Créditos: Defesa Civil
El Niño ganha força e acende alerta para temporais e chuvas acima da média no Paraná
Simepar e Defesa Civil alertam para aumento de umidade e calor no segundo semestre de 2026. Estado investe em radares de última geração e libera R$ 16 milhões para obras preventivas em cidades vulneráveis
O avanço do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 acendeu um alerta no Paraná para aumento das chuvas, risco de temporais e possibilidade de eventos extremos durante o inverno, primavera e verão. Diante da previsão, órgãos estaduais intensificaram ações de monitoramento climático, prevenção e preparação das cidades mais vulneráveis.
Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o fenômeno deve provocar um aumento no transporte de calor e umidade da região amazônica para o Sul do Brasil, cenário que historicamente favorece períodos de chuva acima da média no Paraná.
A previsão indica que todas as regiões do Estado devem registrar volumes de chuva superiores à média histórica, principalmente na metade sul paranaense. Apesar disso, as precipitações devem ocorrer de forma irregular e persistente ao longo do segundo semestre. O inverno também deverá ter temperaturas mais amenas em comparação a 2025, com menor frequência de ondas de frio intenso.
O meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib, explicou que o El Niño é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica global e influenciando diretamente o clima em diversas regiões do planeta.
Os dados apresentados pelo Simepar seguem os parâmetros da NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos responsável pelo monitoramento climático global. Conforme a previsão internacional, a condição de neutralidade deve permanecer até o início do inverno, quando o El Niño começará a ganhar força gradativamente, podendo atingir intensidade forte entre a primavera e o verão.
Com o cenário climático projetado, a Defesa Civil do Paraná iniciou uma série de medidas preventivas junto aos municípios. Entre as ações estão a revisão dos planos de contingência, atualização de áreas de risco para enchentes e deslizamentos, limpeza de galerias pluviais, dragagem de canais e acompanhamento de encostas vulneráveis.
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig, afirmou que a atenção está voltada principalmente para cidades que historicamente sofrem com enxurradas, enchentes e deslizamentos. Segundo ele, municípios do Litoral já começaram a realizar simulados de desastres para preparação das equipes e da população.
O chefe do Centro de Gerenciamento de Riscos e Desastres, major Anderson Gomes, ressaltou que ainda não é possível prever quais regiões serão mais afetadas nem a intensidade dos impactos, mas reforçou que o trabalho de monitoramento será permanente ao longo dos próximos meses.
Nos últimos sete meses, o Fundo Estadual para Calamidade Pública (Fecap) liberou R$ 16,2 milhões para obras preventivas em municípios paranaenses. Os recursos foram utilizados em projetos de drenagem em Londrina e Guaratuba e na construção de pontes na área rural de Espigão Alto do Iguaçu.
Além das ações emergenciais, o Estado também ampliou os investimentos em tecnologia meteorológica. O Simepar iniciou a contratação de novos meteorologistas e avançou na aquisição de radares climáticos de última geração por meio dos programas Monitora Paraná e Monitora Litoral.
Os novos equipamentos incluem radares das bandas C, S e X, considerados entre os mais modernos do mundo para monitoramento climático. Eles serão instalados em cidades como Campo Magro, Jandaia do Sul e Pontal do Paraná.
O radar da banda S, por exemplo, terá capacidade de monitorar fenômenos meteorológicos em distâncias de até 480 quilômetros, permitindo identificar tempestades severas e eventos extremos com maior antecedência.
A Defesa Civil também reforçou o sistema de alertas à população. O monitoramento funciona 24 horas por dia e os avisos podem ser recebidos gratuitamente via SMS ou WhatsApp.
