“Minha Casa, Minha Vida” impulsiona recorde de lançamentos e vendas em 2025
Ao longo do ano, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, crescimento de 10,6% em relação a 2024
Por Bruno Rodrigo
Créditos: Tomaz Silva/Agência Brasil
O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com resultados históricos, mesmo em um cenário de juros elevados. Ao longo do ano, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, crescimento de 10,6% em relação a 2024. As vendas também avançaram e somaram 426.260 imóveis, alta de 5,4% no período.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (23) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e revelam que o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) teve papel central no desempenho do setor. No quarto trimestre, o programa respondeu por 52% dos lançamentos e 49% das vendas, consolidando-se como o principal motor da atividade imobiliária.
Em termos financeiros, o setor registrou Valor Geral de Lançamentos (VGL) de R$ 292,3 bilhões, indicador que soma o valor potencial dos imóveis lançados, e Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 264,2 bilhões, que mede o volume efetivamente comercializado.
Segundo Celso Petrucci, conselheiro da CBIC e diretor de Economia do Secovi-SP, mesmo com a taxa básica de juros em 15% ao ano, o mercado manteve ritmo consistente. “As vendas também atingiram recordes, com a curva apontando para cima, o que mostra a resiliência do mercado imobiliário e a sua saúde do ponto de vista dos negócios”, afirmou.
A oferta de imóveis também cresceu. O estoque disponível para comercialização avançou 8% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, encerrando o ano com 347.013 unidades.
O último trimestre consolidou a tendência de crescimento. Entre outubro e dezembro, foram lançadas 133.811 unidades, alta de 18,6% sobre o trimestre anterior. As vendas somaram 109.439 unidades, com VGV de R$ 67,2 bilhões no período. Na média, foram comercializadas 1.215 unidades por dia, sendo 312 apenas na cidade de São Paulo.
No recorte do Minha Casa, Minha Vida, foram lançadas 224.842 unidades ao longo do ano, avanço de 13,5%, enquanto as vendas totalizaram 196.876 imóveis, crescimento de 15,9%. O orçamento e os desembolsos do FGTS atingiram R$ 142,3 bilhões em 2025, o maior patamar histórico, sustentando a expansão do programa.
O impacto foi mais expressivo nas regiões Sudeste e Norte, onde o MCMV respondeu por 55% e 56% das vendas no último trimestre, respectivamente. No ritmo atual, o estoque do programa seria consumido em cerca de 7,9 meses, caso não houvesse novos lançamentos.
Para 2026, a perspectiva é considerada positiva. Pesquisa aponta que 50% dos entrevistados pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses. O tipo mais desejado é apartamento (48%), seguido por casa em rua (34%), casa em condomínio (15%) e terreno (3%). Entre os principais motivos estão sair do aluguel, buscar mais espaço ou deixar a casa dos pais.
Segundo a CBIC, a expectativa de queda da taxa básica de juros e a melhora nas condições de crédito podem fortalecer ainda mais a demanda. Além disso, a meta do governo de contratar 3 milhões de unidades no Minha Casa, Minha Vida até o fim de 2026 sinaliza manutenção do ritmo elevado no setor.
