Fiep critica isenção de "taxa das blusinhas" e alerta para risco de desemprego no PR
Entidade afirma que fim da tributação para compras de até US$ 50 favorece plataformas estrangeiras e prejudica 5 mil empresas do setor no Estado. Segmento emprega mais de 70 mil trabalhadores no Paraná
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) criticou a decisão do governo federal de zerar a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”. Para a entidade, a mudança amplia a desigualdade tributária entre a indústria brasileira e plataformas estrangeiras, afetando principalmente o setor têxtil e de confecções.
Em nota divulgada nesta semana, a Fiep afirma que a medida pode gerar impactos econômicos e sociais significativos, especialmente em segmentos que dependem da produção nacional para manter empregos e renda.
Segundo a federação, a indústria brasileira já enfrenta dificuldades relacionadas à alta carga tributária, custos logísticos elevados e burocracia. A entidade argumenta que a retirada da taxação favorece produtos importados que chegam ao país sem cumprir as mesmas exigências tributárias, trabalhistas e regulatórias impostas às empresas nacionais.
No Paraná, o setor têxtil, de vestuário e couro emprega mais de 70 mil trabalhadores formais e é o segundo maior gerador de empregos da indústria estadual. A Fiep destaca ainda que cerca de 65% da mão de obra do segmento é composta por mulheres.
Outro ponto levantado pela entidade é o perfil das empresas do setor. Mais de 90% das cerca de 5 mil indústrias ligadas à cadeia têxtil no Paraná são micro e pequenas empresas.
A federação também questiona o impacto fiscal da medida. Conforme a nota, apenas nos quatro primeiros meses de 2026, as compras realizadas em plataformas internacionais geraram arrecadação de R$ 1,78 bilhão para a União.
Para a Fiep, a decisão pode comprometer a competitividade da indústria nacional, afetando investimentos, geração de empregos e a manutenção de empresas do setor produtivo.