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Falta de dragagem no Rio Tapajós pode causar prejuízo de até R$ 850 milhões

Entidades do setor produtivo alertam para risco de redução da navegabilidade, aumento do frete, emissões de carbono e dificuldades no escoamento da safra 2026/2027

Falta de dragagem no Rio Tapajós pode causar prejuízo de até R$ 850 milhões Créditos: Divulgação

Pelo menos 30 entidades do setor produtivo encaminham nesta sexta-feira (28) um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária pedindo a mobilização do governo federal para viabilizar a dragagem de manutenção da hidrovia do Rio Tapajós, no Pará. Segundo as instituições, a falta da intervenção pode provocar prejuízos de até R$ 850 milhões à cadeia produtiva e aumentar as emissões de carbono.

A hidrovia integra o chamado Arco Norte, formado por corredores logísticos utilizados para transportar a produção agrícola até portos das regiões Norte e Nordeste. As entidades consideram urgente a manutenção da rota, principalmente diante do risco de seca durante a safra 2026/2027.

Entre os impactos apontados estão a possibilidade de emissão adicional de 55 mil toneladas de carbono caso as cargas sejam transferidas para o transporte rodoviário e um aumento estimado entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada nos custos logísticos. Há ainda o risco de até 5 milhões de toneladas de grãos deixarem de ser escoadas e de ocorrer comprometimento no abastecimento de combustíveis na região de Santarém.

Somente pelo Rio Tapajós foram movimentadas 16,8 milhões de toneladas de cargas em 2025, volume 14,3% superior ao registrado no ano anterior. Cerca de 88% das cargas transportadas pela hidrovia são compostas por soja e milho, o que reforça a importância da rota para o escoamento da produção do Centro-Oeste.

Nos dois primeiros meses de 2026, foram transportadas 2,04 milhões de toneladas de soja e milho pela hidrovia.

Risco de seca preocupa setor

A dragagem de manutenção consiste na retirada de sedimentos acumulados no leito do rio para preservar as condições de navegação. A medida ajuda a garantir o calado das embarcações, ou seja, a profundidade necessária para que os navios possam navegar com segurança e transportar suas cargas.

Com a redução do nível dos rios durante períodos de seca, a margem de segurança diminui, podendo limitar a quantidade de carga transportada ou até impedir a navegação em trechos críticos.

As entidades também demonstram preocupação com a possibilidade de um El Niño de forte intensidade, fenômeno que pode reduzir as chuvas na região Norte e provocar queda no nível dos rios.

O documento cita como referência o período entre 2023 e 2024, quando o déficit de chuvas na Bacia do Tapajós chegou a 80 milímetros no pico da estiagem. Na ocasião, o nível do rio ficou abaixo do necessário para a navegação.

Segundo as instituições, o comportamento registrado no primeiro quadrimestre de 2026 apresenta semelhanças com o observado em 2023, aumentando a preocupação com uma possível repetição do cenário.

Outro fator de urgência é o período disponível para a realização do serviço. Conforme o documento, o maquinário empregado na dragagem precisa começar a ser retirado do rio a partir de setembro.

As entidades também destacam que a dragagem de manutenção tem finalidade diferente da dragagem de aprofundamento. O procedimento busca conservar a infraestrutura existente e, segundo o documento, não está sujeito a licenciamento ambiental, conforme a Lei Geral do Licenciamento Ambiental.

Setor privado pode executar o serviço

O ofício cita um acordo de cooperação entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior que permite a realização da dragagem de manutenção pelo setor privado.

De acordo com as entidades, a operação poderia ser executada sem custos para o poder público.

O alerta também envolve outras hidrovias estratégicas para o transporte de cargas, como a do Rio Madeira. Para o setor produtivo, a manutenção contínua desses corredores é necessária para garantir maior segurança e capacidade ao sistema logístico nacional.

FPA cobra providências

A Frente Parlamentar da Agropecuária já havia encaminhado anteriormente um documento ao governo federal solicitando providências para garantir a navegabilidade do Tapajós. Segundo a entidade, as medidas ainda não foram executadas.

A vice-presidente da FPA, senadora Tereza Cristina (PP-MS), afirmou que a falta de uma solução pode elevar os custos logísticos, dificultar o escoamento da safra e aumentar as emissões de carbono.

Já o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), coordenador da Comissão de Orçamento da FPA, destacou que a dragagem também teria importância ambiental ao contribuir para a manutenção do leito e do canal do rio.

Com o novo documento, as entidades esperam que o Ministério da Agricultura amplie a articulação com a Casa Civil e outros órgãos do governo para viabilizar a dragagem dos pontos considerados críticos antes do período mais intenso de seca.

Foto: Divulgação 

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