Famílias Emerick e Bombonatto cruzam vínculos públicos e empresariais em meio a apurações no setor portuário
Apuração identifica conexões familiares, societárias e institucionais entre nomes ligados ao setor portuário em meio a disputas e questionamentos sobre contratos e áreas estratégicas no Paraná
Por Gazeta do Paraná
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A presença recorrente dos nomes Emerick e Bombonatto em diferentes frentes do setor portuário do Paraná levou a Gazeta do Paraná a mapear relações familiares, empresariais e institucionais que se cruzam em um momento de decisões relevantes sobre contratos, áreas e renovações dentro do sistema portuário.
Nos últimos anos, o ambiente portuário paranaense passou a concentrar disputas envolvendo processos de arrendamento, pedidos de renovação contratual e questionamentos administrativos sobre a ocupação de áreas estratégicas. Estruturas como o Porto Ponta do Félix e operações ligadas à FTS aparecem nesse contexto, que já mobilizou órgãos de controle, instâncias administrativas e o campo jurídico.
É nesse cenário que o nome de Adriano Dutra Emerick ganha relevância. Ele atua como advogado em estruturas e processos relacionados ao setor portuário. A partir da identificação de sua atuação, a reportagem passou a mapear outros integrantes da família Emerick com presença em cargos públicos e atividades conectadas ao mesmo ambiente econômico.
O primeiro elo identificado foi Solange Emerick, irmã de Adriano. Em publicações abertas nas redes sociais, Solange trata Lucas Antônio Bombonatto como filho. O perfil público de Lucas o apresenta como “empresário do setor portuário”, e suas publicações destacadas como “Work” mostram registros diretamente vinculados à FTS e ao Porto Ponta do Félix, estruturas pertencentes a Valdécio Bombonatto, nome que aparece vinculado à operação de áreas portuárias no Estado.

A reportagem não localizou, até o momento, documentos que comprovem vínculo familiar direto entre Lucas Antônio Bombonatto e Valdécio Antônio Bombonatto. Ainda assim, a presença de Lucas na apuração se dá pela convergência de elementos. Ele é filho de uma irmã de Adriano Emerick, utiliza o sobrenome Bombonatto e se apresenta publicamente como atuante no setor portuário, com registros vinculados ao mesmo ambiente empresarial investigado.
Sociedades empresariais
A conexão entre as famílias, por outro lado, aparece de forma documentada no campo empresarial. Solange Emerick figurou como sócia de Lígia Paes Bombonatto, filha de Valdécio Bombonatto, em empresas como a Praia Verão Confecções Ltda., no Paraná. Lígia também já exerceu função de direção financeira na FTS. O vínculo societário demonstra que a relação entre os núcleos familiares inclui participação conjunta em empresa formalmente constituída.
Sobrinho comissionado na Alep
Dentro do mesmo núcleo familiar, a presença em estruturas públicas também se repete. Gabriel Emerick Ávila, sobrinho de Adriano Emerick, ocupa cargo comissionado na Assembleia Legislativa do Paraná, com remuneração de R$ 14.648,68, em função de assessoramento administrativo.

Ele foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil em fevereiro deste ano, conforme registros públicos e publicações em redes sociais da família, e passou a exercer a função no mesmo período.

A rede se amplia com outros nomes ligados à família. Bárbara Kaiser, também recém-formada, ocupa função na estrutura dos Portos do Paraná e mantém vínculo de parentesco com os demais citados. Já Silvana Emerick, mãe de Bárbara, exerceu cargo comissionado na Casa Civil e atualmente atua no Detran do Paraná, com remuneração em torno de R$ 4 mil, conforme dados de transparência.
Mesma origem
As conexões identificadas também compartilham origem geográfica. Tanto a família Emerick quanto o núcleo ligado a Valdécio Bombonatto têm raízes em Cascavel, no Oeste do Paraná, de onde partem relações familiares, profissionais e empresariais que hoje se estendem a diferentes esferas do poder público e ao setor portuário.
O interesse público sobre esses nomes decorre da sobreposição de vínculos em um setor que concentra decisões de alto impacto econômico. Em meio a discussões sobre contratos milionários, renovações de áreas portuárias e questionamentos administrativos, a presença recorrente de integrantes de um mesmo núcleo familiar em posições no setor público e em atividades relacionadas ao ambiente empresarial amplia a necessidade de transparência e acompanhamento.
O conjunto de dados reunidos pela reportagem evidencia a existência de um campo de relações compartilhado que conecta vínculos familiares, cargos públicos e participação em estruturas empresariais ligadas ao mesmo segmento econômico. Embora nem todos os elos sejam formalmente comprovados como parentesco direto, a recorrência de nomes, relações societárias e atuação no mesmo setor mostra uma rede que se projeta simultaneamente sobre a administração pública e o ambiente empresarial portuário.
Créditos: Redação
