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Fim da linha: posse de Luciano Carvalho sela saída de Lórens da Câmara de Curitiba

Três meses após operação do Gaeco abrir crise que passou por denúncia criminal, afastamento, retorno e cassação, cadeira de Lórens Nogueira é oficialmente ocupada por novo vereador

Por Gazeta do Paraná

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Fim da linha: posse de Luciano Carvalho sela saída de Lórens da Câmara de Curitiba Créditos: Rodrigo Fonseca / CMC

A cadeira já tinha um novo ocupante anunciado, mas faltava o último ato. Nesta segunda-feira (31), a posse de Luciano Carvalho (PP) na Câmara Municipal de Curitiba colocou um ponto final, dentro do Legislativo, em uma crise política que se arrastava desde maio e transformou Lórens Nogueira de presidente do Conselho de Ética em vereador cassado.

A troca foi consumada logo no início da sessão. Antes de Luciano prestar o compromisso e assinar o termo de posse, a Câmara registrou formalmente a razão pela qual havia uma cadeira disponível. O Ato da Mesa nº 9 declarou a vaga “em razão da decretação da perda do mandato” de Lórens.

Foi a pá de cal em uma história acompanhada pela Gazeta do Paraná desde maio, quando o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, deflagrou a Operação Déjà-vu. Naquele momento, Lórens exercia seu primeiro mandato e ocupava justamente a presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

 

De presidente do Conselho de Ética a alvo do Gaeco

A Operação Déjà-vu cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos investigados, entre eles o gabinete de Lórens na Câmara. A investigação apurava suspeitas de “rachadinha” e peculato.

Um dos elementos que ganharia peso no caso era uma ação controlada autorizada pela Justiça. Em 30 de abril, investigadores registraram a entrega de R$ 5,6 mil ao então vereador dentro do Instituto Grupo Solidário, no Xaxim. As imagens mostravam Lórens recebendo e contando o dinheiro entregue por uma servidora.

A investigação relacionou o valor à suposta devolução de parte da remuneração da servidora. Lórens sempre negou a acusação. A defesa sustentou que o dinheiro correspondia ao pagamento de um empréstimo particular feito “de amigo para amigo”.

Durante as buscas, quase R$ 120 mil em dinheiro também foram apreendidos, além de celulares, computadores e documentos.

 

O isolamento político

A investigação rapidamente atravessou as portas do Legislativo. Em 1º de junho, a Câmara decidiu por 35 votos a 1 abrir processo por quebra de decoro parlamentar contra Lórens. O único voto contrário ao recebimento da representação foi do próprio investigado.

O placar já indicava o isolamento político que se formava em torno do vereador. O processo ainda passou por mudanças na Comissão Processante, tentativas da defesa de interromper o procedimento e uma fase de instrução com documentos e depoimentos.

Enquanto o julgamento político avançava, o caso ganhou novos capítulos na Justiça. O Ministério Público denunciou Lórens pela suposta prática de “rachadinha”, e a denúncia foi recebida pelo Judiciário.

Segundo a acusação, entre novembro de 2025 e abril de 2026 teriam sido exigidos repasses mensais de R$ 5 mil de uma servidora comissionada. A defesa contestou a versão e continuou sustentando que não havia esquema de devolução de salários.

Em agosto, a Justiça determinou o afastamento cautelar de Lórens por 90 dias e o proibiu de frequentar a Câmara. A defesa conseguiu posteriormente reverter a medida no Tribunal de Justiça do Paraná, permitindo que o vereador retomasse as atividades.

Lórens conseguiu voltar ao Legislativo pela via judicial. Politicamente, porém, o mandato estava perto do fim.

 

29 votos pela cassação

Em 20 de agosto, menos de três meses depois da operação do Gaeco, o plenário decidiu o destino do parlamentar.

Por 29 votos favoráveis à cassação, apenas um contrário, duas abstenções e cinco ausências, Lórens perdeu o mandato conquistado nas eleições de 2024.

Durante o processo, ele voltou a negar a prática de “rachadinha” e sustentou que o vídeo utilizado como um dos elementos do caso registrava uma transação financeira particular.

Os argumentos não convenceram a maioria dos colegas. A trajetória terminou com uma inversão difícil de ignorar: o parlamentar que presidia o Conselho de Ética quando a Operação Déjà-vu foi deflagrada acabou cassado pelo próprio plenário por quebra de decoro.

A decisão encerrou o julgamento político, mas não a discussão criminal. A ação penal segue caminho independente e Lórens mantém o direito de contestar as acusações na Justiça.

 

A cadeira agora é de Luciano

Onze dias depois da cassação, a consequência política tornou-se visível. Luciano Carvalho prestou o compromisso legal, apresentou diploma e declaração de bens e assinou o termo de posse.

E aproveitou os primeiros minutos do mandato para mostrar a que grupo político está ligado. “Agradeço também à minha amiga, ex-chefe e presidente do nosso Partido Progressistas, deputada Maria Victoria, com quem eu tenho orgulho de caminhar nessa jornada política há anos, sempre buscando o melhor para os paranaenses”, afirmou.

Maria Victoria acompanhou a posse no Palácio Rio Branco. Luciano também agradeceu ao deputado federal Ricardo Barros e à ex-governadora Cida Borghetti.

Depois, deixou o discurso escrito de lado e falou diretamente aos apoiadores. "Foram anos de luta, anos de luta e vocês nunca desacreditaram da gente. Caminharam comigo na rua, na Cidade Industrial de Curitiba, em outros bairros, acreditando que o nosso projeto ia dar certo. E hoje, se eu estou aqui, é por causa de vocês. Que me colocaram aqui”, declarou.

Luciano encerrou o primeiro pronunciamento com uma frase que marcou a mudança de página: “A luta não para”.

 

Primeiro voto foi oral

Pouco depois da posse, Luciano participou de sua primeira votação, mas ainda não estava cadastrado no sistema eletrônico da Câmara.

“Vereador Luciano Carvalho, não conseguimos ainda cadastrar no sistema. Vossa Excelência pode fazer o voto oral. Como vota Vossa Excelência nesse projeto?”, informou a presidência.

“Eu voto sim”, respondeu Luciano.

Era a votação do projeto encaminhado pelo prefeito Eduardo Pimentel que prorroga a vigência do Plano Municipal de Educação. A proposta foi aprovada por 31 votos favoráveis, nenhum contrário e nenhuma abstenção.

O primeiro “sim” de Luciano também funcionou como a imagem definitiva da substituição. Pouco mais de três meses depois de a Operação Déjà-vu atingir o gabinete de Lórens Nogueira, outro vereador já votava na cadeira que pertencera a ele.

Para Lórens, a ação penal continua e ainda poderá produzir novos capítulos na Justiça. Na Câmara de Curitiba, porém, a longa novela política chegou ao fim nesta segunda-feira.

 

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp