Créditos: Jonathan Campos/AEN
Número de pessoas que buscam emprego há mais de 2 anos atinge menor nível da história
Levantamento do primeiro trimestre de 2026 aponta queda acentuada no contingente de brasileiros em busca de trabalho há pelo menos 24 meses. Dinamismo do mercado e avanço do trabalho autônomo explicam a marca histórica
O número de brasileiros que procuram emprego há dois anos ou mais caiu 21,7% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país passou a ter 1,089 milhão de pessoas nessa situação, o menor nível desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.
No primeiro trimestre de 2025, o contingente era de quase 1,4 milhão de pessoas em busca de trabalho há pelo menos 24 meses. O pico da série ocorreu em 2021, durante os impactos da pandemia de covid-19, quando 3,5 milhões de brasileiros estavam há dois anos ou mais tentando uma recolocação profissional.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, principal levantamento sobre o mercado de trabalho brasileiro.
Número de desempregados de longo prazo recua em todas as faixas
Além da queda entre os trabalhadores que procuram emprego há mais de dois anos, o IBGE também identificou redução nas demais faixas de tempo de procura.
Entre as pessoas que buscavam trabalho havia mais de um mês e menos de um ano, o total chegou a 3,380 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2021, auge da pandemia, esse grupo chegou a quase 7 milhões de pessoas.
Já entre os brasileiros que estavam procurando emprego havia mais de um ano e menos de dois anos, o país registrou 718 mil pessoas nessa condição, redução de 9% na comparação anual. O maior patamar dessa faixa também foi registrado em 2021, com 2,6 milhões.
A única faixa que ainda não atingiu o menor nível da série histórica é a de pessoas que procuravam emprego havia menos de um mês. Entre janeiro e março deste ano, quase 1,4 milhão de brasileiros estavam nessa situação.
Apesar de representar queda de 14,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025, o número ainda permanece acima do registrado em 2014, quando havia 1,016 milhão de pessoas procurando trabalho há menos de 30 dias.
Como está distribuído o desemprego no Brasil
Segundo a Pnad Contínua, o Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 6,6 milhões de desocupados.
A divisão por tempo de procura mostra o seguinte cenário:
- menos de um mês: 21,2% dos desocupados;
- de um mês a menos de um ano: 51,4%;
- de um ano a menos de dois anos: 10,9%;
- dois anos ou mais: 16,5%.
- IBGE aponta mercado de trabalho mais dinâmico
O analista da pesquisa do IBGE, William Kratochwill, afirmou que a redução do desemprego de longo prazo está diretamente ligada ao comportamento mais aquecido do mercado de trabalho.
“As pessoas estão gastando menos tempo para se realocar. O mercado está mais dinâmico”, explicou.
No fim de abril, o IBGE já havia divulgado que a taxa de desemprego brasileira fechou o primeiro trimestre de 2026 em 6,1%, o menor índice desde o início da série histórica.
Apesar da melhora nos indicadores, o pesquisador faz uma ressalva sobre a qualidade das vagas ocupadas.
“Não necessariamente é melhora na qualidade do trabalho”, ponderou.
Crescimento do trabalho por conta própria ajuda a reduzir desemprego
A pesquisa considera pessoas com 14 anos ou mais e contabiliza todas as formas de ocupação, incluindo trabalhadores com carteira assinada, temporários, informais e autônomos.
Pelas regras do IBGE, é considerada desocupada apenas a pessoa que efetivamente procurou trabalho nos 30 dias anteriores à entrevista.
A pesquisa é realizada em cerca de 211 mil domicílios espalhados por todos os estados e pelo Distrito Federal.
Segundo William Kratochwill, a queda do desemprego de longa duração também não está relacionada ao desalento - situação em que a pessoa deixa de procurar emprego por acreditar que não conseguirá uma vaga.
“A desistência é um ponto que já podemos descartar. O mercado de trabalho tem se mostrado persistente nas contratações e na manutenção do emprego”, afirmou.
Outro fator apontado pelo IBGE é o avanço do trabalho por conta própria no país.
De acordo com a pesquisa, o Brasil tinha 25,9 milhões de trabalhadores autônomos no primeiro trimestre de 2026, o equivalente a 25,5% da população ocupada.
No início de 2012, eram 20,1 milhões de pessoas trabalhando nessa modalidade.
“Eles tomam a iniciativa de ser seu próprio negócio”, concluiu o pesquisador.
