Janja cobra retirada do Discord do ar e ANPD suspende transmissões ao vivo
Medida preventiva dá três dias úteis para que a plataforma adote medidas eficazes de proteção de crianças e adolescentes; serviço de mensagens continua funcionando no país
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A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil. A medida é preventiva e estabelece prazo de três dias úteis para que a plataforma cumpra a determinação.
A decisão não representa o bloqueio do Discord no país. A suspensão é restrita à ferramenta de transmissões ao vivo, conhecida como “Go Live”, utilizada para transmitir vídeos em servidores da plataforma.
Segundo a ANPD, a medida foi adotada após a agência identificar evidências de que a empresa não teria implementado medidas consideradas suficientes para prevenir e reduzir riscos relacionados à exposição de crianças e adolescentes a conteúdos ou práticas que possam representar graves violações de direitos.
Entre as situações citadas estão casos de indução, incitação, instigação ou auxílio à violência, à automutilação e ao suicídio.
A fiscalização foi instaurada na última sexta-feira (7), após informações sobre falhas na proteção de menores de idade. A ANPD também informou que recebeu documentos do Discord na segunda-feira (10) e se reuniu com representantes da empresa na terça-feira (11).
De acordo com a agência, o Discord não tem acesso ao conteúdo das transmissões de vídeo enquanto elas acontecem. Com isso, a plataforma não consegue utilizar, durante as transmissões, mecanismos próprios de análise audiovisual e identificação em tempo real de possíveis crimes, dependendo de sistemas automatizados e de denúncias dos usuários.
Dados da SaferNet Brasil citados pela ANPD apontam aumento de 54% nas denúncias envolvendo o Discord nos primeiros sete meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 405 denúncias neste ano, contra 264 em 2025.
A decisão ocorre após o governo federal cobrar da empresa medidas para reforçar a proteção de crianças e adolescentes, incluindo mecanismos de verificação de idade e prevenção de riscos. Na segunda-feira (10), o Discord apresentou à Advocacia-Geral da União uma proposta com ações para ampliar a segurança dos usuários.
A medida também ocorre após críticas públicas relacionadas a casos envolvendo adolescentes na plataforma. Na semana passada, a primeira-dama Janja da Silva defendeu a retirada do Discord do ar após um caso envolvendo uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida a cometer suicídio durante uma transmissão.
A ANPD esclarece que o objetivo da suspensão é reduzir riscos considerados graves ou de difícil reparação até que o Discord comprove a adoção de medidas efetivas de proteção para crianças e adolescentes.
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