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México: Mais de 60 pessoas morrem em onda de violência após morte de chefe do tráfico

El Mencho liderava o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), uma das organizações criminosas mais poderosas do país

Por Bruno Rodrigo

México: Mais de 60 pessoas morrem em onda de violência após morte de chefe do tráfico Créditos: Divulgação

A morte do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, desencadeou uma série de ataques violentos no México que resultaram na morte de 25 integrantes da Guarda Nacional do México. Os confrontos ocorreram principalmente no estado de Jalisco, reduto do cartel comandado por ele, e deixaram ainda 34 suspeitos mortos e outras três vítimas civis e servidores públicos.

El Mencho liderava o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), uma das organizações criminosas mais poderosas do país, com atuação no tráfico de cocaína, metanfetamina e fentanil para os Estados Unidos. Ele foi morto no domingo (22), durante uma operação militar na cidade de Tapalpa, em Jalisco. Segundo o Ministério da Defesa mexicano, o paradeiro do chefe do cartel foi descoberto após uma visita de sua namorada. Ferido gravemente durante a ação, ele não resistiu enquanto era transferido de avião para a Cidade do México.

A resposta do grupo criminoso foi imediata. De acordo com o ministro da Segurança, Omar García Harfuch, os 25 agentes da Guarda Nacional morreram em seis ataques distintos em Jalisco. Também foram assassinados um agente penitenciário, um integrante do Ministério Público estadual e uma mulher não identificada. Em meio aos confrontos, 30 suspeitos foram mortos em Jalisco e outros quatro no estado vizinho de Michoacán. Ao todo, 70 pessoas foram presas em sete estados.

A Guarda Nacional foi criada em 2019 para substituir a Polícia Federal no combate ao crime organizado. Embora tenha nascido como força civil, passou posteriormente ao comando militar, sob a Secretaria de Defesa.

Após a confirmação da morte de El Mencho, cidades de Jalisco registraram incêndios de veículos e bloqueios de rodovias — 229 foram contabilizados no domingo. Escolas foram fechadas em ao menos oito estados. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu calma à população e afirmou que o país “está em paz, está calmo”, além de garantir que os bloqueios já haviam sido removidos.

O governo também informou que abriu um grupo de trabalho para investigar a lavagem de dinheiro ligada aos cartéis. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que o México precisa intensificar o combate às organizações criminosas. O Departamento de Estado emitiu alerta para que cidadãos americanos permaneçam abrigados em áreas consideradas de risco.

Considerado um dos criminosos mais violentos do país, El Mencho era ex-policial e expandiu o cartel ao longo da última década, tornando-o rival direto do Cartel de Sinaloa, grupo associado a Joaquín “El Chapo” Guzmán. Os Estados Unidos chegaram a oferecer recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura.

A morte do líder, vista como avanço no combate ao narcotráfico, também expôs a capacidade de reação das facções criminosas. O México permanece em alerta, monitorando possíveis reestruturações internas do cartel que possam provocar novos episódios de violência.

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