Golpe do sósia usa reconhecimento facial para aplicar fraudes de identidade
Nova estratégia identificada pela Serasa Experian usa tecnologia de comparação facial para encontrar pessoas parecidas com os próprios criminosos e tentar superar validações biométricas
Créditos: Pixabay/Imagem ilustrativa
Uma nova estratégia de fraude de identidade usa tecnologia de comparação facial para encontrar pessoas fisicamente semelhantes aos próprios criminosos. O método, chamado de "golpe do sósia", foi identificado pela equipe de inteligência analítica da Serasa Experian e aparece na edição do Mapa da Fraude referente ao primeiro semestre de 2026.
A estratégia aproveita sistemas de reconhecimento facial usados em processos de validação de identidade, como cadastros e abertura de contas. A intenção dos criminosos é encontrar uma pessoa com características semelhantes e utilizar os dados dessa identidade para tentar passar pelos mecanismos de segurança.
Como funciona o golpe do sósia
De acordo com a Serasa Experian, os criminosos usam ferramentas capazes de comparar o próprio rosto com imagens disponíveis em diferentes bases de dados. Entre elas podem estar informações obtidas de forma ilícita.
Os chamados motores de comparação facial procuram pessoas com características físicas semelhantes às do fraudador. A partir dos resultados, o criminoso escolhe uma identidade que considera mais fácil de utilizar em uma tentativa de fraude.
A lógica é diferente da observada em golpes de identidade mais tradicionais. Nesse novo método, o criminoso parte do próprio rosto e procura uma pessoa que tenha aparência parecida.
O processo pode ser resumido em quatro etapas:
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o criminoso utiliza o próprio rosto como ponto de partida;
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procura pessoas com características físicas semelhantes;
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identifica uma possível vítima;
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tenta usar os dados dessa identidade em uma fraude.
Nos golpes mais tradicionais, o caminho costuma ser inverso. O criminoso começa pelos dados de uma pessoa específica e procura uma forma de assumir aquela identidade.
Reconhecimento facial não deve ser usado sozinho
Para Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, o caso mostra que tecnologias criadas para aumentar a segurança também podem ser exploradas pelos criminosos.
A empresa recomenda que o reconhecimento facial não seja tratado como a única etapa de uma autenticação. A combinação de diferentes informações pode ajudar a encontrar inconsistências que não aparecem apenas na comparação entre rostos.
Entre os mecanismos que podem ser utilizados estão:
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validação de documentos;
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prova de vida;
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conferência de dados cadastrais;
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análise do dispositivo utilizado;
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identificação de padrões de comportamento;
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avaliação de outros sinais de risco.
A ideia é analisar o conjunto da operação, e não apenas verificar se o rosto apresentado tem semelhança com uma fotografia cadastrada.
Serasa diz ter bloqueado 2,86 milhões de tentativas
Os dados do Mapa da Fraude apontam que as soluções antifraude da Serasa Experian identificaram e bloquearam 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026.
Segundo a empresa, o número representa crescimento de 32,9% em relação ao mesmo período de 2025. A estimativa é de uma tentativa de alto risco identificada a cada 5,5 segundos.
Ainda de acordo com a Serasa Experian, as tentativas bloqueadas estavam relacionadas a um prejuízo estimado em R$ 3,77 bilhões que teria sido evitado no período.
Os números são baseados nas operações identificadas pelas soluções de prevenção à fraude da própria empresa.
Como evitar golpes envolvendo reconhecimento facial
A Serasa Experian recomenda alguns cuidados para reduzir a exposição de documentos, fotografias e dados pessoais e biométricos.
Entre as principais orientações estão:
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não compartilhar fotos de documentos ou selfies segurando documentos em redes sociais e aplicativos de mensagens;
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fornecer dados pessoais e biométricos somente em sites e aplicativos oficiais;
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proteger o celular e os aplicativos com senhas fortes e autenticação em dois fatores;
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desconfiar de pedidos inesperados de reconhecimento facial enviados por links, e-mails, mensagens ou códigos QR;
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não permitir que desconhecidos fotografem seu rosto ou seus documentos;
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evitar publicar imagens de documentos, mesmo quando parte das informações estiver ocultada;
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manter sistemas operacionais e aplicativos atualizados;
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monitorar regularmente o CPF;
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procurar os canais oficiais das empresas ao identificar movimentações desconhecidas.
Empresas devem combinar diferentes mecanismos
Para as empresas, a recomendação é não depender de uma única informação para confirmar a identidade de um cliente.
A Serasa Experian orienta a combinação de diferentes ferramentas de segurança, como:
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biometria facial e prova de vida;
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validação e análise documental;
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cruzamento de dados cadastrais;
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análise do dispositivo utilizado e da jornada digital;
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monitoramento de tentativas repetidas;
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identificação de padrões suspeitos;
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atualização contínua de regras e modelos antifraude.
A análise conjunta pode ajudar a identificar situações em que o rosto apresenta alto grau de semelhança, mas outros elementos da operação apontam para uma possível tentativa de fraude.
