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Dr. Lauri vira alvo de pedido de cassação por suposto uso de assessor em obra particular

Denúncia protocolada na Câmara de Cascavel acusa vereador de utilizar servidor do gabinete em atividade privada durante o expediente; caso será analisado pelo Conselho de Ética

Por Eliane Alexandrino

Dr. Lauri vira alvo de pedido de cassação por suposto uso de assessor em obra particular Créditos: Divulgação

A Câmara de Vereadores de Cascavel recebeu nesta segunda-feira (13) um pedido de cassação contra o vereador Dr. Lauri (MDB), atual vice-líder do governo no Legislativo. A denúncia foi protocolada pelo vereador Fão do Bolsonaro (PL) e anunciada durante a sessão ordinária da Casa. O documento acusa o parlamentar de utilizar o chefe de gabinete de seu mandato para realizar serviços em uma obra particular durante o horário de expediente.

Ao ocupar a tribuna, Fão do Bolsonaro afirmou que decidiu apresentar a denúncia após reunir provas que, segundo ele, demonstram a suposta irregularidade. O vereador disse que, ao longo de seu mandato, recebeu diversas denúncias contra agentes públicos, mas optou por formalizar apenas aquelas que estariam devidamente fundamentadas.

"Hoje foi protocolado um pedido de cassação do mandato do vereador Dr. Lauri. Eu sempre recebi muitas denúncias, mas sabia que uma hora alguém me daria uma denúncia com fundamento para fazer o que tem que ser feito."

Segundo o parlamentar, o servidor denunciado exerce a função de chefe de gabinete, cargo responsável pela coordenação administrativa do gabinete parlamentar e pelas atividades institucionais relacionadas ao mandato. Na denúncia, Fão sustenta que o servidor teria sido flagrado realizando serviços em uma obra particular vinculada ao vereador durante o horário em que deveria estar exercendo suas funções na Câmara Municipal.

De acordo com Fão, a suposta irregularidade foi registrada por meio de fotografias, vídeos e imagens aéreas obtidas com auxílio de drone, material que acompanha o pedido protocolado no Legislativo.

"O que vocês dizem de um chefe de gabinete que ganha quase R$ 10 mil para fazer serviço particular em horário de expediente para vereador? Sim, nós filmamos isso. Foi tudo filmado."

Durante o pronunciamento, o vereador afirmou que espera que a Câmara conduza a apuração dos fatos de forma imparcial e dê sequência aos procedimentos previstos no Regimento Interno.

"Agora fica a cargo desta Casa fazer as análises e o julgamento que tem que ser feito."

Ao encerrar a fala, dirigiu-se diretamente ao vereador denunciado. "Dr. Lauri, te peguei, destacou Fão do Bolsonaro"

Apuração

Também durante a sessão, o vereador Policial Madril (PP) confirmou que acompanhou parte da apuração após ser procurado por Fão do Bolsonaro. Segundo ele, foi informado sobre a denúncia e orientou que todas as alegações fossem devidamente documentadas antes de serem levadas oficialmente ao Legislativo.

"Quando o Fão me procurou, eu disse que uma denúncia precisa ser materializada. Tem que filmar, registrar e provar tudo o que está sendo falado."

Madril relatou que esteve no local indicado na denúncia e verificou a situação apresentada pelo colega parlamentar. Segundo ele, seu papel foi orientar para que a representação fosse construída com base em elementos concretos.

O vereador ressaltou ainda que não faz distinção entre aliados e adversários quando há indícios de irregularidade.

"Eu até me dou bem com o Dr. Lauri, mas quando o Fão falou comigo eu disse que, se fosse fazer a denúncia, teria que fazer da maneira correta. Quando a denúncia vem acompanhada de provas, não tem o que fazer. Quem erra tem que responder e pagar pelo erro."

Ainda em seu pronunciamento, Madril afirmou que sempre procurou atuar com imparcialidade durante os quase dez anos de mandato e reforçou que qualquer denúncia deve ser analisada com responsabilidade, mas sempre baseada em provas.

Tramitação

Após as manifestações, o líder do governo na Câmara, vereador João Diego (Republicanos), afirmou que o Legislativo cumprirá rigorosamente os procedimentos previstos no Regimento Interno.

Segundo ele, a denúncia deverá ser encaminhada para análise do Conselho de Ética, que avaliará a admissibilidade da representação e adotará os procedimentos cabíveis. João Diego também informou que a situação envolvendo a permanência de Dr. Lauri na função de vice-líder do governo será discutida com a Casa Civil e o Poder Executivo.

Até o encerramento da sessão, Dr. Lauri não utilizou a tribuna para comentar o pedido de cassação.

A reportagem da Gazeta do Paraná também entrou em contato com o vereador Dr. Lauri. O parlamentar informou que, neste momento, irá analisar o teor da denúncia e os fatos apresentados antes de se pronunciar oficialmente sobre o caso.

O que diz a Câmara de Vereadores

A Câmara de Vereadores de Cascavel informou que a representação contra o vereador Dr. Lauri (MDB), protocolada nesta segunda-feira (13), seguirá os trâmites previstos no Regimento Interno da Casa.

Segundo nota oficial, o pedido de cassação foi apresentado pelo vereador Fão do Bolsonaro (PL) e entregue pelo advogado Anderson Della Beta. A denúncia acusa o parlamentar de supostamente utilizar um servidor de seu gabinete para realizar atividades particulares durante o horário de expediente.

A partir do protocolo da representação, caberá ao presidente em exercício da Câmara, vereador Serginho Ribeiro, analisar a documentação. O Regimento estabelece o prazo de 10 dias úteis para que ele reúna os integrantes da Mesa Diretora, que deverão deliberar sobre a admissibilidade da denúncia.

Caso a representação seja admitida por maioria absoluta, a Mesa decidirá se o processo será encaminhado à Comissão de Ética ou se haverá a instauração de uma Comissão Processante, responsável por conduzir a investigação e emitir parecer sobre o pedido de cassação.

Foto: Divulgação

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