‘La Mano de Dios’: as curiosidades da Copa do Mundo de 1986 realizada no México
A Gazeta do Paraná faz uma série de reportagens especiais sobre as Copas do Mundo
Por Luciano Neves
Créditos: Arquivo Fifa
Estamos em contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026. São menos de dois meses para a bola rolar no maior Mundial de todos os tempos. Isso no quesito número de participantes. Afinal de contas, será a primeira Copa da história com 48 seleções. E esperamos que também seja a maior Copa de todos nos quesitos técnicos e emocionais.
E também será a primeira edição com três países como sedes: Estados Unidos, México e Canadá. Isso significa que o Mundial terá a sua quarta passagem pela América do Norte. Inclusive, nas três vezes anteriores que o continente norte-americano recebeu a Copa ofereceu sorte para as potências sul-americanas do futebol mundial. O Brasil venceu duas Copas, uma no México, em 1970, e nos Estados Unidos, em 1994. E a Argentina faturou o seu segundo título, também no México, em 1986. Logo, são inúmeras histórias nestes três mundiais.
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Mas hoje vamos relembrar alguns fatos curiosos de uma edição que não teve título brasileiro: a Copa de 1986, que ocorreu no México. Quarenta anos atrás, foi a Argentina, de Diego Maradona, que fez a festa. E por que o México? É porque no próximo dia 11 de junho, quando a bola rolar no Estádio Azteca na abertura da Copa, no jogo entre os anfitriões mexicanos contra a África do Sul, o México se tornará o primeiro país em toda a história a receber três edições de uma Copa do Mundo.
Copa por acaso?
Sim. A Copa do Mundo de 1986 ocorreu meio que por acaso no México. Isso porque, naquele ano, o evento voltaria para a América do Sul e seria realizado na Colômbia. Só que o país passava por uma crise financeira e não passou segurança para a Fifa para sediar o Mundial. Sem contar o sério problema do domínio do narcotráfico na década de 80. Os colombianos recuaram, mas a Fifa insistia em realizar a Copa de 86 em continente americano. Restaram Canadá e México. E o México ganhou a disputa pela experiência de ter realizado uma Copa 16 anos antes, em 1970. Peso ainda contra o Canadá o fato de o hóquei no gelo ser o esporte mais popular no país.
Brasil
A Seleção Brasileira até aparecia na lista de favoritas ao título em 1986. Isso pelo bom futebol mostrado quatro anos antes na Espanha com o mesmo treinador, Telê Santana. E também pelo fato de ter sido campeão mundial justamente no México. Mas o time canarinho acabou sendo eliminado de maneira invicta. A Seleção Brasileira fez parte do Grupo D com Espanha, Irlanda do Norte e Argélia.
Na estreia, uma vitória magra sobre a Espanha, 1 a 0, gol de Sócrates. Na segunda rodada, outra vitória magra: novo 1 a 0 na então inexpressiva Argélia, que estava em sua segunda participação em Copas. Na terceira rodada, uma vitória mais contundente sobre a Irlanda do Norte por 3 a 0. Nas oitavas, o Brasil encorpou com uma goleada de 4 a 0 sobre a Polônia. Mas eis que venho a tão indigesta França de Platini no caminho nas quartas. O goleiro Carlos, que ainda não sofreu gols nos primeiros quatro jogos, foi vazado uma única vez na Copa, justamente por Platini. O Brasil até vencia o jogo e havia marcado com Careca. Zico ainda desperdiçou uma penalidade, o que poderia garantir a vitória brasileira. O empate em 1 a 1 permaneceu até o fim, continuou na prorrogação e a decisão da vaga foi para os pênaltis. E deu França: vitória por 4 a 3, com Sócrates e Júlio César perdendo suas cobranças. O Brasil deixou o Mundial de maneira invicta. A França avançou para as semifinais e perdeu para a Alemanha por 2 a 0. Depois teve o consolo do terceiro lugar ao derrotar a Bélgica por 4 a 2.
Argentina
A Argentina entrou logo de cara no Grupo A da então campeão mundial Itália. Na estreia, a seleção de Carlos Bilardo teve uma vitória sem sustos: 3 a 1 na Coreia do Sul. Na segunda rodada, Itália e Argentina se enfrentaram com um empate em 1 a 1. Maradona fez seu primeiro gol naquela edição, o segundo na história das Copas, já que havia feito um golzinho só em 1982. Na sequência, a Argentina derrotou a Bulgária por 2 a 0 e ficou na frente da Itália na chave.
Nas oitavas, a Argentina vivenciou um clássico sul-americano contra o Uruguai e venceu por 1 a 0.
‘La mano de Dios’
Nas quartas de final, a Argentina cruzou com a Inglaterra e seguiu adiante graças a genialidade de Maradona. Foi nesse jogo, no dia 22 de junho, que ele marcou o gol mais bonito da história das Copas. Ele recebeu a bola ainda em seu campo, arrancou, deixou toda a defesa inglesa para trás, driblou até o goleiro Shilton para marcar o segundo da vitória por 2 a 1. No entanto, o golaço ficou até meio ofuscado pelo gol de mão, a famosa ‘la mano de Dios’, de Maradona.
Reta final
Maradona foi, de fato, o grande astro e conduziu a Argentina ao bicampeonato. Nas semifinais contra a Bélgica, ele marcou os dois gols da vitória por 2 a 0. Mas passou em branco na final contra a Alemanha, no dia 29 de junho. A Argentina venceu por 3 a 2. Mas ele teve colaboração no gol do título, já que deu o lançamento para Valdano fazer 3 a 2. Antes. Brown e o mesmo Valdano marcaram para os argentinos. E Rummenigge e Völler anotaram os gols alemães. Maradona levantou a taça e fechou o Mundial com cinco gols.
40 anos depois
Agora, a Argentina retorna para a América do Norte como campeã mundial. Mas não irá jogar em território mexicano na primeira fase. A Argentina está no Grupo J, que é relativamente tranquilo, e estreia contra a Argélia, no dia 16 de junho, em Kansas City. Depois pega a Áustria, no dia 22, em Dallas. E fecha a primeira fase contra a Jordânia no dia 27, também em Dallas.
A tendência é que a tricampeã mundial avance em primeiro na chave. Se isso acontecer, não irá atuar no México e seguirá nos Estados Unidos. Para os supersticiosos, é bom recordar que a Argentina fez feio no Mundial de 1994, justamente nos Estados Unidos. Quatro jogos com duas vitórias e duas derrotas. E queda precoce nas oitavas.
Créditos: Luciano Neves
