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Equipes procuram mais de 100 trabalhadores em túneis após desastre no Nepal

Equipes de resgate acreditam que trabalhadores de usinas hidrelétricas possam estar vivos dentro de túneis com bolsas de ar após enchentes e deslizamentos que deixaram pelo menos 1.380 mortos

Equipes procuram mais de 100 trabalhadores em túneis após desastre no Nepal Créditos: Reprodução Redes Sociais

Equipes de resgate do Nepal procuram nesta segunda-feira (7) mais de 100 trabalhadores de usinas hidrelétricas que podem estar presos em túneis após as enchentes e deslizamentos que atingiram cidades e vilarejos na região da fronteira do Himalaia com a China.

A busca ocorre no 13º dia após o desastre. A data marca tradicionalmente o último dia de luto nos ritos hindus pelas vítimas das enchentes.

Segundo equipes de resgate do Exército, cerca de 121 das 900 pessoas desaparecidas nos projetos hidrelétricos podem estar dentro de túneis. Outras pessoas desaparecidas podem ter trabalhado em diferentes áreas das usinas, sem necessariamente estarem dentro da rede subterrânea.

Entre os trabalhadores procurados nesta segunda-feira estão quatro das seis pessoas desaparecidas no projeto hidrelétrico de Chilime, no distrito de Rasuwa, uma das regiões mais atingidas. O parlamentar Shri Ram Neupane, que participa dos esforços de resgate, disse à Reuters que ainda existe a possibilidade de encontrar sobreviventes.

As autoridades conseguiram equipamentos especializados e definiram técnicas para avançar nas buscas em Chilime. As equipes acreditam que algumas pessoas possam ter sobrevivido dentro dos túneis porque parte da estrutura possui bolsas de ar, além de espaços e salas que poderiam servir de abrigo.

Quatro pessoas foram resgatadas nos últimos dias

As operações recentes aumentaram a esperança das equipes de resgate.

No sábado (5), um cidadão chinês foi retirado com vida de um túnel. Na sexta-feira (4), dois trabalhadores de uma usina hidrelétrica também foram resgatados de outro túnel.

Uma mulher nepalesa foi encontrada com vida no sábado, depois de ficar presa em sua casa soterrada.

Os quatro resgates ocorreram dias depois do desastre que atingiu a região e mantiveram as equipes mobilizadas em busca de outras possíveis vítimas.

O governo do Nepal também solicitou ajuda à comunidade internacional. Entre os equipamentos pedidos estão drones de alta capacidade, pontes Bailey, kits para testes de DNA, equipamentos específicos para resgate em túneis e materiais para prevenção de epidemias.

Nepal marca 13º dia de luto

O 13º dia após a morte tem um significado especial para a população hindu. Por isso, órgãos do governo e representações diplomáticas do Nepal no exterior devem manter a bandeira nacional a meio-mastro.

A data é tradicionalmente considerada o último dia de luto pelos fiéis, que realizam rituais e fazem oferendas de alimentos em memória dos mortos.

Mesmo com a data simbólica, o governo não programou grandes cerimônias. As equipes continuam concentradas nas operações de busca e resgate.

“Não há programas governamentais organizados, pois as operações de resgate e busca ainda estão em andamento nas áreas atingidas pelas enchentes”, afirmou Phanindra Paudel, do Centro Nacional de Operações de Emergência (NEOC), à Reuters.

O presidente do Nepal, Ram Chandra Paudel, visitou nesta segunda-feira as regiões atingidas para avaliar os danos provocados pelo desastre.

Deslizamento provocou destruição

O desastre começou em 26 de agosto, quando uma grande massa de lama e rochas, após o desabamento de parte de uma geleira, atingiu um rio na região da fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China.

As enchentes destruíram cidades e vilarejos e cobriram estradas e rodovias com lama e destroços.

Pelo menos 1.380 pessoas morreram no Nepal e no Tibete, enquanto mais de 5.500 continuam desaparecidas, segundo os dados apresentados no material sobre o desastre.

A dimensão da tragédia levou o Nepal a pedir apoio internacional para manter as operações de emergência e localizar as pessoas que ainda não foram encontradas.

China recupera mais corpos no Tibete

As equipes chinesas também continuam procurando desaparecidos no lado tibetano da fronteira.

Autoridades da China informaram no domingo (6) que mais 12 corpos haviam sido recuperados. Centenas de pessoas ainda são consideradas desaparecidas na região.

Muitos dos desaparecidos são indianos ou pessoas de origem indiana que estavam no Tibete para visitar o Lago Mansarovar e o Monte Kailash, considerados locais sagrados para peregrinos hindus.

“A parte chinesa continuará a fazer todos os esforços para conduzir operações de busca e resgate e lidar com as questões pós-desastre”, afirmou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

O governo chinês vem enfrentando pressão de familiares de turistas estrangeiros que estavam no Tibete. Eles relatam dificuldades para conseguir informações sobre parentes desaparecidos.

Mao afirmou que Pequim divulgará “informações atualizadas sobre a situação do desastre e as atividades de resgate”.

No domingo, a China permitiu pela primeira vez que jornalistas de oito veículos de comunicação estrangeiros, entre eles a Reuters, visitassem as principais áreas afetadas.

Presos foram retirados antes da enchente

Além das operações de busca por desaparecidos, as autoridades nepalesas também atuaram para retirar pessoas de áreas de risco durante a enchente.

Na prisão distrital de Nuwakot, um dos dois distritos mais atingidos, agentes de segurança conseguiram retirar 923 presos do prédio antes que as águas chegassem ao local.

Segundo o primeiro-ministro Balendra Shah, os presos foram transferidos para um prédio situado em uma área mais alta antes que a enchente atingisse a unidade, em 26 de agosto.

As autoridades também localizaram 50 presos que haviam fugido após romperem muros e portões da prisão quando a água começou a subir. Segundo Shah, eles foram encontrados apenas 100 metros depois do local.

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