Governo prepara nova fase da Infraero com foco em aeroportos regionais e saída dos grandes terminais
Estatal deve vender participações em concessões, concentrar atuação em aeroportos regionais e ampliar prestação de serviços para o setor aéreo
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O governo federal pretende concluir a reestruturação da Infraero e redefinir o papel da estatal no setor aeroportuário brasileiro. A estratégia prevê a saída definitiva da empresa da administração dos grandes aeroportos concedidos à iniciativa privada, concentrando sua atuação na gestão de aeroportos regionais, na prestação de serviços especializados e na execução de projetos de infraestrutura.
Criada há 53 anos, a Infraero já administrou 66 aeroportos no país. Atualmente, a estatal é responsável por 23 aeroportos regionais, além do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Relicitação de Brasília marca nova etapa
A nova diretriz ficou evidente no edital de relicitação do Aeroporto Internacional de Brasília, publicado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O documento prevê cerca de R$ 1,2 bilhão em investimentos até 2037 e determina que a Infraero venda sua participação na concessionária Inframerica, ficando impedida de disputar novamente a concessão do terminal.
A medida foi aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como parte da solução para manter o contrato do aeroporto até 2037. A concessionária atual poderá participar da nova licitação, desde que apresente a proposta vencedora.
Governo quer fortalecer atuação regional
Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o objetivo não é reduzir a importância da Infraero, mas direcionar sua atuação para áreas em que a estatal possa contribuir de forma mais estratégica para a aviação brasileira.
De acordo com o ministro, a empresa deverá concentrar esforços na administração de aeroportos regionais e assumir novas funções ligadas ao desenvolvimento do setor.
Processo começou com as concessões
A perda de protagonismo da Infraero teve início em 2011, quando o governo federal passou a conceder os principais aeroportos brasileiros à iniciativa privada.
O modelo foi adotado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e mantido, com diferentes etapas, nas gestões de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).
Desde 2019, a estatal vem reduzindo gradualmente sua participação nas sociedades responsáveis pelos principais aeroportos do país.
Empresa também reduziu quadro de funcionários
A reestruturação também provocou uma redução significativa no número de empregados.
Dos cerca de 13 mil funcionários que integravam o quadro da Infraero no período de maior atuação da empresa, restam atualmente aproximadamente 3,5 mil trabalhadores.
Desse total, cerca de 890 atuam diretamente na estatal, enquanto aproximadamente 2,7 mil estão cedidos a outros órgãos públicos.
Participações minoritárias devem ser vendidas
Mesmo mantendo participação de 49% nas concessionárias dos aeroportos de Guarulhos, Confins e Viracopos, a Infraero possui influência limitada na gestão desses empreendimentos por ocupar posição minoritária nas sociedades.
O governo também estuda vender essas participações como parte da estratégia de ampliar a presença da iniciativa privada na administração dos grandes terminais aeroportuários.
Além da repactuação da concessão de Viracopos, estudos já estão em andamento para a alienação das participações da estatal em Campinas, Guarulhos e Confins.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o modelo busca combinar aeroportos de grande rentabilidade com terminais menores, tornando as futuras concessões mais atrativas para investidores.
Receita caiu, mas estatal voltou a registrar lucro
A transformação da Infraero também impactou os resultados financeiros da empresa.
O faturamento caiu de R$ 2,488 bilhões em 2024 para R$ 986 milhões em 2025, reflexo da redução da participação da estatal na administração dos grandes aeroportos.
Apesar da queda na receita, a Infraero informou ter encerrado 2025 com lucro líquido de R$ 316,2 milhões, revertendo o prejuízo registrado no exercício anterior, conforme demonstrativo financeiro divulgado pela empresa.
