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Governo quer ampliar uso de aeroportos privados para desafogar infraestrutura

Plano Nacional de Logística prevê ampliar voos comerciais em aeroportos privados diante da saturação dos principais terminais paulistas

Por Gazeta do Paraná

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Governo quer ampliar uso de aeroportos privados para desafogar infraestrutura Créditos: Rovena Rosa/Agência Brasil

A saturação da infraestrutura aeroportuária em São Paulo deverá ser enfrentada com a ampliação do uso de aeroportos privados para operações comerciais. A medida está sendo discutida pelo governo federal como uma alternativa para aumentar a capacidade do sistema e acompanhar o crescimento da demanda por transporte aéreo.

A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (12) pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, durante o lançamento do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050. Segundo ele, a concentração de passageiros em grandes terminais tem pressionado a infraestrutura existente e exige novas alternativas para evitar que a expansão do setor fique limitada pela capacidade dos aeroportos.

Entre os principais pontos de pressão estão os aeroportos de Congonhas, Guarulhos, Viracopos e Campo de Marte. No PNL 2050, São Paulo aparece como a única região do país em que foram identificados, neste momento, gargalos de capacidade aeroportuária que justificam a adoção da medida.

De acordo com o ministro, o novo plano dá encaminhamento à possibilidade de permitir voos comerciais em aeroportos privados localizados em regiões com infraestrutura saturada. A ideia é utilizar estruturas que já existem para ampliar a oferta de voos sem depender exclusivamente da construção ou expansão dos grandes aeroportos públicos.

A proposta, no entanto, ainda está em construção e não ficará restrita ao estado de São Paulo. Conforme o plano, aeroportos privados de outras regiões poderão ser utilizados para operações comerciais caso novos gargalos de capacidade sejam identificados no futuro.

A estratégia busca aproveitar a infraestrutura aeroportuária disponível e distribuir melhor a demanda. Na prática, a abertura de novos pontos para operações comerciais pode reduzir a pressão sobre os terminais mais movimentados e criar alternativas para passageiros e companhias aéreas.

O PNL 2050 também chama atenção para outro problema: a distância entre parte dos municípios brasileiros e os aeroportos de maior porte. Segundo o documento, os municípios do país estão, em média, a 329 quilômetros dessas estruturas.

Para o governo, o dado evidencia que o desafio do setor aéreo não está apenas na capacidade dos grandes terminais, mas também na distribuição territorial da infraestrutura. A ampliação da rede poderia facilitar o acesso ao transporte aéreo em regiões atualmente dependentes de deslocamentos terrestres de longa distância para chegar aos aeroportos.

O plano, portanto, combina duas frentes: aumentar a capacidade nas áreas onde os aeroportos já estão próximos do limite e ampliar a presença da infraestrutura aérea em regiões mais distantes dos grandes centros.

No caso paulista, a utilização de aeroportos privados para voos comerciais surge como uma alternativa para absorver parte da demanda que hoje se concentra nos principais terminais. A expectativa é que a medida permita ampliar a oferta sem concentrar ainda mais passageiros e operações nos aeroportos que já enfrentam limitações.

A implementação, porém, dependerá de regulamentação e de uma avaliação das condições de cada aeroporto. O governo ainda deverá definir quais estruturas poderão receber voos comerciais, quais requisitos deverão ser cumpridos e como será feita a integração desses terminais à rede nacional.

Com o PNL 2050, a intenção é antecipar os problemas de capacidade e evitar que o crescimento da demanda por transporte aéreo seja acompanhado por novos gargalos. A utilização de aeroportos privados aparece, nesse cenário, como uma das alternativas para ampliar a infraestrutura disponível e tornar a malha aérea brasileira mais distribuída.

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