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Granizo atinge Cascavel, cobre ruas de gelo e meteorologista alerta para novas tempestades
Temporal com granizo atingiu bairros de Cascavel, provocou alagamentos e baixa visibilidade; meteorologista explica o fenômeno e alerta para novas ocorrências
Uma forte chuva de granizo atingiu Cascavel no fim da manhã desta terça-feira (30) e transformou a paisagem em diferentes regiões da cidade. Em poucos minutos, ruas, calçadas e telhados ficaram cobertos por uma camada de pedras de gelo, enquanto motoristas enfrentaram baixa visibilidade e pontos de alagamento durante a tempestade.
Os bairros Parque São Paulo, Maria Luiza, Universitário, Turisparque e Cascavel Velho estão entre os mais afetados. Moradores registraram a intensa queda de granizo e compartilharam imagens que mostram ruas completamente tomadas pelo gelo.
Na Avenida Carlos Gomes, um dos principais corredores viários da cidade, a combinação entre o granizo e a forte chuva provocou alagamentos. Em alguns trechos, motoristas precisaram parar os veículos devido à dificuldade para enxergar e ao impacto das pedras de gelo.
Apesar da intensidade da tempestade, o granizo não atingiu toda a cidade de maneira uniforme. Segundo o meteorologista Reginaldo Ferreira Santos, esse tipo de fenômeno ocorre em áreas específicas porque depende da formação das nuvens e das diferenças de temperatura e pressão atmosférica.
"O granizo está relacionado com uma nuvem muito alta, onde existe gelo. Uma massa de ar quente sobe rapidamente até essa nuvem e, quando as pedras de gelo ficam pesadas demais, elas caem justamente naquela região. Por isso o granizo não atinge todos os locais ao mesmo tempo", explica.
De acordo com o especialista, tempestades, granizo, tornados e outros fenômenos severos seguem trajetórias determinadas pelas condições atmosféricas de cada momento.
"As massas de ar não são iguais em todos os lugares. Existe diferença de temperatura, de pressão e também da velocidade dos ventos. Isso faz com que esses fenômenos ocorram em determinados pontos e não em toda a região", afirma.
Fenômeno pode voltar a ocorrer
O meteorologista alerta que novas ocorrências de granizo são possíveis ao longo dos próximos meses, especialmente durante o inverno, devido às condições climáticas deste ano.
Segundo ele, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico aumenta a probabilidade de formação do El Niño, cenário que favorece a ocorrência de chuvas mais frequentes e tempestades mais intensas.
"Pode acontecer hoje, amanhã ou em outro momento deste ano. Não significa que vai ocorrer novamente, mas a probabilidade é maior do que em anos sem El Niño", destaca.
Reginaldo explica que o contraste entre períodos de frio intenso e massas de ar mais quente favorece movimentos verticais mais fortes na atmosfera. Esses movimentos impulsionam o ar quente para grandes altitudes, onde as gotas de água congelam, formando as pedras de gelo.
"O inverno deste ano deve ter temperatura média mais elevada, mas também teremos entradas de ar frio. Essa diferença de temperatura aumenta o movimento das massas de ar e favorece a formação de tempestades com granizo", afirma.
Risco de outros fenômenos severos
Além do granizo, o meteorologista afirma que as condições atmosféricas deste ano também podem favorecer outros eventos meteorológicos severos.
Segundo ele, as diferenças de temperatura e pressão aumentam tanto os movimentos verticais quanto os horizontais da atmosfera, o que amplia a possibilidade de tempestades acompanhadas por ventos intensos e, em situações específicas, até mesmo tornados.
"As duas situações são possíveis em maior quantidade neste ano, principalmente durante o inverno. Isso acontece por causa da maior diferença de temperatura e também porque os dados mostram que o Oceano Pacífico continua aquecendo, o que pode fortalecer ainda mais o El Niño", conclui.


