Com mais de meio século de trajetória, o Trio Parada Dura construiu uma das histórias mais longevas e marcantes da música sertaneja no Brasil, atravessando diferentes gerações e passando por mudanças significativas em sua formação. Entre os episódios mais determinantes dessa trajetória está o acidente aéreo ocorrido em 1982, que impactou diretamente o futuro do grupo e culminou no fim de sua formação mais emblemática alguns anos depois.
O episódio aconteceu em 6 de setembro de 1982, quando a aeronave que transportava os músicos Creone, Barrerito e Mangabinha perdeu o controle durante um voo sob fortes chuvas no interior de São Paulo. Diante das condições adversas, o piloto tentou realizar um pouso de emergência em Espírito Santo do Pinhal, mas a aeronave acabou caindo em uma área de difícil acesso, o que dificultou o trabalho das equipes de resgate.
Apesar da gravidade do acidente, os três integrantes sobreviveram, embora com ferimentos severos. O caso mais delicado foi o de Barrerito, que sofreu uma lesão na coluna e ficou paraplégico. Ainda assim, o artista manteve-se ativo no grupo por cerca de cinco anos após o ocorrido, realizando apresentações em cadeira de rodas e preservando a continuidade da carreira do trio em meio às limitações impostas pela condição física.
A permanência, no entanto, não foi suficiente para conter os impactos acumulados ao longo do tempo. Em 1987, Barrerito decidiu deixar o grupo, em uma decisão influenciada tanto pelo trauma psicológico do acidente quanto pelas dificuldades logísticas e artísticas de manter a rotina intensa de shows. A saída marcou o fim da formação considerada mais icônica do Trio Parada Dura.
Formações e consolidação do grupo
A configuração formada por Creone, Barrerito e Mangabinha, embora seja a mais lembrada pelo público, não foi a primeira da história do grupo. A origem do Trio Parada Dura remonta a 1973, quando Creone iniciou o projeto ao lado da dupla Delmir e Delmon. Essa formação inicial teve curta duração.
Pouco tempo depois, Mangabinha adquiriu os direitos sobre o nome do grupo e reestruturou o trio, reunindo-se com Creone e Barrerito. Foi a partir dessa nova composição que o grupo alcançou projeção nacional, consolidando-se ao longo de aproximadamente 15 anos como uma das principais referências do sertanejo.
Nesse período, o trio emplacou uma série de sucessos que marcaram época, como “Homem de Pedra”, “Último Adeus”, “Panela Velha” e “As Andorinhas”, entre outros títulos que ajudaram a consolidar a identidade musical do grupo.
Com a saída de Barrerito em 1987, o vocal passou a ser assumido por Parrerito, irmão do artista. A transição ocorreu de forma gradual, mas acabou se consolidando por mais de duas décadas, garantindo a continuidade do projeto musical.
Perdas, mudanças e continuidade
A trajetória do Trio Parada Dura também foi marcada por perdas importantes. Em 2015, Mangabinha morreu após complicações decorrentes da diabetes. Para o lugar do sanfoneiro, entrou o músico Xonadão.
Cinco anos depois, em 2020, o grupo sofreu outra baixa significativa com a morte de Parrerito, vítima da Covid-19. Apesar das perdas, o trio seguiu ativo e atualmente mantém sua formação com Creone, Leonito e Xonadão, preservando o legado construído ao longo de décadas.
Carreira solo de Barrerito
Após deixar o grupo, Barrerito deu continuidade à carreira artística de forma independente. Ao longo dos anos, lançou oito álbuns de estúdio e manteve presença no cenário musical com canções como “Onde Estão os Meus Passos” e “Morto por Dentro”.
O cantor morreu em 1998, vítima de um infarto fulminante, encerrando uma trajetória marcada por superação, especialmente após o acidente que mudou definitivamente sua vida e a história do Trio Parada Dura.