7 de Setembro vira teste de força para Lula e Flávio Bolsonaro
A menos de um mês do primeiro turno, desfile oficial em Brasília e atos da oposição devem medir a capacidade de mobilização dos dois grupos; no Paraná, polarização nacional pode influenciar campanhas ao Governo e ao Senado
Créditos: Ricardo Stuckert/PR e Lula Marques/Agência Brasil
O 7 de Setembro deste ano chega em meio à reta final da campanha eleitoral e deve funcionar como um dos primeiros grandes testes de mobilização para Lula e Flávio Bolsonaro. Faltando menos de um mês para o primeiro turno, marcado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para 4 de outubro, os dois lados apostam em estratégias diferentes para demonstrar força nas ruas.
Em Brasília, o governo trabalha para ampliar a presença popular no desfile oficial da Independência. Em São Paulo, Flávio Bolsonaro aposta em uma manifestação de oposição ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes.
O momento é de disputa apertada. Pesquisa Datafolha divulgada em 3 de setembro mostrou Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o presidente aparece com 46%, enquanto Flávio tem 44%, resultado dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios.
É nesse cenário que o feriado ganhou importância para as campanhas.
Governo prepara desfile sem propaganda eleitoral
O Palácio do Planalto mobilizou movimentos sociais e militantes para aumentar a presença de público no desfile oficial da Independência, realizado na Esplanada dos Ministérios.
A preocupação é evitar que a cerimônia seja confundida com um ato de campanha. A orientação do governo é não permitir propaganda política no evento oficial. Adesivos, santinhos, bandeiras de campanha e símbolos partidários estão proibidos no espaço do desfile.
A cautela está relacionada às regras eleitorais sobre o uso de bens públicos e a utilização da estrutura do governo em benefício de candidaturas.
A mensagem escolhida para o desfile é "A Força que Une o Brasil". Segundo o Planalto, o lema estará presente nos materiais e cartazes da celebração, que terá como temas a soberania nacional, o combate à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027.
A programação inclui o tradicional desfile na Esplanada, apresentações aéreas e outras atividades da Semana da Pátria.
Para o governo, a demonstração de força estará menos na propaganda eleitoral direta e mais na capacidade de reunir público e apresentar uma imagem de apoio popular em meio à disputa presidencial.
Flávio aposta em manifestação contra Lula e Moraes
Flávio Bolsonaro escolheu outro caminho. O candidato do PL incorporou a crise envolvendo Alexandre de Moraes à convocação para os atos de 7 de Setembro.
A principal manifestação está prevista para a Avenida Paulista, em São Paulo. Aliados tratam o evento como uma oportunidade para testar a capacidade de mobilização do bolsonarismo e dar visibilidade à candidatura.
A convocação utiliza o slogan "fora, Lula; fora, Moraes".
A crise envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e o empresário Daniel Vorcaro também passou a ocupar espaço no discurso da oposição. As revelações sobre a relação entre os dois ampliaram a pressão política sobre Moraes e devem aparecer nas manifestações do feriado.
Para Flávio, o desafio é levar para as ruas uma parcela significativa do eleitorado que hoje se manifesta principalmente nas redes sociais. A presença física nos atos pode servir como demonstração de força em uma campanha marcada pela polarização.
A estratégia também busca aproximar o caso Moraes do governo Lula e transformar a pauta em um dos elementos centrais dos atos.
Mobilização pode ter reflexos no Paraná
O resultado das manifestações também interessa ao Paraná. O estado já entrou no roteiro eleitoral de Flávio Bolsonaro.
No sábado (5), o candidato esteve em Ponta Grossa ao lado de Sergio Moro e Filipe Barros, reforçando a ligação entre sua campanha presidencial e o palanque paranaense do PL.
O possível efeito sobre a eleição estadual, no entanto, não depende apenas do tamanho dos atos. Imagens de multidões, discursos e manifestações de apoio podem ser usadas pelas campanhas nos dias seguintes para reforçar a ideia de que determinado grupo político mantém força eleitoral.
Uma grande mobilização de apoiadores de Flávio, por exemplo, pode ser aproveitada por candidatos ligados ao campo conservador. No Paraná, Moro e Filipe Barros estão entre os nomes que podem se beneficiar politicamente dessa associação.
