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Copa do Mundo: Grupo L tem favoritismo da Inglaterra e adeus de Modric Créditos: Montagem/GP/Reprodução

Copa do Mundo: Grupo L tem favoritismo da Inglaterra e adeus de Modric

Confira a análise detalhada da última chave do Mundial de 2026, que reúne o elenco estrelado de Harry Kane, a experiência da Croácia, a velocidade de Gana e o sonho do Panamá

A espera acabou. Depois de anos de preparação, eliminatórias disputadas em todos os continentes e muita expectativa, a Copa do Mundo de 2026 começa nesta quarta-feira (11), marcando o início da maior edição da história do torneio. Pela primeira vez, 48 seleções estarão em campo em uma competição que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.

Ao longo das últimas semanas, a Gazeta do Paraná apresentou uma série especial analisando todos os grupos do Mundial, passando pelos favoritos ao título, pelas seleções que tentam surpreender e pelas histórias que prometem marcar esta edição da Copa. E chegamos ao último capítulo dessa jornada com o Grupo L.

A chave reúne a tradicional Inglaterra, a sempre competitiva Croácia, a força africana de Gana e o Panamá, que retorna ao torneio buscando fazer história. Um grupo que mistura candidatos ao mata-mata, gerações experientes e seleções que enxergam na ampliação da Copa uma oportunidade real de avançar de fase.

A seguir, confira o panorama do Grupo L e o que esperar de cada uma das quatro seleções que fecham a fase de apresentações da Copa do Mundo de 2026.

Panorama geral

Se existe um grupo que promete equilíbrio na briga pela classificação, esse grupo é o L. A Inglaterra aparece como favorita natural à liderança da chave, graças ao elenco estrelado e à profundidade que poucas seleções possuem nesta Copa do Mundo. No papel, os ingleses são superiores aos adversários e entram na competição com a obrigação de avançar sem grandes sustos.

A disputa pela segunda vaga, porém, promete ser uma das mais interessantes desta fase de grupos. A Croácia segue colhendo os frutos de uma geração histórica, que levou o país a uma final de Copa do Mundo em 2018 e ao terceiro lugar em 2022. Mesmo em processo de renovação, os croatas continuam sendo uma seleção extremamente competitiva e acostumada a grandes jogos.

Correndo logo atrás aparece Gana. Os africanos talvez tenham o ataque mais explosivo do grupo depois da Inglaterra, com jogadores rápidos, fortes fisicamente e capazes de decidir partidas em transições rápidas. O desafio será encontrar a regularidade que muitas vezes faltou à equipe nos últimos anos.

O Panamá surge como azarão, mas não como mero figurante. Os panamenhos evoluíram bastante na última década, tornaram-se uma seleção respeitada na Concacaf e chegam ao Mundial acreditando que podem aproveitar o formato ampliado para sonhar com uma classificação histórica.

O encaixe de estilos também chama atenção. A Inglaterra tende a controlar a posse de bola e assumir o protagonismo das partidas. A Croácia aposta na qualidade do meio-campo e na experiência acumulada em grandes competições. Gana deve explorar a velocidade de seus atacantes, enquanto o Panamá tentará transformar organização defensiva e intensidade em armas para surpreender.

A tendência é que Inglaterra e Croácia larguem na frente pela classificação, mas a diferença para Gana não parece tão grande quanto o histórico das seleções sugere. Em uma Copa marcada pelo equilíbrio, o Grupo L tem tudo para chegar à última rodada com vagas ainda em aberto.



Inglaterra: será que o futebol vai voltar para a casa 

seleção inglaterra

Foto: Reprodução – FIFA/FIFA 

O caminho até a Copa

A Inglaterra garantiu sua classificação para a Copa do Mundo de 2026 sem grandes sustos, confirmando o favoritismo que a acompanha há anos nas Eliminatórias Europeias. Sob o comando de Thomas Tuchel, que assumiu a seleção após a Eurocopa de 2024, os ingleses lideraram seu grupo e asseguraram a vaga direta para o Mundial.

A campanha começou de forma dominante. A Inglaterra venceu seus primeiros compromissos e rapidamente assumiu a liderança da chave. Com um elenco recheado de jogadores de alto nível, a seleção mostrou superioridade técnica diante da maioria dos adversários e raramente correu riscos ao longo do percurso.

