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Frango e suíno ampliam exportações, mas mercado interno impõe desafios diferentes ao Paraná

Estado lidera embarques brasileiros de carne de frango e registra alta de 24,3% nas vendas externas de carne suína; enquanto avicultura ensaia recuperação de preços, maior oferta de suínos pressiona cotações no Sul

Por Gazeta do Paraná

Frango e suíno ampliam exportações, mas mercado interno impõe desafios diferentes ao Paraná Créditos: Jonathan Campos / AEN

Duas das principais cadeias do agronegócio paranaense chegam ao fim do terceiro trimestre de 2026 com exportações em alta, mas enfrentando situações distintas dentro do país. Frango e carne suína ganharam espaço no mercado internacional, enquanto o comportamento da oferta e dos preços internos revela cenários diferentes para produtores e indústrias.

O Paraná permanece no centro desse movimento. Em agosto, o Estado exportou 200,6 mil toneladas de carne de frango, crescimento de 26,4% em relação ao mesmo mês de 2025. O volume manteve o Paraná na liderança nacional, à frente de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás.

Na carne suína, o Estado aparece na terceira posição entre os maiores exportadores brasileiros. Foram 22,8 mil toneladas embarcadas em agosto, 24,3% acima das 18,4 mil toneladas registradas no mesmo mês do ano passado. O avanço paranaense foi significativamente superior ao crescimento de 8% observado nas exportações brasileiras da proteína no período.

 

Frango ganha fôlego

No mercado brasileiro de frango, o cenário começou a mudar depois de dois meses de queda nos preços. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP (Cepea) mostra que as cotações da carne apresentaram pequena recuperação em agosto na maior parte das regiões pesquisadas.

Segundo o centro de pesquisas, a reação ocorreu principalmente pelo fortalecimento da demanda interna e pelo bom ritmo das exportações. A oferta, que vinha pesando sobre as cotações, passou a ficar mais ajustada à demanda.

No mercado externo, os números ajudam a explicar a recuperação. O Brasil exportou 492,6 mil toneladas de carne de frango em agosto, alta de 24,8% em um ano. A receita chegou a US$ 997,9 milhões, crescimento de 42,7% e segundo melhor resultado mensal da série histórica.

De janeiro a agosto, os embarques brasileiros somaram 3,921 milhões de toneladas, 15,5% acima do mesmo período de 2025. A receita avançou ainda mais, 21,9%, alcançando US$ 7,689 bilhões.

Parte do salto observado na comparação anual, entretanto, deve ser analisada considerando a base de 2025. Naquele período, mercados importantes haviam suspendido temporariamente compras brasileiras após o registro de influenza aviária em uma granja comercial. Com a situação sanitária superada, destinos como China e União Europeia voltaram a ganhar peso nos embarques.

 

Suínos sob pressão no Sul

Na suinocultura, o cenário interno é diferente. O Cepea identificou recuo das cotações do suíno vivo na região Sul neste início de setembro, associado à maior disponibilidade de animais para abate. Mesmo com melhora da procura interna, o aumento da oferta tem limitado a sustentação dos preços recebidos pelo produtor.

O movimento contrasta com os resultados das exportações. O Brasil embarcou 131,1 mil toneladas de carne suína em agosto, crescimento de 8% sobre agosto de 2025. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o volume ultrapassou pela primeira vez em 2026 a marca de 1 milhão de toneladas, chegando a 1,057 milhão, alta de 8,9%.

Há, porém, outro sinal importante nos números. Apesar do aumento do volume exportado em agosto, a receita obtida com a carne suína caiu 1,7%, passando de US$ 294,9 milhões para US$ 289,9 milhões na comparação anual. No acumulado do ano, a receita cresceu 4,8%, ritmo inferior ao avanço de 8,9% do volume comercializado.

Os dados mais recentes do IBGE também mostram a dimensão da oferta nacional. No segundo trimestre deste ano, foram abatidos 15,58 milhões de suínos no país. No mesmo período, o abate de frangos alcançou 1,687 bilhão de aves.

 

Paraná no centro das duas cadeias

A diferença entre os dois mercados ganha relevância especial no Paraná. Na avicultura, o Estado não apenas ocupa a liderança nacional das exportações como responde por parcela expressiva da produção brasileira. Na suinocultura, aparece entre os principais produtores e exportadores do país, com forte concentração da atividade nas regiões Oeste e Sudoeste.

O desempenho recente mostra que exportar mais, isoladamente, não significa necessariamente preços maiores dentro da porteira. No frango, o fortalecimento simultâneo da demanda externa e interna ajudou as cotações a reagirem após dois meses de queda. Nos suínos, por outro lado, o crescimento das vendas externas ainda convive com maior disponibilidade de animais no Sul, mantendo pressão sobre o mercado.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp