Governo brasileiro repudia revogação de visto da embaixadora em Washington e acusa EUA de informações falsas
Palácio do Planalto afirma que decisão norte-americana viola normas diplomáticas e faz parte de uma escalada de medidas hostis contra o Brasil
Créditos: Antonio Cruz/Agência Brasi
O governo brasileiro reagiu nesta terça-feira (5) à decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a medida como injustificada, repudiou a decisão e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano são falsas.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que a revogação do visto ocorreu em razão da demora do governo brasileiro em conceder o agrément - aprovação diplomática - ao indicado do presidente Donald Trump para assumir a embaixada norte-americana em Brasília.
Brasil contesta justificativa dos Estados Unidos
Na manifestação oficial, o governo brasileiro negou que tenha descumprido qualquer norma diplomática e afirmou que o pedido de agrément ainda está em análise.
Segundo o Palácio do Planalto, a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas não estabelece prazo para a concessão da autorização ao representante diplomático indicado por outro país.
Além disso, o governo brasileiro argumenta que os Estados Unidos descumpriram a própria convenção ao divulgar publicamente o nome do indicado antes da autorização oficial do Brasil.
"O Governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas", afirma a nota.
Governo vê tentativa de interferência
O comunicado também menciona a negativa de autorização para a entrada de dois funcionários do governo norte-americano no Brasil.
Segundo o Planalto, havia preocupação de que a atuação dessas autoridades pudesse colocar em dúvida o sistema eleitoral brasileiro.
Na avaliação do governo, o episódio demonstra uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro.
"Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente", diz o texto.
Escalada de tensões diplomáticas
O governo brasileiro afirma que a decisão faz parte de uma sequência de ações consideradas hostis adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil.
"A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo", destaca a nota.
O Planalto também lembrou que integrantes do governo federal e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) permanecem submetidos a sanções aplicadas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky.
Segundo o comunicado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem buscado preservar o diálogo entre os dois países e chegou a tratar do tema diretamente com Donald Trump durante visita a Washington, em maio deste ano.
De acordo com o governo brasileiro, na ocasião Lula solicitou ao presidente norte-americano a retirada das sanções individuais impostas a autoridades brasileiras.
