Impasse sobre acesso ao Santa Felicidade mobiliza moradores em Cascavel
Após mudanças no viaduto da Petrocon, comunidade passou a enfrentar trajetos mais longos e agora pressiona autoridades por um retorno oficial
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A decisão da concessionária EPR Iguaçu de iniciar o fechamento do acesso irregular aberto por moradores na marginal da BR-277, em Cascavel, gerou a insatisfação da comunidade do bairro Santa Felicidade e ampliou a pressão sob a prefeitura de Cascavel por uma solução definitiva para o problema de mobilidade na região.
Na manhã desta terça-feira (26), equipes da concessionária começaram os procedimentos para bloquear a passagem improvisada existente na altura do bairro. O local passou a receber sinalização com cones e instalação de guard rail, estrutura metálica utilizada para impedir a circulação de veículos pelo trecho.
O acesso havia sido aberto pelos próprios moradores após mudanças implantadas no viaduto da Petrocon, que alteraram o fluxo viário da região e dificultaram a entrada no Santa Felicidade. Desde então, motoristas passaram a enfrentar percursos mais longos para chegar ao bairro, sendo obrigados a realizar desvios pelo bairro 14 de Novembro. Vale lembrar que a mudança no tráfego da região foi de responsabilidade da Prefeitura de Cascavel, quando implantou alterações no trânsito no viaduto do bairro 14 de Novembro.
Com a abertura improvisada no canteiro central da rodovia, muitos condutores passaram a utilizar o trecho como uma alternativa mais rápida para acessar a marginal da BR-277 e reduzir o tempo de deslocamento diário.
Apesar de ilegal, o acesso acabou se tornando uma solução prática para parte da comunidade, principalmente para trabalhadores e moradores que utilizam o trajeto várias vezes ao dia. O problema, no entanto, rapidamente passou a preocupar pelas condições precárias e pelos riscos envolvidos.
O trecho improvisado fica em uma área de intenso movimento da BR-277 e também da marginal, onde veículos trafegam em alta velocidade. A travessia irregular do canteiro central aumentava o risco de colisões e acidentes, especialmente em horários de maior fluxo.
Com as chuvas registradas nos últimos dias, a situação ficou ainda mais delicada. O barro acumulado no local deixou a passagem escorregadia, elevando o risco de derrapagens, principalmente para motociclistas que utilizavam o atalho diariamente.
Mesmo diante do perigo, moradores afirmam que o problema maior continua sendo a falta de uma alternativa oficial e segura de acesso ao bairro. A comunidade argumenta que as alterações realizadas no sistema viário acabaram isolando parte da região e dificultando a rotina de quem depende da rodovia.
A situação vem gerando revolta e indignação entre os moradores do Santa Felicidade, que cobram providências das autoridades e uma solução definitiva para o problema
Nos últimos dias, moradores intensificaram a mobilização e chegaram a pedir oficialmente a liberação definitiva do retorno.
A repercussão do caso também chegou ao meio político. A Comissão de Obras da Câmara de Vereadores de Cascavel pretende apresentar um requerimento solicitando urgência na análise e eventual liberação de um retorno oficial no trecho.
Quem circula diariamente pela região acompanha a mobilização da comunidade e reforça a necessidade de uma solução definitiva. Para muitos motoristas, o atual modelo de acesso obriga deslocamentos excessivos e acaba aumentando o trânsito em bairros vizinhos.
A Prefeitura de Cascavel informou que já protocolou junto à concessionária um pedido de viabilidade técnica para implantação de um acesso oficial no trecho. Segundo o município, a solicitação foi encaminhada ainda no mês de março.
De acordo com a administração municipal, neste mês foi recebido um parecer indicando viabilidade técnica para a obra. A prefeitura afirma que trabalha agora na elaboração do anteprojeto e do projeto executivo, etapas necessárias para atender às exigências técnicas previstas para a implantação do acesso.
Os estudos deverão considerar questões de segurança viária, geometria da pista, fluxo de veículos e adequações previstas nas normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Enquanto isso, a comunidade segue pressionando por agilidade no processo. Moradores alegam que a demora para definição de uma solução oficial prolonga os transtornos e obriga a população a conviver diariamente com dificuldades de deslocamento.
Em nota, a EPR Iguaçu informou que a implantação de acessos em rodovias concessionadas depende da apresentação de projetos técnicos, que posteriormente precisam passar por validação e homologação junto à ANTT.
Segundo a concessionária, o procedimento é necessário para garantir que qualquer intervenção esteja adequada aos parâmetros de segurança exigidos para o trecho.
A empresa confirmou ainda que foi procurada pela Prefeitura de Cascavel para verificação da viabilidade de implantação ou alteração das alças de acesso na região do Santa Felicidade.
Conforme a EPR, o projeto segue em elaboração pelo município e posteriormente deverá tramitar pelos órgãos responsáveis até eventual aprovação definitiva.
Enquanto o processo não é concluído, a concessionária afirma que continuará adotando medidas para garantir a segurança viária e a trafegabilidade no segmento da BR-277.
Já os moradores insistem que a solução precisa sair do papel o mais rápido possível. Para a comunidade, o fechamento do acesso improvisado evidencia um problema que, segundo eles, ainda está longe de ser resolvido.
