Governo adia votação da reestruturação da ADAPAR após admitir divergências na base aliada
Projeto enviado por Ratinho Junior reformula carreiras da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, altera regras de progressão funcional, cria novo modelo remuneratório e chegou a ser retirado da pauta após impasse entre deputados governistas
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Antonio More/Alep
O governo do Paraná decidiu adiar a votação do projeto que promove uma ampla reestruturação das carreiras da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) após admitir divergências dentro da própria base aliada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
A revelação foi feita pelo líder do governo, deputado estadual Hussein Bakri, durante a sessão plenária desta terça-feira (2), ao justificar a retirada da proposta da pauta de votação. “Eu tive que tomar agora cedo, perto do meio-dia, para salvaguardar um projeto importante que vai ser discutido aqui, que é o projeto da ADAPAR, que não vai ter prejuízo nenhum para eles”, afirmou Bakri.
O parlamentar explicou que solicitou pessoalmente ao presidente da Assembleia o adiamento da apreciação da matéria para a próxima segunda-feira. “Eu fiz um pedido ao presidente expresso para que ele seja votado na segunda-feira”, disse o líder governista.
A fala mais significativa, porém, veio na sequência. Pela primeira vez durante a tramitação da proposta, o líder do governo reconheceu publicamente que o texto ainda enfrenta resistências entre parlamentares que integram a base de sustentação do governador Ratinho Junior.
“Nós estamos resolvendo algumas questões internas ainda em relação a alguns pontos que estão dividindo um pouco a nossa base”, declarou Hussein Bakri.
O deputado também procurou tranquilizar os servidores da agência e garantiu que o adiamento não causará prejuízos à categoria. "É para o bem de vocês. Fiquem seguros e seguras disso”, afirmou.
O que muda na ADAPAR
O projeto adiado é o Projeto de Lei nº 452/2026, encaminhado pelo Poder Executivo por meio da Mensagem nº 31/2026. A proposta promove uma reestruturação completa das carreiras da ADAPAR, criando um novo Quadro Próprio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (QPDA).
A proposta reorganiza as carreiras de Fiscal da Defesa Agropecuária e de Assistente de Fiscalização da Defesa Agropecuária, estabelece novas regras de ingresso, desenvolvimento funcional e promoção na carreira, além de criar novas tabelas remuneratórias.
O texto prevê 600 cargos para fiscais da defesa agropecuária e outros 600 cargos para assistentes de fiscalização agropecuária.
Pelo modelo proposto pelo governo, os servidores passam a receber por subsídio, substituindo parte da estrutura remuneratória atualmente existente. O projeto também extingue vantagens incorporadas ao regime anterior e cria uma Gratificação de Risco Ocupacional (GRO) para atividades consideradas insalubres ou perigosas.
As novas tabelas salariais previstas no projeto estabelecem remuneração inicial de R$ 9,8 mil para fiscais agropecuários e R$ 5,8 mil para assistentes de fiscalização, podendo alcançar R$ 30,5 mil e R$ 18,3 mil, respectivamente, no topo da carreira.
Emendas ampliaram debate
A retirada da proposta da pauta ocorreu um dia após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovar emendas ao projeto.
Entre as alterações discutidas nas comissões está a inclusão dos profissionais de zootecnia entre as categorias aptas a integrar a carreira de fiscalização agropecuária, além de mudanças relacionadas às regras de promoção funcional dos servidores.
As modificações ampliaram o debate em torno da proposta e, segundo a própria fala do líder do governo, ainda não produziram consenso dentro da base governista.
Governo quer concluir votação na próxima semana
Apesar do adiamento, Bakri afirmou que a intenção do Palácio Iguaçu é concluir a tramitação já na próxima segunda-feira. "Nós vamos estar dentro do prazo eleitoral, sem risco nenhum para ninguém, porque o prazo eleitoral é 4 de julho.”
O líder governista ainda pediu publicamente à presidência da Assembleia que a matéria seja apreciada mesmo que seja necessária a convocação de uma sessão extraordinária. “Se tiver que fazer extraordinária, eu quero pedir publicamente para a senhora. Precisamos finalizar na segunda-feira.”
A declaração evidencia que, embora o governo possua ampla maioria na Assembleia Legislativa, a reestruturação da ADAPAR se transformou em uma das raras matérias deste ano a exigir negociações adicionais antes de chegar ao plenário. A estratégia agora é utilizar os próximos dias para construir consenso entre os aliados e evitar surpresas durante a votação.
Créditos: Redação