O contrário também pode acontecer. Uma participação abaixo das expectativas pode enfraquecer a tentativa de apresentar os atos como uma demonstração ampla de força eleitoral.
Eleição paranaense tem dinâmica própria
Apesar da influência da disputa nacional, a eleição no Paraná possui características próprias.
Pesquisa Quaest contratada pela RPC, realizada entre 20 e 23 de agosto com 804 eleitores, mostrou Sergio Moro com 37% das intenções de voto para o Governo do Paraná. Requião Filho apareceu com 21%, seguido por Sandro Alex, com 15%. A margem de erro foi de três pontos percentuais.
Na disputa pelo Senado, Alexandre Curi tinha 15%, Gleisi Hoffmann aparecia com 11%, enquanto Filipe Barros e Deltan Dallagnol registravam 9% cada. Cristina Graeml tinha 8%. O levantamento apontou ainda 28% de eleitores indecisos.
Outro levantamento, realizado pelo Real Time Big Data e divulgado em 28 de agosto, mostrou Moro com 35%, Sandro Alex com 23% e Requião Filho com 20%. Foram ouvidos 1.600 eleitores entre 24 e 27 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Os resultados mostram uma disputa estadual competitiva. Por isso, o 7 de Setembro pode influenciar o ambiente político, mas não substitui os fatores próprios da eleição paranaense.
Ruas podem virar peça de campanha
O peso político do feriado estará principalmente nas imagens produzidas pelos dois lados.
Lula terá como principal cenário o desfile oficial, com toda a estrutura institucional da cerimônia. Ao mesmo tempo, precisará evitar que o evento seja caracterizado como um ato eleitoral.
Flávio Bolsonaro terá maior liberdade para fazer uma manifestação de oposição, mas enfrentará outro desafio: demonstrar que a polarização ainda consegue mobilizar um número expressivo de pessoas fora das redes sociais e do núcleo mais fiel do bolsonarismo.
São, portanto, testes diferentes.
Para Lula, a questão é demonstrar popularidade sem misturar a estrutura do governo com a campanha.
Para Flávio, é mostrar capacidade de mobilização e transformar a pauta contra Moraes e o governo Lula em uma demonstração pública de força.
A Reuters também apontou que a campanha de Lula adotou cautela diante dos riscos jurídicos e políticos do feriado, enquanto Flávio aposta na mobilização e na exploração da crise envolvendo o Supremo.
No Paraná, os efeitos podem aparecer nos palanques estaduais. Uma demonstração de força do campo lulista pode ser utilizada por candidatos alinhados ao presidente. Do outro lado, uma grande mobilização bolsonarista pode ser incorporada ao discurso de Moro, Filipe Barros e outros candidatos do campo conservador.
O eleitor paranaense, porém, terá outras escolhas pela frente. No mesmo dia da eleição, serão escolhidos governador, dois senadores, deputado federal, deputado estadual e presidente da República.
Por isso, uma manifestação nacional pode influenciar diferentes disputas ao mesmo tempo. Uma imagem de multidão pode fortalecer uma candidatura presidencial, um discurso contra Moraes pode ser explorado por candidatos ao Senado e uma demonstração de força de um grupo político pode reforçar alianças estaduais.
Feriado antecede reta final da campanha
O 7 de Setembro não será uma pesquisa eleitoral e não permitirá medir diretamente a intenção de voto. O que estará em avaliação é a capacidade de cada grupo de mobilizar apoiadores e transformar essa mobilização em uma narrativa política.
Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao feriado separados por poucos pontos em diferentes levantamentos. A disputa pelas ruas, portanto, ocorre em um momento no qual cada imagem e cada discurso podem ganhar espaço nas redes sociais e na propaganda eleitoral.
Para o Paraná, o resultado será observado pelos candidatos que disputam as eleições estaduais e pelo Senado, principalmente porque parte dos palanques locais já está ligada à polarização nacional.
A partir de 8 de setembro, o desafio das campanhas será transformar a repercussão das manifestações em argumento eleitoral e, principalmente, em votos.
