Lula discursa na ONU e defende multilateralismo e reforma do Conselho de Segurança
Presidente brasileiro abre nesta terça-feira (22) os discursos da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York; Donald Trump será o segundo líder a falar no plenário
Créditos: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nesta terça-feira (22), a partir das 10h (horário de Brasília), na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos.
No discurso, Lula deve defender o multilateralismo, a negociação como caminho para solucionar conflitos e o respeito ao direito internacional humanitário. A reforma da ONU, principalmente do Conselho de Segurança, também está entre os temas previstos para a fala do presidente.
A defesa do multilateralismo é uma das linhas da política externa brasileira. Lula deve abordar o cenário internacional marcado pelo aumento dos conflitos e defender a atuação das Nações Unidas como espaço de negociação entre os países.
O Brasil também defende há anos uma mudança na composição e no funcionamento do Conselho de Segurança. O governo brasileiro avalia que o órgão precisa refletir melhor a atual configuração internacional e ter maior capacidade de responder aos conflitos.
Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral da ONU como presidente da República. Em seus três mandatos, ele não participou apenas da edição de 2010.
Trump fala logo depois de Lula
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será o segundo líder a discursar, logo após Lula.
Os dois podem se encontrar nos bastidores da Assembleia Geral, mas não havia confirmação oficial de uma reunião entre os presidentes. O Itamaraty também não havia informado uma agenda bilateral entre os dois nesta terça-feira.
No ano passado, Lula e Trump tiveram um breve encontro no plenário, quando o presidente brasileiro deixava o palco após seu discurso e o norte-americano se preparava para falar. Na ocasião, Trump afirmou posteriormente que havia tido uma “química excelente” com Lula.
Agenda de Lula em Nova York
Antes do discurso na ONU, Lula se reuniu na segunda-feira (21) com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Os dois trataram de temas como combate à pobreza, democracia, extremismo político e desinformação.
O presidente também tem encontros bilaterais previstos durante a passagem por Nova York e se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que está na fase final de seu mandato à frente da organização. Lula retorna ao Brasil ainda nesta terça-feira.
Ministros participam de reuniões durante a semana
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanece em Nova York durante a semana e participa de reuniões ministeriais do Brics, IBAS, G77, G4, L69 e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), além de encontros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do Consenso de Brasília.
Vieira também preside duas reuniões ministeriais. Na quarta-feira (23), participa do encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Na quinta-feira (24), preside a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).
O Brasil ocupa atualmente a presidência da Zopacas por um período de três anos, após a realização da 9ª Reunião Ministerial da organização, em abril.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também participa de atividades em Nova York entre os dias 21 e 23. A agenda inclui reuniões sobre segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional.
A delegação brasileira também participa de reuniões do Conselho de Segurança da ONU e de encontros sobre a situação da Palestina, a solução de dois Estados, o combate à desigualdade, a Comissão de Consolidação da Paz e o direito internacional humanitário.
Comitiva brasileira
Além de Mauro Vieira e Wellington Dias, participam de atividades da agenda brasileira na ONU a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros.
A programação dos integrantes da comitiva está relacionada aos temas de atuação de cada ministério.
