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Fraude em filiação partidária impede Flávio Bolsonaro de registrar candidatura à Presidência

Senador apareceu como filiado ao Missão no sistema eleitoral; PL afirma ter perdido acesso ao sistema e campanha quer investigação da Polícia Federal

Por Gazeta do Paraná

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Fraude em filiação partidária impede Flávio Bolsonaro de registrar candidatura à Presidência Créditos: Lula Marques/Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi impedido de registrar, nesta quinta-feira (13), sua candidatura à Presidência da República após aparecer como filiado ao partido Missão, legenda que também lançou Renan Santos ao Palácio do Planalto. A alteração foi identificada pela equipe jurídica do parlamentar quando os documentos para o registro começaram a ser preparados.

A situação provocou uma corrida contra o tempo, já que o prazo para o registro das candidaturas termina às 19h deste sábado (15). Para que Flávio possa disputar a eleição pelo PL, a filiação ao partido precisa ser restabelecida no sistema da Justiça Eleitoral.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não houve invasão de seus sistemas. A Corte informou que o cadastro da filiação de Flávio ao Missão foi realizado por um representante da própria legenda. A informação contrasta com a suspeita inicialmente levantada pela campanha, que chegou a considerar a possibilidade de um ataque hacker, venda de senha ou acesso indevido às credenciais utilizadas no sistema.

O PL também relatou ter perdido o acesso ao sistema do TSE e, por isso, não conseguiu concluir o registro da candidatura. A equipe do senador pretende solicitar à Polícia Federal a abertura de um inquérito para identificar quem realizou a alteração e em quais circunstâncias.

A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que integra a equipe jurídica da campanha, classificou a mudança como fraudulenta. Segundo ela, uma certidão emitida pelo sistema eleitoral às 23h17 de quarta-feira (12) ainda mostrava Flávio como filiado ao PL. A alteração teria ocorrido entre a noite de quarta-feira e a manhã desta quinta.

“É inequívoco que foi fraudulento”, afirmou a advogada, acrescentando que ainda não há elementos suficientes para determinar como a mudança ocorreu. Ela também informou que a equipe acionou o TSE e buscou uma reunião com o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, para tratar do caso.

O registro eleitoral consultado pela campanha aponta que Flávio teria deixado o PL na quarta-feira e, posteriormente, passado a constar como integrante do Missão. Embora sua situação eleitoral apareça como “regular”, a mudança cria um obstáculo para a candidatura, já que o Missão já possui candidato à Presidência e as convenções partidárias foram encerradas no último dia 5 de agosto.

O próprio Missão apresentou uma versão diferente sobre o episódio. Em nota, a legenda afirmou ter sido vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro. Segundo o partido, seu sistema teria identificado a irregularidade e tentado cancelar o registro no mesmo dia, mas o pedido foi rejeitado pelo TSE.

A legenda também afirmou que o gabinete do senador teria sido comunicado sobre a tentativa de filiação desde o dia 2 de agosto. De acordo com o Missão, os e-mails enviados foram abertos, mas não receberam resposta.

O partido informou ainda que pretende colaborar com as investigações e disponibilizar às autoridades e à imprensa registros de acesso, e-mails e endereços de IP relacionados ao episódio. A legenda declarou que não tem interesse na filiação de Flávio e classificou o caso como uma tentativa fraudulenta.

O episódio guarda semelhança com um caso envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2024, Lula apareceu nos registros da Justiça Eleitoral como filiado ao PL, embora fosse integrante do PT. Na ocasião, a Polícia Federal abriu investigação por determinação do TSE.

Naquele caso, a Corte apontou indícios de falsidade ideológica relacionados à inserção de dados falsos no sistema eleitoral. O login utilizado para incluir a informação foi posteriormente cancelado, e a filiação de Lula ao PT foi restabelecida.

A campanha de Flávio citou justamente esse episódio para reforçar a necessidade de uma investigação. Segundo Bucchianeri, os sistemas da Justiça Eleitoral passaram por aprimoramentos depois do caso envolvendo Lula, o que torna necessário esclarecer como a alteração cadastral do senador foi possível.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, classificou o episódio como uma “falsificação”. Nos bastidores, integrantes da legenda levantaram a possibilidade de um ataque hacker, mas informações preliminares indicam que outras hipóteses também estão sendo analisadas.

Enquanto a situação não for corrigida, o PL não consegue protocolar o pedido de registro da candidatura. A advogada explicou que será necessário primeiro restabelecer formalmente a filiação de Flávio ao partido.

O senador foi oficializado como candidato do PL durante convenção nacional realizada no fim de julho, em São Paulo. A candidatura representa a principal aposta do partido para a disputa presidencial de 2026 e foi apresentada como continuidade do projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com o prazo de registro se encerrando no sábado, a resolução da pendência passou a ser uma prioridade para o partido. Até o momento, seis candidatos já haviam registrado suas candidaturas no TSE: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Hertz Dias (PSTU), Samara Martins (UP), Wilson Grassi (Democrata), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

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