Hoesp assume gestão provisória do Hospital Regional de Toledo após crise e rompimento contratual
Unidade passa por transição emergencial após rompimento com antiga gestora, com promessa de retomada gradual dos atendimentos em até 15 dias
Créditos: Alessandro Vieira/CC
O Hospital Regional de Toledo terá uma nova administração temporária após uma das maiores crises desde a inauguração da unidade. A Prefeitura confirmou que a Associação Beneficente de Saúde do Oeste do Paraná (Hoesp), responsável pela administração do Hospital Bom Jesus assumirá, de forma provisória, a gestão do hospital, enquanto um novo processo licitatório é preparado para definir a empresa responsável em caráter definitivo.
A mudança ocorre após o rompimento unilateral do contrato com o Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS), organização que administrava a unidade até então. A decisão foi oficializada em Diário Oficial nesta quarta-feira (6) e determina o desligamento imediato da entidade.
No documento, o município exige que o IDEAS faça a entrega completa de documentos, prontuários, sistemas, relatórios, inventários e acessos, garantindo a continuidade dos serviços durante o período de transição. A prefeitura informou que um contrato emergencial com o Hospital Bom Jesus deve ser formalizado ainda nesta semana.
A previsão é de que a transição administrativa ocorra em até 15 dias. A expectativa do município é restabelecer o funcionamento pleno da unidade ao final desse período, com a reativação dos 10 leitos de UTI e 59 leitos de enfermaria.
A crise se agravou no último sábado (2), quando os atendimentos foram suspensos. Oito pacientes que estavam internados precisaram ser transferidos para outras unidades por meio da Central de Leitos. A situação mobilizou autoridades e levou à realização de uma reunião emergencial envolvendo a Prefeitura de Toledo, o Ministério Público, a 20ª Regional de Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
Durante o encontro, foi definido um plano de contingência para evitar desassistência à população. Paralelamente, equipes da administração municipal passaram a atuar na reorganização da unidade.
O encerramento do contrato com o IDEAS já vinha sendo analisado antes da paralisação. Uma comissão instaurada pela prefeitura apurava possíveis irregularidades na gestão, incluindo falta de profissionais, descumprimento de metas, falhas nos atendimentos, dívidas com fornecedores e problemas na prestação de contas.
O contrato previa repasses mensais de R$ 1,7 milhão, mas, segundo o município, os pagamentos não vinham sendo realizados desde o fim do ano passado. O caso também repercutiu na Câmara de Vereadores. O presidente do Legislativo, Gabriel Baierle, apontou falta de transparência na condução da situação.
Com a entrada do Associação Beneficente de Saúde do Oeste do Paraná (Hoesp), a nova gestão provisória terá uma série de metas a cumprir. Ao todo, são 26 indicadores que serão monitorados por uma comissão de fiscalização. O não cumprimento das metas poderá resultar em redução proporcional da remuneração, com teto de R$ 1.638.878,85.
Entre os principais objetivos estão a realização de no mínimo 500 internações mensais, sendo ao menos 45% destinadas a moradores de Toledo, a oferta de 1.200 consultas eletivas por mês e a garantia de exames de imagem 24 horas. Também estão previstas metas relacionadas ao tempo de espera por leitos, procedimentos especializados, taxa de ocupação da UTI, controle de infecções, segurança do paciente e avaliação de satisfação dos usuários.
Outro desafio será reduzir o tempo de espera por internações, especialmente para pacientes vindos da UPA e do PAM, com prazos máximos que variam entre 24 e 72 horas, dependendo da especialidade.
A administração municipal afirma que o foco, neste momento, é reorganizar o hospital com rapidez para retomar os atendimentos e evitar impactos à população que depende da unidade. A definição de uma nova gestora permanente deve ocorrer após a conclusão do processo licitatório.
