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“Não vão me calar”: Tenente Hélio acusa cúpula da PM de perseguição e diz que processo de exclusão é ‘politicagem’

Ex-policial afirma que já deixou a corporação, mas foi convocado para um Conselho de Justificação. Em vídeo, ele chama comandante-geral e ex-secretário de Segurança de ‘covardes’ e diz que o Estado prefere perseguir quem cobra valorização salarial dos praças

Por Gazeta do Paraná

“Não vão me calar”: Tenente Hélio acusa cúpula da PM de perseguição e diz que processo de exclusão é ‘politicagem’ Créditos: Reprodução

O ex-policial militar e influenciador político Tenente Hélio abriu uma nova frente de confronto com a cúpula da Segurança Pública do Paraná. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele acusou o comandante-geral da Polícia Militar, Jefferson Silva, e o ex-secretário de Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira, de promoverem uma perseguição política contra ele por defender a valorização salarial de policiais e bombeiros militares.  

Logo no início da gravação, Hélio não poupa críticas e classifica os dois oficiais como “covardes”, afirmando que sua vontade era fazer algo mais contundente, mas que evitava para que o vídeo não fosse derrubado pelas plataformas.  

A principal denúncia feita pelo ex-oficial é que um Conselho de Justificação foi instaurado para discutir sua exclusão da corporação mesmo após ele ter pedido baixa da Polícia Militar em março deste ano.

“Hoje eu estou na reserva não remunerada, não tenho mais direitos e não tenho mais obrigações militares”, afirma no vídeo.  

Segundo ele, o procedimento não está relacionado a qualquer acusação de corrupção, desvio de conduta ou prática criminosa.

“Minha exclusão não é por ter desonrado a farda. É pura e exclusivamente por lutar pela valorização salarial do nosso militar estadual”, declarou.  

 

Críticas à política salarial

O vídeo reacende um debate antigo dentro das forças de segurança do Paraná: a insatisfação de parte dos praças com as diferenças salariais em relação aos oficiais.

Hélio afirma que, enquanto os oficiais recebem aumentos expressivos, os policiais da base da corporação acumulam reajustes considerados irrisórios.

“Cada aumento, o oficial ganha R$ 1,5 mil e o praça ganha R$ 100”, disse, reproduzindo inclusive um trecho de entrevista anterior exibido no próprio vídeo.  

Ele também critica o fato de promoções na carreira representarem ganhos financeiros considerados pequenos, citando o caso da passagem de soldado para cabo.

“A primeira graduação de soldado para cabo, que deveria ser motivo de orgulho, hoje representa um aumento de R$ 200 ou R$ 300”, afirmou.  

 

“Se tivessem o mesmo empenho…”

Em um dos trechos mais duros do vídeo, o ex-policial afirma que gostaria que os coronéis tivessem demonstrado o mesmo empenho para defender a categoria que, segundo ele, agora empregam para retirá-lo da corporação.

“Se esses esforços tivessem sido feitos em benefício da polícia e da população, nós teríamos uma segurança pública muito melhor”, disse.  

Na sequência, ele relaciona a situação salarial e as condições de trabalho ao adoecimento mental de agentes de segurança.

“Nós não teríamos tantos policiais se matando com suicídio e tantos bombeiros e policiais trabalhando mais de 240 horas mensais”, afirmou.  

 

Acusação de desvio de prioridades

Outro ponto que chamou a atenção foi a crítica ao uso de oficiais superiores no procedimento administrativo.

Segundo Hélio, dois majores e um capitão foram designados para compor o Conselho de Justificação, entre eles o subcomandante do 4º Batalhão da Polícia Militar de Maringá.

Para ele, a mobilização desses oficiais em seu processo evidencia uma inversão de prioridades.

“Quando você tiver uma ocorrência e ela não for atendida, lembre-se de que dois majores e um capitão estão perdendo tempo com politicagem”, afirmou.  

Possível impacto político

Em outro trecho do vídeo, o ex-policial afirma que o procedimento administrativo pode até torná-lo inelegível, mas garante que continuará atuando politicamente e defendendo pautas ligadas às forças de segurança.

“Não vão me calar com esse procedimento. A força que nós construímos nas redes sociais vai continuar”, declarou.  

As declarações têm potencial para ampliar o desgaste entre parte da base da Polícia Militar e a cúpula da segurança pública estadual, especialmente em um momento em que temas como remuneração, saúde mental dos agentes e condições de trabalho voltam a ganhar espaço no debate político.

 

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp