Leilão do Lote 6 das rodovias do PR ocorre nesta quinta-feira com tarifas altas e pouca concorrência
Com apenas uma empresa de olho na concessão do Lote 6, o desconto nas taxas de pedágio deve ser irrisório
Por Bruno Rodrigo

Nesta quinta-feira (19), a B3, Bolsa de Valores de São Paulo, recebe uma protocolar cerimônia para realização do Leilão do Lote 6 das rodovias do Paraná. Protocolar porque apenas uma empresa irá concorrer a concessão do lote que engloba as rodovias do Oeste e Sudoeste do Paraná. A EPR vai arrematar o lote com maior extensão e controlar 662 quilômetros das rodovias BR-163, BR-277, PR-158, PR-180, PR-182, PR-280 e PR-483, 40 quilômetros a mais que o Lote 4.
Com o Lote 6, o Paraná vai completar a concessão de todo o eixo da BR-277, desde a região Oeste, na fronteira com Paraguai e Argentina, até o Porto de Paranaguá. Isso porque os dois primeiros lotes que já foram concedidos pegam os outros trechos da rodovia, na região Central, Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e Litoral. Além disso, ele coloca o Sudoeste no mapa das concessões paranaenses pela primeira vez, entre Cascavel e Pato Branco, acabando onde o Estado deixou encaminhado mais de 140 quilômetros de rodovias de concreto (PRC-280).
A concorrência nula é um grande problema para as regiões. Com apenas uma empresa de olho na concessão do Lote 6, o desconto nas taxas de pedágio deve ser irrisório. A tendência é que os preços base que foram definidos no edital de concessão, mudem muito pouco. O Lote 2, por exemplo, que só teve a mesma EPR concorrendo, teve um desconto de 0,08% em relação a tarifa base.
Na concessão passada, o lote em questão compreendia apenas a BR-277, o que dava uma quantidade total de cinco praças para a antiga concessionária, EcoCataratas. A sexta praça que hoje pertence a este lote e está na 277, na concessão passada era pertencente ao atual lote 1, e era controlada na época pela Caminhos do Paraná.
De cinco praças, o Lote passou para nove. Seis na BR-277 e outras duas no Sudoeste: uma na BR-163, uma na PR-280 e outra na PR-182. A taxa base mais cara está justamente na praça da BR-163, que ficará em Lindoeste: R$ 17,10.
Esse preço deve ter redução, apesar de quase nula, com o desconto que vai ser ofertado pela EPR. Conforme o edital, vence a empresa que oferecer o menor desconto sobre a tarifa básica máxima por quilômetro, que é de R$ 0,1758. As tarifas básicas máximas para automóveis são as seguintes conforme o edital:
Praça de São Miguel do Iguaçu (BR-277): R$ 15,75
Praça de Céu Azul (BR-277): R$ 13,71
Praça de Cascavel (BR-277): R$ 13,65
Praça de Laranjeiras do Sul (BR-277): R$ 13,75
Praça de Candói (BR-277): R$ 14,53
Praça de Prudentópolis (BR-277): R$ 15,09
Praça de Lindoeste (BR-163): R$ 17,10
Praça de Ampére (PR-182): R$ 12,12
Praça de Pato Branco (PR-280): R$ 9,95
Setor produtivo reclama
Entidades do setor produtivo do oeste do Paraná se mostraram decepcionadas com o fato de apenas uma empresa ter interesse no leilão. O Vice-presidente do Programa Oeste em Desenvolvimento, Alci Rotta Junior, afirmou que a baixa concorrência é uma surpresa e que isso pode afetar as tarifas devido a possibilidade de um baixo desconto.
“Ficamos surpresos. Nós tínhamos uma expectativa que mais empresas participassem. Infelizmente tivemos uma só. Sabemos que o nível de desconto pode ser reduzido com uma empresa apenas participando. Temos que aguardar o desenrolar do leilão. Continuamos otimistas e esperamos que o desconto seja alto, mas temos sempre que lembrar que essa mesma empresa venceu o lote 2 com o desconto praticamente zero”, afirmou Alci.
Ainda conforme Alci, o Lote 3 se mostrou mais atrativo no geral, já que foi o com mais empresas concorrentes, e que a quantidade de obras pode ter sido um fator que pesou contra o Lote 6. A expectativa é que as tarifas não façam as empresas do oeste perderem competitividade.
“O que a gente analisa é que as empresas participantes, anunciou lote a lote. O que percebemos é que o Lote 3 foi o mais atrativo, tendo mais concorrência e maior desconto, ao passo que a cada 100 quilômetros o usuário vai pagar apenas 10 reais. Ficou um lote muito equilibrado. O Lote 6, temos que considerar que é o de maior quantidade de obras, com mais de 400 quilômetros de duplicação. O que a gente espera é que não haja perca de competitividade das empresas aqui do Oeste”, destacou.
Quem também se mostrou preocupado foi Dilvo Grolli, presidente da Coopavel. Segundo ele, o valor das tarifas pode afetar o cooperativismo do oeste e sudoeste do Paraná.
“Há uma preocupação nesse leilão, com relação a só termos uma empresa participando. Isso se torna muito difícil com a questão de preço do pedágio. Nós da sociedade que já estamos com experiências negativas do passado, temos que ficar atentos. Nossas entidades representativas não podem ficar paradas nesse momento. Temos que acompanhar atentos e é necessário que os líderes se manifestem dando a solidariedade a sociedade, para que não tenhamos um preço de pedágio alto, que vai onerar a nossa economia”, disse.
As obras
Os investimentos devem chegar a R$ 20 bilhões, sendo R$ 12,6 bilhões em grandes obras (Capex) e R$ 7,4 bilhões em manutenção (Opex). Entre os principais que a concessionária vencedora deve tirar do papel estão 462 quilômetros de duplicações, a maior parte na BR-277, mas também na PR-182, no Sudoeste. Também estão previstas a construção do Contorno de Marmeleiro, que fará a ligação da PRC-280 à PR-180 e terá quase sete quilômetros de extensão, e do Contorno de Lindoeste, com 6,8 km.
Serão 69,1 quilômetros de novas pistas duplas. Em Cascavel ela vai do perímetro urbano de Cascavel, do Trevo Cataratas, até o km 597,393, logo após o entroncamento com a Avenida Tancredo Neves. O trecho seguinte de duplicação da BR-277 começa logo após o trevo do Contorno Oeste de Cascavel, no território de Santa Tereza do Oeste, e segue até o perímetro urbano do município, no km 605+100. As obras de duplicação também atravessam Céu Azul, Matelândia, Medianeira e São Miguel do Iguaçu. Outro trecho de faixas adicionais em ambos sentidos da BR-277 começa no km 720+400, ainda no território de Santa Terezinha de Itaipu, e segue até o km 727+600, dentro do perímetro urbano de Foz do Iguaçu.
Serão ainda, seis segmentos de duplicação da rodovia federal, todos conectados, indo desde o km 480 até o km 575, em um total de 95 quilômetros de pistas duplicadas, passando também pelos territórios de Guaraniaçu, Ibema e Catanduvas. Elas compõem a maior parte das obras previstas para este trecho da concessão, devendo também ser realizadas as melhorias descritas abaixo no território de cada município.