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Após fracasso de leilão, Eduardo Leite aceita depor na CPI dos Pedágios

Falta de interessados no Bloco 2 amplia questionamentos sobre modelo de concessão e pressiona governador a prestar esclarecimentos ao Legislativo

Por Gazeta do Paraná

Após fracasso de leilão, Eduardo Leite aceita depor na CPI dos Pedágios Créditos: Valter Campanato/Agência Brasil

O fracasso do leilão do Bloco 2 de rodovias do Rio Grande do Sul, cancelado por falta de empresas interessadas, aumentou a pressão sobre o governo estadual e levou o governador Eduardo Leite a aceitar o convite para participar da CPI dos Pedágios na próxima segunda-feira. A decisão ocorre após meses de críticas ao modelo de concessão defendido pelo Palácio Piratini e diante do agravamento da crise em torno do projeto.

Desde o lançamento da proposta, parlamentares, prefeitos, entidades empresariais e lideranças regionais questionam os valores previstos para as tarifas e a necessidade de aporte bilionário de recursos públicos para viabilizar a concessão. O principal argumento dos críticos é que o modelo transfere custos elevados aos usuários das rodovias sem oferecer garantias proporcionais de retorno à sociedade.

Mesmo diante das contestações, o governo manteve o cronograma do leilão. No entanto, o mercado deu uma resposta diferente da esperada: nenhuma empresa apresentou proposta para assumir o bloco rodoviário.

Após o resultado negativo, iniciou-se uma disputa política sobre as razões que levaram ao fracasso da licitação. Eduardo Leite atribuiu a falta de interessados ao que classificou como um "ambiente hostil" criado em torno do projeto. Segundo o governador, houve uma campanha contínua para desqualificar a modelagem da concessão, o que teria afastado potenciais investidores.

A justificativa, porém, foi prontamente contestada pelos integrantes da CPI dos Pedágios. Para o presidente da comissão, o deputado estadual Paparico Bacchi, a ausência de concorrentes confirma os alertas feitos desde o início das discussões.

Segundo o parlamentar, o problema não foi a atuação da CPI, mas as fragilidades do próprio projeto. Entre os principais questionamentos estão as tarifas consideradas elevadas e a necessidade de um aporte público de R$ 1,5 bilhão para tornar o negócio atrativo ao setor privado.

As críticas ganharam força após auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul identificar pontos que precisavam ser revistos no edital. O leilão, inicialmente previsto para março, acabou adiado para que fossem feitos ajustes. Entre as mudanças, o governo reduziu a tarifa-teto por quilômetro de R$ 0,23 para R$ 0,18.

Mesmo com a redução e a manutenção do aporte bilionário, o projeto não despertou interesse no mercado. O próprio governador reconheceu que os estudos indicavam uma precificação apertada das obras, sem margem suficiente para absorver riscos durante a execução dos investimentos.

Para os opositores do modelo, essa constatação reforça as críticas feitas ao longo dos últimos meses. O argumento é que, se o projeto exige elevado subsídio público e ainda assim não atrai investidores, sua estrutura precisa ser profundamente revista.

O posicionamento também foi compartilhado pelo diretório gaúcho do Partido dos Trabalhadores, que afirmou que o modelo não interessa nem à população nem à iniciativa privada. A legenda sustenta que as tarifas previstas são excessivas e que isso contribuiu diretamente para o insucesso da licitação.

Neste cenário, a presença de Eduardo Leite na CPI ganha significado político relevante. O governador já havia sido convidado anteriormente para prestar esclarecimentos, mas recusou os convites. Agora, diante do fracasso do leilão e da repercussão negativa do episódio, decidiu comparecer à comissão.

A expectativa é que os deputados utilizem a sessão para questionar não apenas os motivos da falta de interessados, mas também a lógica de um projeto que previa cobrança de pedágios considerada elevada por diversos setores da sociedade e que dependia de um expressivo aporte de recursos públicos para sair do papel.

O episódio representa um revés para o governo gaúcho e fortalece os argumentos daqueles que defendem a reformulação completa do modelo de concessões rodoviárias no estado. Com o leilão esvaziado e a CPI em evidência, a discussão sobre os pedágios deve permanecer no centro do debate político do Rio Grande do Sul nas próximas semanas.

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