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Medida da Sanepar facilita pagamentos, mas pode criar terreno fértil para golpes

Nova modalidade da Sanepar facilita a regularização de débitos sem corte no abastecimento, mas especialistas alertam que abordagem presencial pode ser explorada por criminosos

Por Gazeta do Paraná

Medida da Sanepar facilita pagamentos, mas pode criar terreno fértil para golpes Créditos: Sanepar

Uma nova modalidade adotada pela Sanepar para evitar o corte no fornecimento de água de consumidores inadimplentes promete trazer mais praticidade para quem está com contas em atraso. A partir deste mês, moradores de Foz do Iguaçu, Cascavel, Toledo, Francisco Beltrão, Pato Branco e demais municípios das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná passaram a contar com a possibilidade de quitar débitos diretamente no momento da visita do agente responsável pela suspensão do abastecimento, utilizando uma maquininha de cartão.

A iniciativa já vinha sendo aplicada na Região Metropolitana de Curitiba desde maio de 2025 e, segundo a companhia, evitou cerca de 53,5 mil cortes de água em pouco mais de um ano. A proposta é simples: diante de uma conta vencida há mais de 48 dias e com ordem de corte programada, o morador pode efetuar o pagamento imediatamente, evitando a interrupção do serviço e os custos posteriores de religação.

Embora a medida represente um avanço na comodidade oferecida aos usuários, ela também acende um alerta importante sobre a possibilidade de golpes e fraudes, especialmente em um cenário em que criminosos utilizam cada vez mais a aparência de legitimidade para enganar consumidores.

A principal preocupação está justamente na abordagem presencial. Em um país onde golpes envolvendo falsas cobranças, falsos funcionários e maquininhas adulteradas se tornaram frequentes, a presença de uma pessoa uniformizada oferecendo uma solução imediata para uma dívida pode gerar um ambiente favorável para a ação de estelionatários.

A própria Sanepar reconhece a necessidade de cuidados adicionais e orienta os consumidores a verificarem rigorosamente a identificação dos agentes antes de qualquer negociação. Os profissionais autorizados trabalham uniformizados, utilizam crachá e veículos identificados com a inscrição “A serviço da Sanepar”. Ainda assim, a recomendação é que o morador não se sinta constrangido a realizar qualquer pagamento antes de confirmar as informações.

Segundo a companhia, o cliente deve conferir dados como matrícula do imóvel, CPF do titular e valor do débito apresentado. Além disso, é possível validar a existência da dívida por meio dos canais oficiais da empresa, incluindo o aplicativo Minha Sanepar, o WhatsApp oficial e a central de atendimento telefônico.

Outro ponto que exige atenção é a forma de pagamento. A Sanepar informa que os agentes não recebem dinheiro em espécie e não realizam cobranças por Pix. Todo o processo ocorre exclusivamente por meio de cartão de débito ou crédito, com emissão de comprovante impresso ao final da operação.

Mesmo com essas salvaguardas, especialistas em segurança digital e defesa do consumidor costumam recomendar cautela diante de cobranças realizadas fora dos canais tradicionais. Em situações de dúvida, a orientação mais segura continua sendo interromper a negociação e buscar confirmação diretamente junto à empresa antes de fornecer dados pessoais ou efetuar qualquer pagamento.

O desafio para a companhia será justamente equilibrar os benefícios operacionais da medida com a necessidade de garantir segurança aos consumidores. De um lado, a iniciativa reduz burocracias, evita deslocamentos até centrais de atendimento e diminui o número de cortes e religações. De outro, cria uma situação pouco comum para muitos usuários: a realização de uma transação financeira na porta de casa, durante uma visita de campo.

Em tempos de golpes cada vez mais sofisticados, a praticidade não elimina a necessidade de atenção. A facilidade de resolver uma pendência em poucos minutos pode ser positiva para milhares de consumidores, mas exige que cada abordagem seja analisada com cuidado. Afinal, a mesma conveniência que permite evitar o corte de água também pode abrir espaço para tentativas de fraude caso o cidadão não confirme a identidade do agente e a legitimidade da cobrança.

Por isso, antes de aproximar o cartão da maquininha, a recomendação continua sendo a mesma: conferir todas as informações, validar os dados pelos canais oficiais e jamais agir por pressão ou urgência. Quando o assunto é dinheiro, alguns minutos de verificação podem evitar prejuízos muito maiores.

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