O ataque voltou a ser um dos pontos fortes da equipe. Harry Kane seguiu como principal referência ofensiva, liderando um setor que também conta com talentos como Jude Bellingham, Bukayo Saka e Eberechi Eze. Defensivamente, a equipe apresentou evolução. A base formada por jogadores acostumados às principais competições do continente garantiu segurança em jogos mais equilibrados e ajudou a Inglaterra a sofrer poucos gols durante o ciclo.

A classificação foi confirmada com antecedência, permitindo que Thomas Tuchel utilizasse as rodadas finais para observar opções e ampliar a concorrência por vagas no elenco que disputará o Mundial.

A vaga garantiu à Inglaterra sua 17ª participação em Copas do Mundo. Campeã em 1966, a seleção chega a 2026 novamente cercada de expectativa. Afinal, poucas equipes possuem um elenco tão qualificado quanto os ingleses, que buscam encerrar um jejum de 60 anos sem conquistar o principal troféu do futebol mundial.

O que esperar?

A Inglaterra chega à Copa do Mundo de 2026 carregando uma responsabilidade que já virou rotina: a de ser apontada entre as favoritas ao título. Nas últimas grandes competições, os ingleses estiveram constantemente entre os protagonistas. Foram semifinalistas da Copa do Mundo de 2018, vice-campeões da Eurocopa de 2021 e novamente vice-campeões da Eurocopa de 2024.

O desafio agora é transformar regularidade em título. A sensação é que a Inglaterra já provou que consegue competir com qualquer seleção do mundo, mas ainda precisa dar o passo final nos momentos decisivos.

A seleção parece mais equilibrada do que em ciclos anteriores. Durante muitos anos, a Inglaterra foi criticada por depender excessivamente do talento individual. Hoje, o time possui alternativas em praticamente todos os setores do campo e chega ao Mundial com uma profundidade de elenco que poucas seleções conseguem igualar.

Mas existe uma questão que acompanha os ingleses há décadas: a pressão. Desde o título conquistado em 1966, cada Copa do Mundo é encarada como uma oportunidade de encerrar um jejum que já ultrapassa meio século. Historicamente, nem sempre a seleção lidou bem com esse peso.

A boa notícia para os ingleses é que a geração atual parece mais madura. Muitos dos principais jogadores já disputaram finais continentais, fases decisivas de Liga dos Campeões e grandes torneios internacionais. Existe uma experiência acumulada que não estava presente em outras equipes do passado.

Seria surpresa ver a Inglaterra fora das quartas de final. O elenco tem qualidade para brigar pelo título e talvez chegue à Copa de 2026 com uma das melhores oportunidades dos últimos anos para encerrar a espera pelo segundo troféu mundial. O desafio não será provar que é boa o suficiente, mas mostrar que consegue vencer quando a pressão é máxima.

O craque
Harry Kane

Aos 33 anos, Harry Kane chega ao Mundial como capitão, principal referência ofensiva da equipe e um dos maiores jogadores da história da seleção inglesa. Mais do que os gols, o atacante se transformou no ponto de equilíbrio de uma geração que sonha em encerrar o jejum de títulos iniciado após a conquista da Copa do Mundo de 1966.

Os números ajudam a explicar sua importância. Com 79 gols em 114 partidas, Kane é o maior artilheiro da história da Inglaterra, superando nomes lendários do futebol inglês. Ao longo dos últimos anos, esteve presente em praticamente todas as campanhas relevantes da seleção, incluindo a semifinal da Copa de 2018 e os vice-campeonatos da Eurocopa em 2021 e 2024.

Mas reduzir sua importância apenas aos gols seria um erro. Diferentemente de muitos centroavantes tradicionais, Kane participa ativamente da construção das jogadas. Sua capacidade de recuar para organizar o ataque, encontrar passes decisivos e criar espaços para os companheiros faz dele uma peça fundamental no funcionamento da equipe.

Outro fator pesa a seu favor: a experiência. Em um elenco repleto de jovens estrelas, Kane é o jogador que já viveu praticamente todos os cenários possíveis em grandes competições. Essa bagagem costuma fazer diferença em torneios curtos como a Copa do Mundo.

A verdade é simples: a Inglaterra possui vários talentos capazes de decidir partidas, mas nenhum deles exerce tanta influência sobre o time quanto Harry Kane. Se os ingleses pretendem encerrar uma espera de seis décadas pelo segundo título mundial, grande parte desse sonho passará pelos pés de seu camisa 9.

Convocados

Com ausência de alguns nomes importantes chamou atenção. Além do zagueiro Harry Maguire, que já havia indicado que dificilmente estaria na lista, jogadores como Phil Foden, Cole Palmer e Trent Alexander-Arnold ficaram fora da convocação.

Confira a lista de convocados

Goleiros: Jordan Pickford (Everton), Dean Henderson (Crystal Palace) e James Trafford (Manchester City).

Defensores: Reece James (Chelsea), Ezri Konsa (Aston Villa), Jarell Quansah (Bayer Leverkusen), John Stones (Manchester City), Marc Guéhi (Manchester City), Dan Burn (Newcastle), Nico O'Reilly (Manchester City), Djed Spence (Tottenham) e Tino Livramento (Newcastle).

Meio-campistas: Declan Rice (Arsenal), Elliot Anderson (Nottingham Forest), Kobbie Mainoo (Manchester United), Jordan Henderson (Brentford), Morgan Rogers (Aston Villa), Jude Bellingham (Real Madrid) e Eberechi Eze (Arsenal).

Atacantes: Harry Kane (Bayern de Munique), Ivan Toney (Al-Ahli), Ollie Watkins (Aston Villa), Bukayo Saka (Arsenal), Marcus Rashford (Barcelona), Anthony Gordon (Newcastle) e Noni Madueke (Arsenal).


Croácia aposta em Modrić e na tradição mundialista

seleção croata Foto: Reprodução – FIFA/FIFA

O caminho até a Copa

A Croácia chega à Copa do Mundo de 2026 mantendo uma impressionante regularidade em grandes competições. Vice-campeã mundial em 2018 e terceira colocada em 2022, a seleção balcânica confirmou mais uma vez sua força ao garantir vaga direta para o Mundial da América do Norte.

A campanha nas Eliminatórias Europeias foi marcada pela experiência de uma geração que se recusa a deixar o protagonismo. Mesmo em meio à renovação gradual do elenco, os croatas mantiveram a competitividade e terminaram na liderança de seu grupo, assegurando a classificação sem necessidade de repescagem.

O ciclo começou cercado por questionamentos. Afinal, muitos se perguntavam até que ponto a seleção conseguiria sustentar o alto nível após a saída de alguns nomes históricos e o avanço da idade de jogadores importantes. A resposta veio dentro de campo.

Liderada por Luka Modrić, a Croácia acumulou vitórias importantes, construiu uma defesa sólida e soube utilizar a qualidade técnica do meio-campo para controlar partidas complicadas. A equipe encerrou as eliminatórias com sete vitórias e um empate em oito jogos, confirmando o primeiro lugar da chave.

Outro ponto positivo foi a consolidação da nova geração. Jogadores como Joško Gvardiol, Martin Baturina, Luka Sučić e Petar Sučić passaram a assumir responsabilidades cada vez maiores, dividindo protagonismo com os veteranos que ajudaram a construir a fase mais vitoriosa da história do futebol croata.

Agora, os Vatreni chegam ao Mundial tentando prolongar uma era histórica. Desde a independência do país, a Croácia se acostumou a disputar Copas do Mundo e frequentemente supera as expectativas quando enfrenta as principais potências do futebol.

O que esperar?

Se existe uma seleção que aprendeu a desafiar previsões em Copas do Mundo, essa seleção é a Croácia. Basta olhar para o histórico recente: vice-campeã em 2018 e terceira colocada em 2022. Em ambos os casos, chegou mais longe do que muitas equipes apontadas como favoritas.

A grande dúvida para 2026 é saber até onde essa geração ainda consegue ir. Luka Modrić continua sendo uma referência técnica e emocional, mas disputará o Mundial aos 40 anos. Ao mesmo tempo, a renovação do elenco avançou e jogadores como Joško Gvardiol, Martin Baturina e Luka Sučić passaram a assumir papéis cada vez mais importantes.

O principal trunfo croata segue sendo o meio-campo. Poucas seleções conseguem controlar o ritmo das partidas com tanta qualidade. Mesmo diante de adversários fisicamente mais fortes, a Croácia costuma compensar com inteligência tática, posse de bola e capacidade de tomar boas decisões sob pressão.

Outro fator importante é a experiência. Grande parte do elenco já disputou Eurocopas, Copas do Mundo e confrontos decisivos em alto nível. Em torneios curtos, esse tipo de bagagem costuma fazer diferença.

Por outro lado, é difícil ignorar que a equipe já não possui o mesmo nível técnico de 2018. Alguns jogadores importantes envelheceram, enquanto a nova geração ainda busca atingir o patamar dos atletas que transformaram a Croácia em uma das seleções mais respeitadas do futebol mundial.

Ainda assim, seria um erro subestimar os Vatreni. Nas últimas duas Copas, muita gente apostou que a equipe havia chegado ao fim de um ciclo, e os croatas responderam alcançando o pódio. Talvez não entrem entre os principais favoritos ao título, mas continuam sendo uma seleção capaz de complicar a vida de qualquer adversário.

Se a Croácia aparecer novamente nas quartas de final, pouca gente ficará surpresa. E, olhando para o histórico recente, talvez esse seja o maior elogio que uma seleção pode receber.

O craque
Luka Modrić

A Croácia possui uma nova geração cheia de talento, com nomes como Joško Gvardiol, Martin Baturina e Luka Sučić ganhando cada vez mais espaço. Mas, enquanto Luka Modrić continuar vestindo a camisa quadriculada, dificilmente haverá discussão sobre quem é o principal jogador da seleção.

Aos 40 anos, o meio-campista chega à Copa do Mundo de 2026 como capitão, líder técnico e maior jogador da história do futebol croata. Poucos atletas conseguiram manter um nível tão alto de desempenho por tanto tempo, especialmente em uma posição que exige tanta intensidade física e mental.

Os números ajudam a explicar sua dimensão. Modrić é o jogador que mais vezes defendeu a seleção croata e esteve presente nos maiores momentos da história do país. Foi o cérebro da equipe vice-campeã mundial em 2018, campanha que lhe rendeu a Bola de Ouro e interrompeu uma hegemonia de dez anos dividida entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Quatro anos depois, voltou a liderar a Croácia até o terceiro lugar na Copa do Catar.

Mas sua importância vai muito além das estatísticas ou dos títulos individuais. Modrić é o jogador que dita o ritmo da equipe. Quando a Croácia precisa controlar uma partida, acelerar uma transição ou encontrar uma solução sob pressão, é nele que a equipe costuma se apoiar.

Mesmo aos 40 anos, continua sendo uma peça fundamental no funcionamento do time. Sua visão de jogo, qualidade no passe e inteligência tática compensam aquilo que o tempo naturalmente retira em explosão física. Poucos jogadores no mundo entendem tão bem os momentos de uma partida quanto o camisa 10 croata.

Esta será provavelmente sua última Copa do Mundo. E, para um jogador que já levou a Croácia a uma final e a um terceiro lugar, resta a oportunidade de ampliar ainda mais um legado que já é eterno. Se os Vatreni sonham com mais uma campanha histórica, grande parte desse sonho continuará passando pelos pés de Luka Modrić.

Confira a lista de convocados

Goleiros: Dominik Livaković (Dínamo Zagreb), Dominik Kotarski (Copenhagen) e Ivor Pandur (Hull City).

Defensores: Joško Gvardiol (Manchester City), Duje Ćaleta-Car (Real Sociedad), Josip Šutalo (Ajax), Josip Stanišić (Bayern de Munique), Marin Pongračić (Fiorentina), Martin Erlić (Midtjylland) e Luka Vušković (Hamburgo).

Meio-campistas: Luka Modrić (Milan), Mateo Kovačić (Manchester City), Mario Pašalić (Atalanta), Nikola Vlašić (Torino), Luka Sučić (Real Sociedad), Martin Baturina (Como), Kristijan Jakić (Augsburg), Petar Sučić (Inter de Milão), Nikola Moro (Bologna) e Toni Fruk (Rijeka).

Atacantes: Ivan Perišić (PSV), Andrej Kramarić (Hoffenheim), Ante Budimir (Osasuna), Marco Pašalić (Orlando City), Petar Musa (Dallas) e Igor Matanović (Freiburg).


Gana quer reviver o espírito de 2010

seleção ganaFoto: Reprodução – FIFA/FIFA

O caminho até a Copa

Gana chega à Copa do Mundo de 2026 tentando recuperar o protagonismo que marcou sua história recente no futebol africano. Depois da eliminação ainda na fase de grupos do Mundial de 2022, os Estrelas Negras responderam com uma campanha sólida nas Eliminatórias Africanas e garantiram mais uma presença no principal torneio do futebol mundial.

A caminhada começou de forma convincente. Inserida em um grupo com Mali, Madagascar, Comores, Chade e República Centro-Africana, a seleção ganesa assumiu rapidamente a liderança da chave e mostrou regularidade ao longo de todo o ciclo.

O ataque foi um dos pontos fortes da campanha. Liderados por Mohammed Kudus, Jordan Ayew e Antoine Semenyo, os ganeses combinaram velocidade e poder de decisão, características historicamente associadas à seleção. Ao mesmo tempo, a equipe apresentou mais equilíbrio defensivo do que em competições recentes.

A classificação foi construída principalmente nos confrontos contra os concorrentes diretos. Gana soube aproveitar os jogos em casa, conquistou pontos importantes fora de seus domínios e chegou à reta final dependendo apenas dos próprios resultados para confirmar a vaga.

Outro aspecto importante foi a consolidação de uma nova geração. Após a perda de protagonismo de nomes que marcaram ciclos anteriores, jogadores como Kudus, Semenyo e Ernest Nuamah passaram a assumir responsabilidades cada vez maiores dentro da equipe.

A vaga foi confirmada sem necessidade de repescagem, recolocando Gana entre os representantes africanos no Mundial. Esta será a quinta participação do país em Copas do Mundo, após as presenças em 2006, 2010, 2014 e 2022.

Agora, os Estrelas Negras desembarcam na América do Norte tentando reviver o espírito da histórica campanha de 2010, quando alcançaram as quartas de final e ficaram a um pênalti de se tornarem a primeira seleção africana a disputar uma semifinal de Copa do Mundo.

O que esperar?

Gana chega à Copa do Mundo de 2026 como uma das seleções africanas mais difíceis de projetar. Em teoria, possui talento suficiente para avançar de fase. Na prática, alternou grandes atuações e momentos de instabilidade ao longo dos últimos anos.

O principal motivo para acreditar em uma boa campanha está no setor ofensivo. Mohammed Kudus chega ao Mundial como um dos jogadores africanos mais talentosos de sua geração, enquanto Antoine Semenyo e Ernest Nuamah oferecem velocidade, mobilidade e capacidade de desequilíbrio pelos lados do campo. É um ataque capaz de causar problemas para qualquer defesa.

Outro fator importante é a experiência acumulada em Copas do Mundo. Embora não tenha o histórico das grandes potências, Gana já protagonizou momentos marcantes no torneio. A campanha de 2010, quando ficou a um pênalti de uma semifinal histórica, ainda serve como referência para o futebol do país.

Mas nem tudo são certezas. O principal problema dos ganeses nos últimos ciclos foi justamente a regularidade. Em algumas partidas, a equipe demonstra intensidade, qualidade técnica e capacidade para competir contra seleções de alto nível. Em outras, apresenta falhas defensivas e dificuldades para controlar o ritmo do jogo.

A boa notícia é que a atual geração parece mais equilibrada do que a que disputou a Copa de 2022. O elenco conta com atletas atuando nas principais ligas da Europa e uma base que já acumula experiência internacional importante.

Gana talvez não esteja na mesma prateleira das principais forças africanas da atualidade, como Marrocos e Costa do Marfim. Mas também está longe de ser uma seleção que pode ser ignorada. Se encontrar consistência durante o torneio, os Estrelas Negras têm condições reais de brigar por uma vaga no mata-mata.

O craque
Antoine Semenyo

Gana possui uma geração ofensiva talentosa, com nomes como Mohammed Kudus, Ernest Nuamah e Jordan Ayew. Ainda assim, o jogador que chega à Copa do Mundo de 2026 em melhor momento é Antoine Semenyo.

Aos 26 anos, o atacante vive o auge da carreira. Depois de se consolidar na Premier League, uma das competições mais exigentes do planeta, Semenyo se transformou em um dos jogadores mais completos da seleção ganesa. Forte fisicamente, veloz e capaz de atuar em diferentes posições do ataque, ele oferece alternativas que poucos atletas do elenco conseguem proporcionar.

O que chama atenção em seu jogo é a combinação entre potência e técnica. Semenyo consegue atacar espaços em velocidade, vencer duelos individuais, finalizar com eficiência e participar da construção das jogadas, uma característica cada vez mais valorizada no futebol moderno.

Nos últimos anos, deixou de ser apenas uma promessa para assumir papel de protagonista tanto em seu clube quanto na seleção. Durante o ciclo para a Copa de 2026, tornou-se uma das principais referências ofensivas dos Estrelas Negras e frequentemente foi responsável por dar profundidade ao ataque ganês.

Outro ponto que pesa a seu favor é o momento da carreira. Enquanto alguns dos líderes históricos da seleção já entraram na fase final de suas trajetórias, Semenyo chega ao Mundial no auge físico e técnico. É justamente o perfil de jogador que costuma fazer diferença em torneios curtos.

Gana possui outros atletas capazes de decidir partidas, mas poucos reúnem tantas qualidades quanto Semenyo. Se os ganeses pretendem avançar de fase e voltar a sonhar com uma campanha histórica em Copas do Mundo, boa parte dessa missão passará pelos pés do atacante.

Convocados

Confira a lista de convocados de Gana para a Copa do Mundo de 2026.

Goleiros: Benjamin Asare (Hearts of Oak), Lawrence Ati-Zigi (St. Gallen), Joseph Anang (St. Patrick's Athletic), Solomon Agbasi (Hearts of Oak) e Paul Reverson (Ajax).

Defensores: Baba Abdul Rahman (PAOK), Gideon Mensah (Auxerre), Marvin Senaya (Auxerre), Alidu Seidu (Rennes), Abdul Mumin (Rayo Vallecano), Jerome Opoku (Başakşehir), Jonas Adjetey (Wolfsburg), Kojo Oppong Pepprah (Nice) e Alexander Djiku (Spartak Moscou).

Meio-campistas: Elisha Owusu (Auxerre), Thomas Partey (Villarreal), Kwasi Sibo (Real Oviedo), Augustine Boakye (Saint-Étienne), Caleb Yirenkyi (Nordsjaelland), Abdul Fatawu Issahaku (Leicester City) e Kamaldeen Sulemana (Atalanta).

Atacantes: Christopher Bonsu Baah (Al-Qadsiah), Ernest Nuamah (Lyon), Antoine Semenyo (Manchester City), Brandon Thomas-Asante (Coventry City), Prince Kwabena Adu (Viktoria Plzeň), Iñaki Williams (Athletic Bilbao) e Jordan Ayew (Leicester City).


Panamá sonha com classificação histórica

seleção panamáFoto: Reprodução – FIFA/FIFA

O caminho até a Copa

O Panamá chega à Copa do Mundo de 2026 após uma campanha que confirmou a evolução da seleção nos últimos anos. Depois de estrear em Mundiais em 2018 e ficar fora da edição de 2022, os panamenhos voltaram ao principal torneio do futebol mundial ao conquistar uma das vagas diretas da Concacaf.

A caminhada começou de forma dominante. Na segunda fase das eliminatórias, o Panamá venceu os quatro jogos disputados contra Nicarágua, Guiana, Montserrat e Belize, avançando com 100% de aproveitamento.

O desafio aumentou na etapa decisiva. Os Canaleros caíram em um grupo equilibrado ao lado de Suriname, Guatemala e El Salvador. Durante boa parte da campanha, a disputa pela liderança permaneceu aberta, e a classificação só foi definida nas rodadas finais.

O momento decisivo aconteceu em novembro de 2025. Após vencer a Guatemala por 3 a 2 fora de casa, o Panamá chegou à última rodada dependendo apenas de si. Diante de El Salvador, no Estádio Rommel Fernández, venceu por 3 a 0 e confirmou o primeiro lugar da chave, assegurando a vaga direta para a Copa do Mundo.

A classificação também consolidou o trabalho do técnico Thomas Christiansen. A equipe terminou a fase decisiva invicta e voltou a demonstrar a competitividade que já havia levado o país à final da Copa Ouro e a campanhas consistentes nas competições da Concacaf.

Agora, os Canaleros disputarão apenas sua segunda Copa do Mundo. A estreia aconteceu em 2018, na Rússia. O objetivo em 2026 é claro: conquistar os primeiros pontos da história do país em Mundiais e mostrar que a classificação é resultado da evolução do futebol panamenho.

O que esperar?

O Panamá chega à Copa do Mundo de 2026 sabendo que não está entre os favoritos, mas também consciente de que deixou de ser uma seleção meramente participante. Nos últimos anos, o país se consolidou como uma das forças emergentes da Concacaf e passou a competir em pé de igualdade com equipes tradicionais da região.

