Irã amplia conflito ao atacar países do Golfo após nova ofensiva dos EUA
Mísseis atingiram alvos na Jordânia, Kuwait, Omã e Catar; Teerã também anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, elevando o risco de uma crise regional
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Ibrahim Amro / AFP
O conflito entre Irã e Estados Unidos ganhou um novo e perigoso capítulo neste domingo (12). Após uma série de bombardeios americanos contra instalações militares iranianas, Teerã respondeu com ataques a alvos ligados aos EUA em quatro países do Golfo: Jordânia, Kuwait, Omã e Catar. A escalada aumenta o risco de uma guerra regional e provoca preocupação com os impactos sobre a navegação internacional e o mercado global de petróleo.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter destruído um centro de comando e hangares de drones na Jordânia, atacado um radar americano no Kuwait, atingido plataformas de apoio a porta-aviões em Omã e bombardeado uma instalação de manutenção de jatos e um centro de comando no Catar.
O governo do Catar confirmou que seus sistemas de defesa interceptaram mísseis iranianos, mas informou que três pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas por estilhaços. A Jordânia registrou danos materiais leves após a queda de três mísseis, sem vítimas. Nos Emirados Árabes Unidos, as autoridades informaram que ameaças detectadas foram neutralizadas fora do território nacional, enquanto sirenes de alerta também foram acionadas no Bahrein.
A resposta iraniana ocorre um dia após o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos anunciar ataques contra 140 alvos militares no Irã, como parte de uma ofensiva que já soma mais de 300 objetivos atingidos em três noites. Segundo Washington, a operação busca reduzir a capacidade iraniana de ameaçar embarcações comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz.
A mídia estatal iraniana informou que os bombardeios americanos mataram o tenente Hamidreza Dehghani, integrante da Marinha iraniana, durante um ataque ao porto de Jask. Em reação, Teerã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
A Guarda Revolucionária afirmou ainda ter disparado tiros de advertência contra embarcações que tentavam cruzar a região e declarou que nenhuma passagem será permitida até nova ordem. Neste domingo, um navio sofreu um incêndio próximo à Península de Musandam, em Omã, obrigando a tripulação a abandonar a embarcação. Vinte e três pessoas foram resgatadas, enquanto um tripulante permanece desaparecido.
A nova escalada acontece apesar das recentes tentativas de negociação entre Irã, Omã e Catar para garantir a segurança da navegação em Ormuz. Um memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã em junho previa um cessar-fogo e um prazo de 60 dias para buscar uma solução diplomática, mas o acordo perdeu força após a retomada dos ataques.
A comunidade internacional acompanha a evolução da crise com preocupação. O Paquistão, que atua como mediador, voltou a pedir moderação às duas partes, enquanto o risco de novos confrontos mantém em alerta governos e mercados diante da possibilidade de interrupções no fluxo mundial de petróleo e da ampliação do conflito no Oriente Médio.
