunta, o próprio Guto Silva tratou de eliminá-la. Em publicação nas redes sociais, afirmou que Felipe “caminhou ao meu lado todos esses anos, com lealdade, inteligência e dedicação”, destacando que esteve presente “nos dias bons e, principalmente, nos difíceis”. Ao concluir que “a cadeira muda, o compromisso com o Paraná não”, Guto não apenas parabenizou o novo secretário. Ele reconheceu publicamente a construção compartilhada dessa trajetória.

 

Entra Felipe, sai Bekin

Justamente em meio ao anúncio de que Felipe assumiria o cargo, tornou-se pública a saída de José Eduardo Bekin da Invest Paraná (autarquia vinculada a secretaria de Indústria, Comércio e Serviços).

Bekin comanda a agência desde 2019, quando foi indicado para presidir o órgão responsável por atrair investimentos, negociar incentivos fiscais e articular a política industrial do Estado.

Durante sua gestão, a Invest Paraná participou de anúncios de bilhões em compromissos de investimento e missões empresariais estratégicas. O governo sempre sustentou que Bekin tinha perfil de articulador, trânsito no setor produtivo e capacidade de interlocução com empresários nacionais e internacionais.

Mas a permanência dele no cargo nunca foi pacífica. Reportagens amplamente divulgadas e discursos na Assembleia Legislativa trouxeram à tona condenações antigas por crimes como falsidade ideológica, formação de quadrilha e sonegação fiscal, além da existência de dívidas tributárias milionárias com o próprio Estado. O tema chegou ao ponto de embasar pedido de impeachment contra o governador Ratinho Junior apresentado por parlamentares de oposição, sob argumento de que a manutenção de Bekin na presidência da agência comprometia a credibilidade institucional do governo.

O Palácio Iguaçu sempre respondeu afirmando que os fatos eram pretéritos, já superados judicialmente ou discutidos nos tribunais, e que não havia impedimento legal para que Bekin exercesse o cargo. Ainda assim, o desgaste político permaneceu.

Além dessas controvérsias judiciais antigas, o nome de Bekin também passou a circular em reportagens relacionadas ao chamado “Frangogate”, série de matérias que levantaram suspeitas sobre obras financiadas com recursos públicos em áreas vinculadas a integrantes da cúpula do governo estadual. O caso ampliou o debate sobre possíveis conflitos de interesse, favorecimentos e relações entre decisões administrativas e interesses privados, aprofundando o ambiente de questionamento político em torno de figuras centrais da gestão.

Fontes do Palácio do Iguaçu revelam que Bekin não pertence ao mesmo grupo de Guto, que - após uma tensa reunião - ficou com "o lote" da pasta, resultando na nomeação de Felipe.

O que chama atenção é o movimento seguinte. Se de um lado a movimentação resulta na saída de um nome marcado por controvérsias judiciais antigas, o governo desloca para a área econômica um quadro diretamente ligado a Guto Silva, que também não atravessa um momento tranquilo. Guto tem sido alvo recente de denúncias envolvendo suspeitas de irregularidades em contratos públicos, questionamentos sobre programas estaduais, acusação de rachadinha na Sanepar e de recebimento de propina em um contrato da Segurança. São denúncias divulgadas pela imprensa e debatidas politicamente, ainda sem condenações definitivas, mas que compõem o ambiente de desgaste.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp