Após queda das ações, Copel aposta em recompra para recuperar confiança do mercado
Programa autoriza aquisição de até 285,5 milhões de ações e é anunciado em meio à desvalorização recente da companhia na Bolsa
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Copel
Após enfrentar uma queda significativa no valor de suas ações nas últimas semanas, a Copel anunciou a renovação de seu programa de recompra de ações, em uma iniciativa que pode ser interpretada como uma tentativa de recuperar a confiança do mercado e sinalizar otimismo quanto ao futuro da empresa.
A companhia paranaense de energia informou que recebeu autorização para recomprar até 285,5 milhões de ações ordinárias ao longo dos próximos 18 meses. Somadas aos papéis já mantidos em tesouraria, as aquisições poderão levar a empresa ao limite legal de 10% das ações em circulação. O programa terá validade até novembro de 2027 e as compras serão realizadas diretamente na B3, a preços de mercado.
A decisão ocorre em um momento delicado para a empresa. As ações ordinárias da Copel acumulam queda próxima de 10% em apenas um mês, movimento que acendeu alertas entre investidores e analistas. Embora os papéis ainda apresentem valorização de cerca de 20% no acumulado de 2026, a correção recente expôs dúvidas do mercado sobre os rumos da companhia e a capacidade de sustentar o desempenho esperado após a privatização.
No mercado financeiro, programas de recompra costumam ser utilizados pelas empresas para transmitir uma mensagem de confiança. Ao adquirir suas próprias ações, a administração sinaliza que considera o preço atual dos papéis abaixo do valor que acredita ser justo. Na prática, trata-se de uma estratégia frequentemente empregada para tentar conter movimentos de desvalorização e reforçar a percepção positiva entre investidores.
No caso da Copel, o anúncio também pode ser visto como uma resposta ao enfraquecimento do desempenho das ações. Afinal, em vez de direcionar os recursos para novos investimentos ou ampliação de operações, a empresa opta por utilizar parte de seu caixa para adquirir seus próprios papéis no mercado.
A recompra tende a beneficiar os acionistas remanescentes. Com menos ações em circulação, cada investidor passa a deter uma parcela proporcionalmente maior da companhia. Isso pode aumentar o lucro por ação e, consequentemente, potencializar dividendos e ganhos futuros. Por essa razão, a prática é frequentemente chamada de “dividendo indireto”.
Entretanto, especialistas também apontam efeitos colaterais. A redução da quantidade de ações disponíveis para negociação pode diminuir a liquidez dos papéis, tornando o mercado menos dinâmico. Além disso, recompra de ações não altera os fundamentos da empresa nem resolve eventuais preocupações dos investidores sobre desempenho operacional, governança ou perspectivas de crescimento.
Segundo a Copel, as ações adquiridas poderão permanecer em tesouraria, ser canceladas futuramente, revendidas ao mercado ou utilizadas em programas de remuneração baseados em ações para executivos e colaboradores.
Atualmente, a empresa possui cerca de 2,98 bilhões de ações ordinárias em circulação e aproximadamente 12,7 milhões de papéis em tesouraria. Os números já consideram as recompras realizadas anteriormente e a conversão das ações preferenciais em ordinárias promovida pela companhia em 2025.
O novo programa reforça a aposta da administração de que a recompra pode ajudar a fortalecer a imagem da empresa perante o mercado. Resta saber se a medida será suficiente para reverter a recente perda de valor das ações ou se os investidores continuarão cobrando resultados concretos para sustentar a confiança na companhia.
