Miss Universe Brasil recebe R$ 1,7 milhão do Viaje Paraná e contrato é questionado por órgãos de controle
Contratação por inexigibilidade para a chamada Cota Platinum é alvo de questionamentos no TCE-PR, Ministério Público e Justiça; representação pede esclarecimentos sobre interesse público, economicidade, critérios e contrapartidas
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O Viaje Paraná destinou R$ 1,7 milhão ao Miss Universe Brasil 2026 por meio da chamada Cota Platinum, contratada por inexigibilidade. A aplicação dos recursos públicos passou a ser questionada em procedimentos que tramitam no Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), no Ministério Público do Paraná (MPPR) e na Justiça estadual.
A contratação foi formalizada pela Inexigibilidade nº 04/2026. Entre os pontos levantados pelos questionamentos estão a finalidade pública da despesa, a economicidade, os critérios utilizados para a escolha do evento, as contrapartidas oferecidas e a comprovação da execução do contrato.
No Ministério Público, uma Notícia de Fato com pedido de providências urgentes solicita informações sobre contratações diretas da Secretaria de Estado do Turismo (SETU) e patrocínios realizados pelo Viaje Paraná. Especificamente sobre o concurso de beleza, o pedido requer o processo referente à contratação de R$ 1,7 milhão, além das justificativas de interesse público, contrapartidas e documentos que comprovem a execução. O procedimento foi registrado sob o número 0046.26.198025-7 e consta como “Em atendimento”.
No TCE-PR, a denúncia foi autuada sob o número 499290/26. O processo questiona contratações diretas da SETU para locação de estandes e repasses destinados ao Viaje Paraná, incluindo a Cota Platinum do Miss Universe Brasil. A representação pede a análise da legalidade, economicidade, transparência e dos critérios utilizados nas contratações.
A documentação também aponta que o Viaje Paraná recebeu autorização para movimentar aproximadamente R$ 62,2 milhões entre 2024 e 2026, por meio do Contrato de Gestão nº 001/2023 e de sete termos aditivos. Os valores autorizados seriam de aproximadamente R$ 4,17 milhões em 2024, R$ 45 milhões em 2025 e R$ 13 milhões em 2026.
Os documentos, entretanto, ressaltam que os valores autorizados não correspondem necessariamente ao montante efetivamente pago. Por isso, entre os pedidos apresentados aos órgãos de controle está a identificação dos valores empenhados, liquidados e pagos.
Além do Miss Universe Brasil, a documentação cita outros patrocínios, como R$ 500 mil para o Festival de Curitiba, R$ 500 mil para o IRONMAN 70.3, R$ 150 mil para o Festival da Primavera e R$ 150 mil para a Associação Lets Go Cup Rodeo. Também aparecem eventos religiosos entre os beneficiários, com valores menores.
Os questionamentos ainda abrangem 364 contratações diretas realizadas pela SETU, que somariam R$ 56,2 milhões. Segundo a documentação, 351 desses contratos, equivalentes a 96,4% do total, teriam valores múltiplos exatos de R$ 5 mil.
Somadas as contratações diretas da SETU e as autorizações de recursos ao Viaje Paraná, os valores mencionados chegam a aproximadamente R$ 118,4 milhões. O montante, contudo, reúne naturezas contábeis diferentes e não significa que todo esse valor tenha sido efetivamente pago.
O caso também chegou à Justiça por meio da Ação Popular nº 0002972-59.2026.8.16.0179, protocolada em 14 de agosto. A ação questiona as estruturas utilizadas para aplicação dos recursos e pede, entre outras medidas, a preservação dos documentos, a divulgação consolidada das avenças e dos critérios adotados, além da apresentação dos processos de seleção e das respectivas prestações de contas.
A ação também solicita a anulação de contratos que eventualmente venham a ser considerados sem causa ou sem execução efetiva e eventual ressarcimento. Esses pedidos, no entanto, ainda dependem de análise judicial.
Outro episódio citado na documentação envolve um áudio atribuído a uma conversa sobre um suposto pagamento de R$ 1 milhão para favorecer uma candidata na classificação do concurso. O conteúdo menciona Rodrigo Ferro, apontado como irmão de Patrick Ferro.
Carlos Massa, o Ratinho, pai do governador Ratinho Junior, também é citado por ter mantido relações empresariais com nomes ligados ao concurso, entre eles Patrick e Rodrigo Ferro, em empreendimentos relacionados ao Tayayá Porto Rico.
O conteúdo do áudio, porém, não comprova que o suposto pagamento tenha ocorrido nem demonstra, por si só, eventual manipulação do resultado do concurso. As informações permanecem no campo das suspeitas enquanto não houver comprovação ou esclarecimentos conclusivos.
Até o momento, os procedimentos mencionados tratam de questionamentos e pedidos de apuração. A existência das representações não significa que os órgãos de controle ou a Justiça tenham concluído pela ocorrência de irregularidades na contratação de R$ 1,7 milhão.
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