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FIA altera regras da Fórmula 1 para 2026 após críticas de pilotos e riscos à segurança Créditos: Reprodução / Instagram / Mercedes F1

FIA altera regras da Fórmula 1 para 2026 após críticas de pilotos e riscos à segurança

Mudanças no regulamento técnico entram em vigor no GP de Miami; federação reduz limites de energia e cria sistemas para evitar acidentes em largadas e pistas molhadas

A Federação Internacional de Automobilismo anunciou nesta segunda-feira (20) uma série de mudanças no regulamento da Fórmula 1 para a temporada de 2026. As alterações atingem quatro áreas principais: classificação, corridas, largadas e provas sob chuva. Com exceção das mudanças nas largadas, que ainda passarão por testes, as novas regras entram em vigor já no GP de Miami, marcado para 3 de maio.

As decisões foram tomadas após reuniões que envolveram equipes, pilotos, fabricantes de motores e dirigentes da categoria. Ao todo, três encontros ocorreram ao longo do mês, sendo os dois primeiros nos dias 15 e 16 e o último na própria segunda-feira.

As mudanças surgem em resposta a críticas recorrentes. Pilotos e parte do público apontaram preocupações com a segurança e com o excesso de “gestão de energia”, que tem limitado o desempenho dos carros. Em termos simples, os pilotos vinham sendo obrigados a “economizar potência” durante a corrida, o que reduzia a naturalidade das disputas.

O objetivo da FIA é equilibrar o cenário: manter o alto número de ultrapassagens, mas permitir que os pilotos acelerem mais e com menor risco.

Mudanças na classificação

Na sessão de classificação, que define o grid de largada, a quantidade máxima de energia que pode ser utilizada por volta caiu de 8 para 7 megajoules (MJ). Megajoule é uma unidade de energia, usada aqui para limitar o quanto o carro pode “gastar” de potência elétrica por volta.

Na prática, a redução busca diminuir a necessidade de gerenciamento e permitir que o piloto acelere mais sem precisar poupar energia. Antes disso, o limite já havia sido reduzido de 9 para 8 MJ.

Outra mudança envolve o chamado “superclipping”. Esse sistema acontece quando o carro passa a usar parte da energia do motor elétrico para recarregar a bateria, mesmo durante aceleração. A potência desse sistema foi ampliada de 250 para 350 kW, o que deve tornar a recarga mais rápida e eficiente.

Ajustes nas corridas

Durante as corridas, uma das principais alterações envolve o “boost”, um recurso que libera potência extra ao carro. O limite desse ganho foi fixado em 150 kW.

A mudança tenta evitar diferenças bruscas de velocidade entre carros, situação que contribuiu para acidentes recentes. Um exemplo foi o forte impacto envolvendo Oliver Bearman no GP do Japão.

Outro ponto envolve o MGU-K, um sistema que recupera energia gerada nas frenagens e a transforma em potência. A partir de agora, o uso desse recurso será mais restrito fora das zonas principais de aceleração. A ideia é evitar variações inesperadas de velocidade, mas manter as ultrapassagens possíveis.

Mudanças nas largadas

A FIA também desenvolveu um novo sistema para identificar carros que apresentam aceleração muito baixa logo após a largada. Isso pode acontecer quando o carro perde potência ou tem falha no sistema.

Quando isso for detectado, o próprio sistema vai acionar automaticamente o MGU-K para garantir que o carro atinja uma velocidade mínima. O objetivo é evitar acidentes, principalmente em situações em que um carro fica parado na pista.

Um caso recente citado foi o de Liam Lawson, que ficou praticamente imóvel na largada do GP da Austrália e quase provocou uma colisão.

Além disso, luzes extras serão ativadas no carro para alertar os outros pilotos sobre o problema.

Corridas sob chuva

Para provas com pista molhada, as mudanças incluem a redução do uso de sistemas de recuperação de energia e ajustes nas luzes traseiras, que ficam mais visíveis.

Também haverá aumento na temperatura dos cobertores de pneus intermediários. Esses cobertores são usados antes da corrida para aquecer os pneus. Com mais temperatura, os pneus ganham aderência mais rapidamente, o que ajuda na segurança em pista molhada.

O que motivou as mudanças

As alterações são resultado direto das primeiras corridas da temporada 2026, que geraram críticas dentro e fora da pista. Com o novo regulamento técnico, os carros passaram a depender mais da parte elétrica, que hoje responde por cerca de 50% da potência total.

Isso trouxe um efeito colateral: dificuldade em recarregar a bateria durante a corrida. Como consequência, os pilotos passaram a gerenciar energia constantemente, reduzindo o ritmo em vários momentos.

Apesar do aumento no número de ultrapassagens, alguns pilotos consideraram as disputas menos naturais. Um dos críticos foi o tetracampeão Max Verstappen, que chegou a cogitar deixar a categoria ao fim da temporada.

O tema ganhou ainda mais peso após o acidente de Bearman no Japão. O piloto perdeu o controle do carro a mais de 260 km/h ao enfrentar diferença de velocidade em relação a Franco Colapinto, que estava com pouca energia disponível.

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