PP e União Brasil devem ficar neutros na eleição presidencial e frustram aproximação com Flávio Bolsonaro
Federação União Progressista avalia não declarar apoio nacional ao senador do PL após desgastes com lideranças partidárias e pressão de diretórios estaduais
Por Gazeta do Paraná
Créditos: BRENO ESAKI/METRÓPOLES
A federação formada por União Brasil e Progressistas (PP) não deve apoiar oficialmente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República nas eleições de 2026. A tendência é que as duas siglas adotem neutralidade na disputa nacional e deixem os diretórios estaduais livres para definir alianças conforme os interesses locais.
A decisão ocorre após desgastes entre Flávio e dirigentes da federação, além da pressão de lideranças regionais que avaliam que um apoio antecipado ao bolsonarista poderia prejudicar candidaturas estaduais, principalmente no Nordeste, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém força eleitoral.
Um dos principais atritos envolve o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira. O partido esperava uma manifestação pública de Flávio após Nogueira ser alvo de uma operação da Polícia Federal em investigação envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, mas o apoio não aconteceu.
Outro episódio que aumentou a insatisfação ocorreu após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), aliado de Flávio e pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. Ele foi preso após um fuzil ser encontrado no porta-malas de seu carro durante uma operação da Polícia Federal. Dirigentes do União Brasil também esperavam uma declaração pública de apoio do senador, o que não ocorreu.
Apesar da decisão de não apoiar nacionalmente Flávio Bolsonaro, partidos da federação devem manter autonomia nos estados. Em São Paulo, por exemplo, o PP pretende apoiar o senador do PL para fortalecer a candidatura de Guilherme Derrite ao Senado.
A federação União Progressista reúne duas das maiores bancadas do Congresso e deverá atuar conjuntamente por pelo menos quatro anos, mas busca preservar espaço político regional para a eleição de 2026.
