Falta de estrutura para alunos com altas habilidades é cobrada na Câmara de Maringá
Vereador Sidney Telles e professora Rose relatam dificuldades com transporte, competições e recursos para atender estudantes com altas habilidades no município
Por Valéria Mendes
Créditos: Jornal da Unesp
Na sessão desta terça-feira (11), o vereador Sidney Telles e a professora Rose levaram à tribuna da Câmara de Maringá a discussão sobre a falta de estrutura para atender alunos com altas habilidades ou superdotação. Durante a fala, o parlamentar destacou a dificuldade de identificação desses estudantes e a carência de recursos para atividades, competições e transporte.
Sidney afirmou que o Brasil teria cerca de 4,5 milhões de crianças e jovens com altas habilidades, enquanto, em 2024, aproximadamente 40 mil estavam identificados nessa condição. Segundo o vereador, a diferença revela um cenário de subnotificação e falta de estrutura para atender esse público.
Altas habilidades ou superdotação (AH/SD) fazem parte da educação especial e se caracterizam pelo elevado potencial em uma ou mais áreas, como intelectual, acadêmica, artística, psicomotora ou de liderança. Durante a sessão, a professora Rose destacou que os estudantes com altas habilidades integram oficialmente o público da educação especial e precisam de atendimento especializado.
Um dos problemas relatados foi a falta de recursos para participação dos alunos em competições. Sidney afirmou que estudantes premiados em eventos chegaram a receber certificados, mas precisaram pagar pelas próprias medalhas. A professora Rose reforçou a situação e disse que, novamente neste ano, precisa adquirir 24 medalhas para os estudantes.
O vereador também relatou dificuldades relacionadas ao transporte. Segundo ele, chegou a ser viabilizada uma van para auxiliar no deslocamento dos alunos, mas não foi encontrada uma estrutura adequada para recebê-la e guardá-la. Diante do impasse, o deputado responsável pela destinação teria desistido da doação do veículo.
Durante a discussão, a professora Rose convidou dois estudantes do Colégio de Aplicação Pedagógica da Universidade Estadual de Maringá (UEM) para relatarem suas experiências: Fernando e Maria Eduarda, ambos de 17 anos.
Fernando contou que foi identificado ainda no ensino fundamental como aluno com altas habilidades na área de linguagens. Segundo ele, o atendimento especializado possibilitou contato com projetos, feiras, olimpíadas e oficinas, além de ampliar seus interesses para outras áreas do conhecimento. O estudante também destacou que alunos com desenvolvimento mais avançado podem enfrentar dificuldades para se adaptar ao currículo tradicional e precisam de atividades diferenciadas. Maria Eduarda afirmou que começou a frequentar a sala de recursos em 2022 e destacou que o atendimento contribuiu tanto para sua formação acadêmica quanto para sua socialização. A estudante relatou participação em projetos de diferentes áreas, olimpíadas e atividades de pesquisa e defendeu maior visibilidade para alunos com altas habilidades.
Ao final da discussão, também foi citado o projeto Smart Kids, que passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A proposta prevê parcerias com a iniciativa privada e o terceiro setor para ampliar o atendimento e o desenvolvimento de crianças com altas habilidades no município.
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