Maringá investe mais de R$ 1 milhão em projeto para transformar antigo terminal aéreo em museu
Concurso nacional prevê R$ 120 mil em premiações e contrato de R$ 905,9 mil para desenvolvimento do projeto vencedor; prédio histórico do antigo Aeroporto Gastão Vidigal será reformado, ampliado e integrado a uma nova praça no Centro Cívico
Por Gazeta do Paraná
Créditos: PMM
Maringá abriu uma disputa nacional para definir o futuro de um dos edifícios ligados à história da expansão urbana do município. O antigo terminal de passageiros do Aeroporto Gastão Vidigal, no Centro Cívico, deverá ser transformado na sede definitiva do Museu da Cidade, em uma intervenção que pretende combinar preservação do patrimônio, cultura e requalificação urbana.
O concurso público nacional de arquitetura tem valor máximo de R$ 1.025.986,33, segundo dados do Portal da Transparência do município. Desse total, R$ 120 mil serão destinados à premiação dos três melhores projetos e outros R$ 905.986,33 à contratação do vencedor para desenvolver as etapas posteriores da proposta.
As inscrições começaram na segunda-feira (21) e seguem até as 23h59 de 11 de novembro. A participação é gratuita e aberta a pessoas jurídicas constituídas no Brasil, com equipes lideradas por arquitetos e urbanistas habilitados no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU).
R$ 1 milhão entre concurso e projeto
O primeiro colocado receberá prêmio de R$ 60 mil e será contratado por R$ 905.986,33 para desenvolver anteprojeto, projeto básico, projeto executivo de arquitetura e urbanismo, paisagismo e projetos complementares. O prazo previsto para essa etapa é de 240 dias corridos.
O segundo colocado receberá R$ 40 mil e o terceiro, R$ 20 mil. Também poderão ser concedidas menções honrosas, sem premiação financeira.
É importante diferenciar esse montante do custo da futura obra: os pouco mais de R$ 1,025 milhão previstos no concurso não correspondem à execução da reforma e ampliação do museu. O valor engloba as premiações e o desenvolvimento do projeto arquitetônico e dos projetos necessários para a intervenção.
De 1,5 mil para 4,8 mil metros quadrados
A dimensão da transformação pretendida aparece no próprio programa arquitetônico. A área total de intervenção soma aproximadamente 16,5 mil metros quadrados. O antigo terminal possui atualmente cerca de 1,5 mil metros quadrados de área construída e deverá ser ampliado para aproximadamente 4,8 mil metros quadrados.
Outros cerca de 10,4 mil metros quadrados serão destinados à praça e aos espaços livres do complexo. A chamada Praça do Museu deverá contar com áreas de convivência, instalações artísticas, pátio de esculturas e possibilidade de apresentações ao ar livre.
A proposta também terá de melhorar a conexão do complexo com pedestres, ciclistas, transporte coletivo e veículos, além de prever acessibilidade universal e soluções voltadas à sustentabilidade e aos custos futuros de manutenção.
Antigo aeroporto passa a contar a história da cidade
A escolha do terminal do antigo Aeroporto Gastão Vidigal acrescenta outra camada ao projeto. Em vez de demolir a estrutura e construir um museu inteiramente novo, o concurso estabelece diretrizes para preservar elementos arquitetônicos do edifício.
Entre eles estão o pé-direito e o desenho do mezanino do antigo foyer, a escada helicoidal e os pilares existentes, condicionados às avaliações estruturais. As novas intervenções deverão permitir a diferenciação entre a construção histórica e os elementos acrescentados posteriormente.
A diretora-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maringá (Ipplam), Tânia Verri, afirma que a intenção é manter a ligação do edifício com a trajetória do município.
“Queremos um projeto que respeite a memória do antigo terminal e, ao mesmo tempo, estabeleça uma relação contemporânea com Maringá. O Museu da Cidade deverá ser um espaço vivo, acessível e conectado ao Centro Cívico, capaz de aproximar as pessoas da história e da identidade do município”, afirmou.
Museu terá três grandes áreas
A futura sede deverá receber o acervo do Museu de História e Arte Hélenton Borba Cortes, criado em 1964 e atualmente instalado no Teatro Calil Haddad. A mudança também pretende resolver problemas de espaço, armazenamento, acessibilidade, conservação e logística enfrentados na estrutura atual.
O novo museu será organizado em três eixos. A Ala Histórica reunirá documentos e objetos relacionados à trajetória do município. A Ala Artística será dedicada às artes visuais e aos acervos artísticos. Já a Ala Cidade terá caráter mais interativo e deverá discutir o próprio desenvolvimento urbano de Maringá.
Nesse último espaço deverão aparecer temas como mobilidade, sustentabilidade, mudanças climáticas, ocupação do solo e qualidade de vida. A intenção é fazer com que o equipamento não funcione apenas como local de preservação do passado, mas também como espaço de discussão sobre a cidade contemporânea.
O programa arquitetônico prevê ainda reserva técnica, áreas de quarentena, triagem e restauro, guarda de acervos temporários e estrutura própria para recebimento e movimentação das peças.
Resultado sai até dezembro
Cinco jurados serão responsáveis pela avaliação das propostas. A comissão reúne os arquitetos Alexandre Ruiz da Rosa, Guilherme Teixeira Wisnik e Marina Mange Grinover, além do secretário municipal de Urbanismo e Habitação, Matheus Magalhães Barros, e do arquiteto do Ipplam Gabriel Deller de Aguiar.
Depois do encerramento das inscrições em 11 de novembro, haverá análise formal dos projetos. O resultado provisório está previsto para 30 de novembro, enquanto o resultado definitivo deverá ser divulgado até 28 de dezembro. A adjudicação e a homologação estão previstas para até o dia 29.
O concurso aparece no Portal da Transparência de Maringá como Processo Administrativo nº 614/2026, Concurso nº 1/2026, com valor máximo de R$ 1.025.986,33 e situação de “aguardando abertura”. O certame também foi publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) em 21 de setembro.
Créditos: Redação