O principal mérito da equipe está na organização coletiva. Sob o comando de Thomas Christiansen, o Panamá desenvolveu uma identidade baseada em intensidade, disciplina tática e forte comprometimento defensivo. É uma seleção que raramente se desorganiza e costuma dificultar a vida dos adversários.

Outro ponto importante é a experiência acumulada recentemente. Mesmo com apenas uma participação em Copas do Mundo, os panamenhos têm presença constante nas fases decisivas da Liga das Nações da Concacaf e da Copa Ouro. Esse crescimento ajudou a reduzir a distância para seleções como Estados Unidos, México e Canadá.

Por outro lado, o elenco ainda carece de jogadores capazes de decidir partidas individualmente. Em muitos momentos, a equipe encontra dificuldades para transformar volume de jogo em gols, algo que pode fazer diferença em confrontos equilibrados.

A ampliação da Copa para 48 seleções também abre uma oportunidade inédita. Em formatos anteriores, avançar de fase parecia um objetivo distante. Agora, com a possibilidade de classificação entre os melhores terceiros colocados, o Panamá pode sonhar em permanecer vivo na disputa até as últimas rodadas.

Seria uma surpresa vê-lo brigando pelas fases mais avançadas do torneio. Mas também seria um erro tratá-lo como figurante. Se repetir a organização e a competitividade demonstradas durante o ciclo classificatório, o Panamá tem condições de lutar por uma classificação histórica ao mata-mata.

O craque
Adalberto Carrasquilla

Se existe um jogador que simboliza a evolução recente do futebol panamenho, esse jogador é Adalberto Carrasquilla. Aos 27 anos, o meio-campista chega à Copa do Mundo de 2026 como principal referência técnica da seleção.

Conhecido como "Coco", Carrasquilla é o cérebro da equipe comandada por Thomas Christiansen. Enquanto o Panamá se destaca pela intensidade e pela organização coletiva, cabe a ele dar qualidade à construção das jogadas, controlar o ritmo das partidas e conectar defesa e ataque.

Nos últimos anos, o camisa 8 se consolidou como um dos melhores jogadores da Concacaf. Suas atuações foram fundamentais na campanha que levou o Panamá à final da Copa Ouro de 2023 e na classificação para o Mundial de 2026. Não por acaso, foi eleito o melhor jogador da Copa Ouro em 2023.

Sua principal virtude é a versatilidade. Carrasquilla pode atuar como volante, meia central ou mais avançado, participando constantemente da construção ofensiva. É o jogador responsável por organizar a equipe quando ela precisa propor o jogo.

Em uma seleção sem grandes estrelas das principais ligas europeias, seu papel ganha ainda mais relevância. Enquanto muitos companheiros se destacam pelo esforço coletivo, Carrasquilla oferece criatividade e qualidade técnica acima da média.

Se o Panamá pretende conquistar os primeiros pontos de sua história em Copas do Mundo e sonhar com uma classificação inédita ao mata-mata, boa parte dessa missão passará pelos pés de Adalberto Carrasquilla.

Convocados

Goleiros: 
Orlando Mosquera (Al-Fayha), Luis Mejía (Nacional) e César Samudio (Marathón).

Defensores: César Blackman (Slovan Bratislava), Jorge Gutiérrez (Deportivo La Guaira), Amir Murillo (Beşiktaş), Fidel Escobar (Saprissa), Andrés Andrade (LASK Linz), Edgardo Fariña (Nizhny Novgorod), José Córdoba (Norwich City), Eric Davis (Plaza Amador), Jiovany Ramos (Academia Puerto Cabello) e Roderick Miller (Turan).

Meio-campistas: Aníbal Godoy (San Diego FC), Adalberto Carrasquilla (Pumas), Carlos Harvey (Minnesota United), Cristian Martínez (Ironi Kiryat Shmona), José Luis Rodríguez (Juárez), César Yanis (Cobresal), Yoel Bárcenas (Mazatlán), Alberto Quintero (Plaza Amador) e Azarías Londoño (Universidad Católica).

Atacantes: Ismael Díaz (León), Cecilio Waterman (Coquimbo Unido), José Fajardo (Universidad Católica) e Tomás Rodríguez (Saprissa).


Palpite da redação

A redação aposta na classificação de Inglaterra e Croácia para as oitavas de final. Gana aparece logo atrás e tem qualidade suficiente para brigar pela segunda vaga até a última rodada. O Panamá corre por fora e tentará aproveitar qualquer oportunidade para surpreender os favoritos.

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